Por cima dos panos! Como a lingerie vem assumindo o papel de propagonista do closet feminino

Por Luciana Schmidt Alcover, Especial

Apesar de ser a primeira peça vestida, nem sempre a lingerie, também chamada de roupa íntima ou roupa de baixo, é a primeira a ser escolhida por uma mulher. Calcinhas, sutiãs, corsets e camisetes, além da proteção que oferecem ao corpo, podem aumentar o poder de atração feminino, despertando o desejo pela fantasia e pela sedução. Rendas, bordados, transparências e cortes reduzidos são ingredientes apimentados de peças-símbolo da sensualidade e da beleza da mulher. Opções não faltam. A lingerie escolhida para uma noite de núpcias certamente será distinta daquela usada no dia-a-dia. O look depende da ocasião, da roupa eleita e da mensagem que se quer passar. Essa relação entre o erotismo e a roupa íntima é tão conhecida e tão forte, que o tema, assim como o fetiche, foram objetos de estudo do pai da psicanálise, Sigmund Freud.

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No cinema podemos acompanhar a evolução destas peças do vestuário assistindo a algumas cenas de personagens sedutoras e marcantes. No ano de 1933, Jeane Harlow surgiu glamourosa usando uma camisola decotada em Jantar às Oito. Em Casamento à Italiana, de 1964, foi a vez da diva Sofia Loren arrancar suspiros do público trajando uma peça transparente que revelava o seu corpo escultural. Em 1967, em A Primeira Noite de um Homem, a atriz Anne Bancroft seduziu Dustin Hoffman com a sua lingerie provocante, assim como fez a atriz Catherine Deneuve em A Bela da Tarde (foto abaixo), no ano seguinte.

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Mais recentemente, Nicole Kidman demonstrou uma sensualidade extrema vestindo apenas um conjuntinho branco de puro algodão em De Olhos Bem Fechados, enquanto Natalie Portman, no papel de uma stripper, em Closer, protagonizou, no filme de 2004, algumas das cenas mais quentes de sua carreira, com um figurino íntimo bastante ousado e sofisticado, repleto de cores, franjas e brilhos.

Ao longo dos anos, a lingerie passou por inúmeras transformações sociais e tecnológicas e, aos poucos, ganhou novos cortes até chegar aos modelos encontrados no mercado atual. Renata Noronha, coordenadora do Curso de Tecnologia em Design de Moda da Faculdade SENAC/Porto Alegre, explica que ao falarmos dessa lingerie que conhecemos hoje, composta de duas peças básicas (calcinha e sutiã), estamos fazendo referência a um período que se inicia no século 20.

— Na Antiguidade, homens e mulheres usavam apenas uma espécie de túnica branca feita em tecido rústico ou nobre. Naquela época, ter uma camisa alvejada em contato direto com o corpo era sinal de que a pessoa tinha alguém que se ocupava dessa tarefa — explica.

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Entre as grifes existentes, a americana Victoria’s Secret virou referência mundial no setor. Fundada em 1977 por Roy Raymond, com sede em Ohio, Estados Unidos, ela surgiu quando seu fundador saiu para comprar peças de lingerie para sua esposa em uma loja de departamentos e ficou envergonhado por estar em um local tipicamente feminino. A empresa ganhou notoriedade e fama mundiais ao usar a imagem dos corpos perfeitos das mais famosas modelos da atualidade em suas campanhas, entre elas a brasileira Gisele Bündchen.

Para Renata, a marca Victoria’s Secret virou referência não só pelos produtos que vende, mas também pelo marketing impecável.

— Eles contam com um desfile-show anual das perfeitas Angels (top models com corpos esculturais), que servem de inspiração e de desejo. Além disso, do ponto de vista prático, o produto possui uma modelagem que é realmente muito boa, especialmente quando falamos do sutiã. Não há dúvidas que o produto é um dos melhores do mercado. As nossas indústrias ainda não chegaram a esse nível — acredita.

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As peças íntimas, nos últimos anos, passaram de coadjuvantes a protagonistas, recebendo grandes investimentos financeiros a fim de atender a um público exigente que busca conforto além da beleza, sem abrir mão da feminilidade. Com esse propósito – e lançando mão dos avanços tecnológicos no que diz respeito às novas fibras e modelagens -, a indústria têxtil tem se dedicado a oferecer às consumidoras cada vez mais em termos de design. Por isso, algumas marcas já consagradas do setor convidaram estilistas de destaque para desenvolver, em parceria, linhas assinadas de lingerie.

Esse foi o caso da Hope, que contou com a criatividade da estilista Juliana Jabour; da Riachuelo, que teve uma de suas coleções assinadas por Thais Gusmão (foto abaixo); e da Loungerie, que convidou o estilista Amir Slama.

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Recentemente, foi a vez da estilista mineira Patricia Bonaldi desenvolver uma coleção de lingerie e homewear para a Valisère. As peças assinadas por ela fizeram um estrondoso sucesso de vendas. O resultado do debut com as peças íntimas foi apenas o reflexo do trabalho com o público feminino. Conhecida por seus vestidos sofisticados, com pedrarias e caimento impecável, Patrícia levou esse mesmo conceito para as peças íntimas e acertou em cheio no gosto das consumidoras.

Já a empresária gaúcha Janaina Crescente se uniu à marca Marcyn para desenvolver uma lingerie sob medida.

— Muitas mulheres usam principalmente o sutiã de tamanho errado — alerta. — Por isso, desenvolvi um método próprio para fazer uma peça bonita, mas no tamanho certo para cada tipo de mulher.

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Para Renata Noronha existe uma especificidade muito grande para fazer uma linha de lingerie, do ponto de vista técnico. Necessita-se de máquinas, de matéria-prima e de aviamentos bem específicos. Por isso, ela entende a questão das parcerias das grandes marcas com os grandes estilistas.

— Os modelos das peças e as cores seguem as tendências da moda. Tempos atrás, por exemplo, quando houve aquele boom do silicone, o sutiã era uma das peças mais importantes para as mulheres — observa. — As empresas criaram os modelos com enchimentos de água e óleo. Agora é a vez do corpo esculpido. As mulheres estão malhando muito para ficar com aquela barriga tanquinho.

Nesse caso, a blusa fica mais curta e o sutiã aparece de alguma forma. Se o cós da calça baixa, o modelo da calcinha também muda. Com a valorização do corpo, os estilistas que estão em destaque acabam se unindo a essas grandes marcas e criando modelos que explorem o que está sendo usado. O sucesso é garantido. Afinal, usar uma lingerie fashion também é estar na moda.

 

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