Paula Cademartori: a gaúcha por trás das bolsas de luxo mais desejadas do momento

Radicada em Milão e formada em Desenho Industrial na Ulbra, a porto-alegrense Paula Cademartori é a designer de bolsas mais incensada do momento, reverenciada pelo mundo fashion e adorada por ícones de estilo ao redor do globo.

Conheça melhor a mente brilhante e estilosa em matéria exclusiva para revista Donna, por Renata Peppl, diretamente de Londres.

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Cinco anos atrás, a gaúcha Paula Cademartori estava em uma posição de dar inveja a qualquer jovem estilista: ocupava havia dois anos o cargo de designer júnior de uma das linhas de acessórios da grife Versace, dividindo seu dia entre a cocriação de dezenas de coleções por ano da marca, reuniões com a toda-poderosa Donatella Versace e acesso irrestrito a um dos melhores times criativos do mundo. Quem, aos 20 e poucos anos e iniciando uma carreira em design, pensaria em abandonar um emprego desses? Resposta: Paula. Convidada para participar do projeto Who’s On Next, da Vogue Itália, que seleciona 140 designers emergentes para apresentar ao mundo, a porto-alegrense não teve dúvida: embarcaria no desafio. Não hesitou nem quando ouviu da chefe a impossibilidade de tirar duas semanas de folga para criar a coleção que seria apresentada no projeto.

– Me demiti na hora – lembra, com voz decidida, falando diretamente do seu ateliê em Milão. – Eu sempre soube aonde queria chegar, sempre quis ser uma marca.

Das salas de aula do curso de Desenho Industrial da Ulbra, diretamente para a incensada Universidade Marangoni, em Milão, onde cursou mestrado em Design de Acessórios, Paula forjou para si uma carreira meteórica no mundo fashionista à base de muita determinação, disciplina, talento – e uma simpatia sem igual – que ficam evidentes já nos primeiros 15 minutos de conversa. Com apenas 26 anos, criou a própria marca de bolsas de luxo na cidade italiana – a Paula Cademartori bags. Em pouco mais de três anos, tornou-se queridinha de celebridades ao redor do globo, festejada em revistas internacionais como Vogue, Elle e Harper’s Bazaar. A fivela que arremata as bolsas (e que aparece nas mãos dela na imagem de capa de Donna) é uma assinatura já tradicionalíssima da grife.

A trajetória pode ter sido veloz, mas nem por isso foi fácil. A família ficou apavorada quando ela anunciou a demissão.

– Mas tu tens certeza, minha filha? Não é muito arriscado? – disse a mãe, via Skype, preocupada com o disparate da caçula.

Vinda de uma família de advogados, engenheiros e médicos, o anúncio de Paula de que pretendia estudar design foi motivo de preocupação.

– Vai fazer engenharia, guria! – pedia o pai.

Paula bateu pé. Passou seis meses entocada em uma fábrica próxima de Milão, desenhando a primeira coleção, obcecada com cada detalhe ao lado do manufatureiro. Com as peças em mãos, em 2010, ela mesma foi de porta em porta em lojas de departamento apresentar a marca. Não bastasse, telefonava para os jornais e revistas se passando por secretária dela mesma.

– Eu falava: “Aqui é a assistente da Paula Cademartori, queríamos enviar release para vocês sobre essa nova marca de bolsas…” – ri ela, que atribui sua disciplina aos anos que passou estudando no Colégio Farroupilha, em Porto Alegre, e o amor pela moda, herdado da avó.

Antes de serem carregadas a tiracolo por dezenas de fashionistas e celebridades mundo afora – da Man Repeller Leandra Medine a Chiara Ferragni, do blog Blonde Salad, além das atrizes Julia Stiles e Alice Eve -, as bolsas Cademartori fizeram seu début no mundo das personalidades de estilo quando a poderosa Anna Dello Russo, editora e diretora criativa da Vogue Japão, passou a ser fotografada com uma debaixo do braço.

– Nos conhecemos por amigos em comum em Milão. Ela me viu com a bolsa algumas vezes e, em uma ocasião, pediu para eu enviar um modelo para ela. Daí não parou mais. Hoje somos boas amigas – lembra Paula.

Cada bolsa é feita manualmente e leva uma média de 32 horas para ficar pronta.

– Acredito muito no conceito Made in Italy. Aqui se fazem as melhores bolsas do mundo.

Hoje as coleções Cademartori (quatro ao ano) são vendidas em 186 das maiores lojas de departamento do mundo e, recentemente, ganharam lugar de destaque no showroom Riccardo Grassi, badalado espaço dedicado a acessórios de luxo em Milão.

Em paralelo, Paula ainda continua criando dezenas de coleções de acessórios para a passarela de duas marcas famosíssimas que, por contrato, ela não pode revelar quem são. Ainda quer muito mais.

— Em dois anos, quero abrir a flagship da marca. Já estou pensando em lançar coleções de sapatos e, no futuro, roupas também. Eu sei que vai acontecer – conta, com um sorriso largo no rosto.

Alguém duvida?

box paula

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