Palestra em Porto Alegre: Karen Van Godtsenhoven fala sobre como o inovador estilo belga mudou o rumo da moda contemporânea

Evento "Fora do Eixo" acontece na próxima quinta-feira, na sala Multiuso do Santander Cultural, a partir das 17h30min

Quem curte um pouquinho de moda já ouviu falar que a Antuérpia é a capital fashion da Bélgica e que os belgas são reconhecidos por um estilo inovador, baseado na arquitetura e nas formas. Mas pouca gente sabia disso antes de meados dos anos 1980, quando um grupo chamado Antwerp Six, formado por Dries Van Noten, Ann Demeulemeester, Dirk Van Saene, Walter Van Beirendonck, Marina Yee e Dirk Bikkembergs, comprovou que longe demais das capitais também se pode lançar tendências e colocou a Antuérpia no mapa mundial da moda.

Egressos da Royal Academy of Fine Arts, que já formou outros grandiosos talentos, como Raf Simons, Martin Margiela e Peter Pilotto, são um exemplo inspirador, que vai ser apresentado em Porto Alegre por uma especialista no assunto: Karen Van Godtsenhoven, curadora do Museu de Moda da Antuérpia, o Momu, intrinsicamente ligado à cobiçada e famosa escola. A convite da Radar Inteligência e Projetos de Moda e de AsPatrícias – Inteligência em Moda, Karen participa do projeto Fora do Eixo, concebido como plataforma de ideias, produtos, projetos e eventos que ofereçam alternativas à lógica previsível dos fenômenos da área.

Na próxima quinta-feira, dia 4, na sala Multiuso do Santander Cultural, Karen fala a partir das 17h30min sobre esse fenômeno que transformou o estilo belga em escola de sucesso, mudando o rumo da moda contemporânea. A entrada é gratuita, sujeita à lotação da sala – por isso, chegue cedo. Aqui, Donna conversa com Karen sobre identidade, rumos da moda e estilo.

Donna – Qual a importância da valorização da identidade da moda local?
Karen Van Godtsenhoven –
Imagem é tudo na moda. Se um país com uma identidade cultural forte consegue traduzir isso para a moda, pode melhorar a economia. É importante não ser apenas comercial, mas mostrar uma visão forte e própria, porque é isso que fica com as pessoas e os consumidores. Não há como ser bom em tudo, mas focar em alguns poucos pontos fortes e criar uma identidade de moda com base neles, como, por exemplo, em sapatos ou em acessórios ou em peças artesanais exclusivas. Isso resulta em uma economia mais forte através da indústria criativa e turística, direcionada para uma reapreciação de recursos locais, costumes culturais e profissões que fazem do mundo um lugar muito mais interessante.

Donna – O que você conhece da moda brasileira? Qual a sua interpretação do estilo local?
Karen – Conheço um pouco de uma recente visita a Rio e São Paulo. Vi muitas coisas diferentes. Com certeza, não é um estilo uniforme. Vi muita moda praia e esportiva, mas também peças mais artesanais e únicas com ótimos acessórios. Também sei que ainda não vi muito e estou curiosa para conhecer mais.

Donna – E o seu estilo, como você define?
Karen – Pergunta bem difícil. Meu estilo tem evoluído com o passar dos anos, claro, mas o principal é incluir bastantes peças masculinas, se é que hoje em dia ainda se pode dizer isso, como blazers, calças, cardigãs e sapatos oxford, misturadas a peças mais femininas, como saias plissadas e sempre muito couro. Não passo um dia sem usar algo feito em couro. Também sou uma grande fã do Azzedine Alaïa (estilista tunisiano, famoso a partir dos anos 1980 por moldar peças femininas diretamente sobre o corpo das modelos), em contraste com as peças mais masculinas.

Donna – Tem alguma peça de marca brasileira no seu closet?
Karen – Tenho uma saia plissada da Osklen. Adoraria ter mais itens. Tragam-me couro (risos).

Donna – O que você diria a um jovem criador que quer conquistar espaço no mercado?
Karen – Tente fazer algo que você ainda não tenha visto e que seja uma visão totalmente particular. E mantenha essa visão em tudo o que você faz. Certifique-se de que suas roupas, styling, material gráfico, showroom ou loja reflitam essa visão. Também tente ser ético em tudo o que faz, seja honesto e paciente com a produção e com as pessoas que trabalham para você.

Donna – Para onde os designers devem olhar para criar?
Karen – Não para outros designers de moda, principalmente. Já existe muito do mesmo. Você pode olhar para arte, arquitetura, ler romances/livros ou se aventurar na natureza. Ao mesmo tempo, também admiro a Rei Kawakubo (estilista japonesa, fundadora da Comme des Garçons), que diz que não precisa ver exposições ou a arte de outras pessoas para criar porque a inspiração dela vem de dentro. Eu acredito que alguém pode se inspirar em muitas coisas tanto de fora quanto de dentro de si mesmo.

 

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