Quanto vale Carine Roitfeld, editora de moda das mais badaladas da Europa

Ela aproveita o status de ícone fashion depois de deixar o comando da Vogue francesa

Foto: Robert Wright

Ao chegar a um desfile no último mês de julho, Carine Roitfeld, a editora de moda mais famosa e menos empregada da França, foi solicitada a dar um autógrafo. Roitfeld assinou uma foto antiga e perguntou ao jovem que lhe entregara a imagem o que ele planejava fazer com ela. Ele disse que a venderia no eBay. Roitfeld pensou por um breve instante, depois se voltou para o rapaz com um esboço de sorriso e disse:

? É bom saber o quanto estamos valendo.

Ao assistir a essa cena, que aparece em um curta produzido por Loic Prigent para a revista W, dá para perceber que Roitfeld já tem alguma ideia disso. Apesar de ter aberto mão do poderoso cargo de editora da Vogue francesa em dezembro e ter sido substituída por Emmanuelle Alt, uma colega que já considerou sua aliada, Roitfeld teve diversas chances em 2011 de medir o seu valor ? ou, na realidade, de ostentá-lo.

Ela foi homenageada pela Barneys New York com apresentações em vitrines e um catálogo que projetou e para o qual escolheu todos os modelos ? a saber: ela e seus filhos. Também colaborou com pelo menos quatro revistas de moda, incluindo a V e a W, e criou as roupas de anúncios da Chanel e da Givenchy, enquanto prometia começar sua própria revista.

E ainda organizou duas das festas mais impressionantes da história, que contaram com praticamente todo o alto clero da moda, com Valentino cantando karaokê em uma boate ironicamente decadente de Nova York, em setembro, e Alexander Wang e Riccardo Tisci vestidos de vampiros em Paris, em outubro.

Poucas vezes na história o valor de mercado de uma figura da moda mostrou tanta resistência, depois de levar um abalo forte, desde que Lady Duff-Gordon sobreviveu ao naufrágio do Titanic. Seria possível dizer que Roitfeld, de 57 anos, que deixou um rastro de desentendimentos para trás na Vogue francesa, aproveitou cada oportunidade para demonstrar o valor pós-Vogue de sua marca.

No outono do hemisfério norte, ela foi a sensação da Fashion Week de Paris, onde, apesar de não estar ligada a nenhuma revista, estava sempre sentada nas primeiras fileiras. Em sua festa, um “Bal des Vampires” organizado na última noite das coleções em um bar de caviar subterrâneo coberto de veludo vermelho, Anna Dello Russo se agigantava sobre a multidão com um cocar que parecia um cisne demente, enquanto Olivier Theyskens aterrorizava todas as modelos com suas presas realistas e lentes de contato cor de âmbar.

Entre o champanhe e os cigarros, um dos boatos que circulava pela festa era que Roitfeld havia pedido aos estilistas para sentar diretamente em frente de Alt, sua sucessora na Vogue francesa e antiga amiga. Do mesmo modo que com os convidados de sua festa de vampiros (Alber Elbaz, Karl Lagerfeld, Kanye West, Uma Thurman e todos os outros), Roitfeld parecia estar afirmando claramente que seu estrelato considerável não tinha nada a ver com seu empregador, e não havia sido nem um pouco abalado.

Durante um entrevista recente em Nova York, Roitfeld negou que tenha ocorrido qualquer tentativa de manipular quem ficou sentado onde. Ela afirmou ter se sentado mais perto de editores de publicações dos Estados Unidos, ou no mesmo lado da passarela que Alt. Mas ela admite que a rivalidade Roitfeld-Alt dá uma boa história, já que combina com todas as coisas maquiavélicas que ouvimos falar sobre a competitividade de editores da Vogue e da Condé Nast.

Sentada em um sofá no saguão frio do hotel Mark, usando uma camisa preta apertada, saltos enormes e uma jaqueta de aviador de pele que havia sido usada no último desfile da Givenchy (que ela criou, aliás), ela disse que seu único arrependimento era perder a amizade com Alt, que durou os 10 anos nos quais editou a revista:

? Talvez não devesse ter sido uma amizade. Colocando as coisas em perspectiva, talvez eu tenha perdido algumas pessoas que pensei serem minhas amigas, mas também fiz novos amigos. Estou muito feliz porque, no final, sou a vencedora.

Esse sotaque francês é complicado. Você disse…?

? Eu sou a vencedora ? repetiu. ? No final das contas.

A Vogue francesa tem se saído bem sob a direção de Alt, que não quis fazer comentários para este artigo. Depois da estranha partida de Roitfeld da revista, que ela afirma ter sido realizada em mútuo acordo com a Condé Nast, a editora foi para Nova York, onde vivem seus filhos, Julia e Vladimir Restoin Roitfeld. Concordou em não ir a nenhum desfile naquela primeira temporada, mas compareceu à inauguração da galeria de seu filho e visitou estilistas como Wang.

Depois de um encontro com Dennis Freedman, diretor criativo da Barneys, ela foi contratada como editora convidada do catálogo e da campanha publicitária da loja, o que coincidiu intencionalmente com um livro de retrospectiva de seu trabalho, publicado pela Rizzoli: Irreverent (Irreverente).

? Ela é destemida. Sabe que as mulheres de uma certa idade podem ser sexy e não precisam de plástica para ficar bonitas ? disse Freedman.

Tendo sido modelo da estética excessivamente sexualizada de Tom Ford para a Gucci (o termo “pornô chique” já foi utilizado para descrever o estilo de Roitfeld) e instigadora de tendências (saltos de dominatrix, saias lápis, delineador borrado), ela voltou a atuar com estilistas. Além das campanhas publicitárias de Lagerfeld, ela tem trabalhado com ele em um livro de fotos de 120 pessoas, entre elas Charlotte Casiraghi e Linda Evangelista, usando a mesma jaqueta Chanel preta. Roitfeld também criou um editorial inspirado em Elizabeth Taylor para a V e foi retratada em uma matéria da W.

Embora seu visual já tenha sido amplamente copiado desde que deixou a Vogue, Roitfeld fez algumas mudanças, entre elas voltando ao seu estilo de cabelo castanho e selvagem. Quando pintou os fios de um tom mais claro e dourado, há cinco anos, foi porque Tom Ford havia lhe dito que, à medida que uma pessoa fica mais velha, precisa ficar mais loira.

Muitos de seus antigos colegas estão se perguntando por que Roitfeld, depois de afirmar gostar de sua liberdade, iria querer começar a sua própria revista, senão por rancor. Ela ainda não revelou qual editora a lançará, mas afirmou ter contratado uma de suas “novas amigas”, a influente estilista Marie-Amelie Sauve. Há também a questão de qual nome dar à revista. Roitfeld? Ela ainda não quer revelar.

? É engraçado, mas meu nome realmente já virou quase uma marca. Talvez eu siga o exemplo de Tom Ford. Não terei tanto sucesso quanto ele, mas quero me divertir tanto quanto ele.

De qualquer maneira, será bom ter uma noção melhor do quanto ela está valendo. Uma foto autografada de Roitfeld, de acordo com um exemplo recente da eBay, custa US$ 75.

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