Pandorga fecha lojas físicas em Porto Alegre para se reinventar na internet e em projetos de moda

Uma das iniciativas de moda mais bacanas da Capital, a Pandorga se despede neste final de ano. Pelo menos na versão loja física. Neste domingo, os dois endereços – a sede, na rua Miguel Tostes, e a filial no Instituto Ling – fecham as portas depois de sete anos.

A boa nova é que a Pandorga, que se consolidou como um formato inovador de varejo e virou referência em curadoria de design autoral, não deve dar adeus para sempre. Agora, os esforços dos sócios Gabriel Vanoni e Vinicius Andrade serão direcionados para a versão online do projeto – que segue dando visibilidade para marcas autorais. Para a nova temporada, o foco será também no conteúdo e no ensino, com iniciativas como a Demo – Design & Moda Porto Alegre –, evento que já entrou para o calendário fashionista gaúcho. Conversamos com Vanoni para saber sobre os novos rumos da Pandorga –  e também para recordar sua influência e seu legado para o cenário da moda gaúcha.

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Como você avalia este momento de transição da Pandorga, principalmente no que se refere às mudanças do mercado?
A Pandorga surgiu por uma demanda de mercado. Marcas não tinham espaço adequado para vender e tampouco para se divulgar. Sete anos depois, isso não é mais uma demanda, porque as marcas têm onde vender, com as lojas online e as vendas diretas em feiras e outros movimentos. A parte física, no nosso caso, se tornou obsoleta. As mudanças de comportamento foram muito grandes. Quando começamos, não se falava em economia criativa, por exemplo. O mercado que é muito forte hoje, das marcas relacionadas à sustentabilidade, era praticamente inexistente… Vimos essa cena nascer e tivemos um papel muito importante nisso, inclusive também de intercâmbio, ao trazer muitos projetos e marcas de fora do Estado para trocar com quem estava aqui. Outro ponto é o nosso público migrando investimentos em entretenimento e gastronomia, e menos em moda e design. Há quatro anos, as pessoas vinham aqui em busca de roupas novas para o final de semana, e isso não existe mais. Somos também uma loja física: apesar de nos reinventarmos internamente, a gente não se move. Isso parece antigo para o nosso modelo, quando não podemos ir atrás e ter mais braços, como uma pop up.

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Como a Pandorga ajudou a desenvolver nosso mercado de moda local?
Há sete anos, era um mercado muito pequeno. A Pandorga começou com 22, 23 marcas, e foi um filtro bastante difícil para chegar nelas. Chegamos a ter, no ano passado, 120 marcas nas duas lojas, o que mostra esse crescimento gigantesco (do mercado local). Nosso papel foi organizar essa cena, dar voz para esses novos criadores com um modelo de negócios bastante profissional. Temos uma cena que era uma promessa naquela época. Hoje, é uma cena que vemos estendida pelo Estado inteiro e atuando em diversas frentes.

Como será a versão online da Pandorga? O que você pode nos adiantar?
Vamos levar o que temos hoje, dos novos criadores, para um universo online – sem venda de produtos em um primeiro momento. Vamos realizar uma espécie de vitrine para as marcas, com conteúdo, editoriais. Avançar na parte de ensino, em que estamos trabalhando nos últimos dois anos de uma maneira mais forte. E a parte de serviços também, com consultorias, e a parte física em eventos efêmeros, como é a Demo, que correalizamos com o resto da turma. O fato de sairmos do ambiente físico nos dá mais flexibilidade e agilidade para trabalhar em eventos mais efêmeros, como a pop up de uma loja ou a intervenção de um espaço. Nossos pilares seguem: curadoria, inovação e relacionamento. Seguiremos levando essas marcas e indo atrás de novas, como fizemos no formato do Acelerador (projeto que dá suporte a um jovem estilista ou uma marca iniciante). E mesclando isso com o que já estamos fazendo em formatos inovadores, com conteúdo e entretenimento também. É neste formato de evento físico que temos de inovar. É muito legal que esse formato de feiras se difundiu. Reiniciamos isso lá no começo da Pandorga, isso está acontecendo constantemente e acabou virando quase uma commodity. Quase todo mundo fazendo isso, e entendemos que precisamos criar um modelo novo. Mais um desafio para 2018.

Os sócios da Pandorga, Gabriel Vanoni e Vinicius Andrade

Os sócios da Pandorga, Gabriel Vanoni e Vinicius Andrade

A Pandorga atuava como intermediária entre os cliente e as marcas, principalmente as novas etiquetas. Como esse papel de curadoria seguirá daqui para frente?
No futuro, a curadoria vai ser essencial: pela quantidade de informações que a gente recebe, não conseguimos enxergar as coisas. Já é essencial, aliás. A ideia é que a gente consiga abrir mais flancos para criar novas oportunidades de negócios para essas marcas através do online. E inserindo-as na parte de ensino, como já fazemos.

E como vocês enxergam o futuro dessa relação cliente x marca neste novo cenário?
Nós entendemos que os intermediários, que é o nosso caso, vão acabar se extinguindo. Não se justificava mais sermos um intermediário, e também não era mais viável no formato de loja física. O intermediário acaba tirando força na relação da marca com seu próprio cliente. É completamente diferente a marca se comunicar diretamente contigo, sem uma ponte no meio que, daqui a pouco, não tem a mesma linguagem. É claro que a marca precisa de divulgação e canais para chegar a públicos maiores, mas acredito que essa relação vai se tornar mais direta, tanto pelas lojas online quanto por outras formas de comunicação.

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