Skate invade universo feminino, influenciando moda e comportamento

Além da facilidade de acesso, é um esporte que se destaca por não ter limites de idade e gênero

Para Luisa Mund, as meninas que andam de skate não são mais as sem vaidade
Para Luisa Mund, as meninas que andam de skate não são mais as sem vaidade Foto: Jessé Giotti

Os escritores que desculpem a licença poética, mas skate rima com liberdade. Liberdade de se locomover, de ser radical, de ser feminina, de se deixar levar sem compromisso por essas rodinhas. O esporte já foi associado a movimentos de rebeldia e vandalismo, mas atualmente desponta como uma tendência para as pessoas que querem curtir uma vida de pequenos prazeres. Nomes como o de Leticia Bufoni e Karen Jonz, brasileiras skatistas que arrasam nas competições pelo mundo, não soam mais tão estranhos aos nossos ouvidos. Elas não só conquistaram espaço pela técnica, como mostram que bermudão rasgado já não faz parte do guarda-roupa da skatista moderna.

A moda está tão bombada que a Perestroika, escola antenada no que há de mais moderno com sede em Porto Alegre e filiais no Rio de Janeiro e São Paulo, resolveu investir no curso Skate para Mulheres. Com o intuito de ajudar mais e mais meninas romperem com uma aura de preconceito que ronda o esporte, a instituição promove aulas focadas exclusivamente nelas no S.W.A.G – trocadilho usado para Skate With A Girl e que também é uma gíria que significa algo como cool, em inglês.

? A ideia de fazer o curso veio de duas sacadas. A primeira é a de que a gente sempre pensa em skate como manobra, não como meio de transporte. E o segundo viés foi de promover um ambiente propício para as meninas aprenderem o esporte, que mostre outras maneiras de andar, e não apenas a radical ? explica Mariana Gutheil, coordenadora do espaço.

O skate está mais acessível em todas as suas modalidades para gente que não tinha condições de importar peças e ter acesso a pistas ou locais apropriados para andar.

? O esporte como um todo está crescendo. Ele está mais democrático e mais social, rolando em parques, ruas e praças. Estamos vivendo uma das melhores fases do skate feminino, tanto técnico quanto de competição ? diz Ricardo Chaves, marketing da Globe, multinacional de produtos de skate, surfe e snowboard.

Além da facilidade de acesso, é um esporte que se destaca por não ter limites de idade, gênero, altura e peso.

? O principal fator que influencia no desenvolvimento é psicológico, e não físico. A gente consegue trabalhar com pessoas que tenham menos explosão ou mais idade, porque é a trava psicológica que impede a pessoa de evoluir no skate ? incentiva Ricardo Leonardo, formado em Educação Física e professor da Arca Skateboard, que dá aulas na Grande Florianópolis.

Apesar de ser um esporte individual, o skate promove também a troca de experiências e informações – o que torna ele bastante receptivo a novos praticantes.

? Eu lembro que quando comecei a andar, há uns dois anos, era muito raro ver alguma menina andar de skate. Eu passava e percebia as pessoas surpresas na rua. Isso a gente via muito na Califórnia e aqui o pessoal não tinha muito esta cultura. Mas eu vejo que isto está mudando, as pessoas estão curtindo este estilo de vida ? compara Isabela Teixeira, arquiteta de Floripa e dona da marca UseArte.

Radical e cheia de estilo, a dupla Antonia Wallig, 28 anos, e Tielle Haas, de 32 anos (foto ao lado) também engrossa a tribo das modernas sobre rodinhas.

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