SPFW, dia 2: a sustentabilidade da Osklen, o street de luxo da Torinno e a índia de João Pimenta

Fotos: Marcio Madeira (Osklen) e Agência Fotosite, Divulgação (as demais)
Fotos: Marcio Madeira (Osklen) e Agência Fotosite, Divulgação (as demais)

Foi dada a largada para a principal semana de moda do país! Desde domingo, 21, a São Paulo Fashion Week segue com seu calendário de desfiles em casa nova: em nova fase, o evento agora acontece no espaço Arca, na Vila Leopoldina, e não mais no Parque Ibirapuera.

No line-up da #SPFWn46, estilistas consagrados como Ronaldo Fraga, João Pimenta, Gloria Coelho e Reinaldo Lourenço dividem espaço com marcas estreantes como a Torinno, além de novatas como a Korshe 01 e a Mipinta.

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Donna, claro, está na capital paulista e mostra os principais highlights do que rola por aqui. Acompanhe nossa cobertura nas redes sociais pela #DonnaNaSPFW e os vídeos com os melhores momentos da passarela no IGTV do nosso InstagramNo resumão a seguir, a gente te conta o melhor de cada desfile do dia.

Osklen e a defesa dos oceanos

Em mais um capítulo do movimento-manifesto ASAP (As Sustainable As Possible, As Soon As Possible), a Osklen propõe uma reflexão pela defesa e preservação dos mares e oceanos. Conhecida pelo engajamento com a questão da sustentabilidade há mais de duas décadas, a grife de Oskar Metsavaht traduz a pureza natural das águas em uma coleção dominada pelos azuis, claro, mas também por tonalidades que remetem ao universo náutico. Vermelho e preto aparecem em pinceladas, mas há boas surpresas como o mostarda, uma das cores que surgem como aposta para o verão. Na passarela, referências que remetem ao universo das águas como o personagem do pescador e do mergulhador.

A temática náutica também ganha vez e vai além da tríade azul – vermelho – branco: surge também nas listras mais espaçadas, que devem se manter nesta temporada. A modelagem é fluida, com direito a agasalhos esportivos usados com saias longas e drapeadas. Os vestidos ficam ainda mais esvoaçantes com os babados na barra – um dos mais bonitos remete ao azul cristalino que a grife almeja para as águas. Vale prestar atenção nos acessórios: as bolsas de trama em macramê (em alusão à rede do pescador) ou em palha piaçava já estão entre as peças-desejo da temporada, e são resultado da parceria de Oskar com os projetos Bordando o Futuro e Artesol, respectivamente.

 

Patricia Viera e o Peru revisitado

Nem só de estreias se faz o line-up desta SPFW. Patricia Viera retorna à passarela com uma coleção que tem sabor de déjà vu, com shapes que remetem a roupas vistas outrora em coleções da própria marca. Para compor seu inverno 2019, a estilista viajou ao Peru, de onde desembarcam as estampas e as cores vibrantes, inspiradas nas belas paisagens locais. Dourado e prata surgem como aposta para modernizar jaquetas, bodies, saias e vestidos em detalhes e recortes. Tudo, claro, em couro, especialidade da etiqueta.

– Como trabalho sempre com o mesmo material, em toda coleção meu desafio é descobrir um caminho de enxergar essa matéria-prima de várias maneiras -, conta a estilista, em entrevista no backstage. – O mais difícil para fazer são os básicos, porque sou uma pessoa composta! Tenho o olhar mais trabalhado -, entrega.

Nesta temporada, Patricia buscou parceria com nomes como a designer Natália Rios, mestre em bordados feitos à mão – é ela a responsável por uma jaqueta que levou mais de 332 horas para ser confeccionada. Quem também colaborou foi o estilista Alexandre Matos, que desembarca no Brasil após mais de uma década de trabalho na alta-costura italiana.

– Estamos em um momento de juntar profissionais. Deixar os jovens virem -, convida Patricia.

 

Torinno e o street de luxo

Primeira estreia do line-up desta edição, a marca masculina Torinno chegou agradando também a ala feminina. Com o top catarinense Marlon Teixeira abrindo a passarela – recém desembarcado da Austrália, vale contar -, o desfile-début do estilista Luís Fiod já é uma das boas surpresas desta temporada com uma coleção que tira o tempero óbvio da moda para eles com cores, shapes e matérias-primas que fogem ao comum para este público. E reserva bons motivos para assaltar o closet do namorado.

Stylist há mais de duas décadas, Fiod inaugurou sua etiqueta no ano passado e propõe um streetwear com toque de luxo. Explico: tem parkas de nylon com pegada esportiva, mas também há tricôs na melhor vibe easy chic. Chamois, couro e alfaiataria também estão entre as apostas da Torinno. Três pilares inspiram a temporada da marca: florestas, exército e pisos de demolição, referências que surgem tanto na estamparia quanto nas modelagens e, claro, na paleta. Para fechar o desfile, a atriz Deborah Secco surgiu com seu novo visual, um cabelo estilo joãozinho – e custou a ser reconhecida por alguns desavisados na plateia. Um début dos bons!

 

Modem e a moda arquitetônica

Uma das boas surpresas da última SPFW, a Modem retorna à semana de moda com mudanças na área criativa. Agora em versão solo – antes, dividia as ideias com Samuel Santos -, Andre Boffano soube conduzir e refletir mais identidade ao DNA da etiqueta, que propõe um flerte com a arquitetura e as artes plásticas. Aliás, é um arquiteto (e designer!) o parceiro de Andre nesta temporada: Rodrigo Otahke assina a cenografia do desfile, e a mesma tapeçaria aparece em estampas certeiras da Modem.

Na coleção, a alfaiataria bem pensada da marca perde o que restava de sisudez ao incorporar elementos como chaveirinhos de franjas que dão movimento e um toque moderninho. Os shapes aparecem mais alongados em saias, vestidos e casacos com recortes inusitados e efeitos 3D. A brincadeira com as camadas e a assimetria é uma das boas surpresas da marca, que acertou também na cartela de cores, dominada pelos terrosos, além do lilás, azul e verde. Pela segunda vez no dia, os metalizados – sobretudo o prateado! – apareceram por aqui.

 

João Pimenta e a índia de algodão

Se João Pimenta já coleciona acertos em sua etiqueta masculina, com a ainda novata linha para elas não é diferente. Em sua segunda coleção dedicada às mulheres, um mergulho nas raízes e nas riquezas do Brasil: o estilista apresentou uma coleção inteiramente feita de (e inspirada no) algodão, matéria-prima que é uma das mais abundantes em terras tupiniquins. A brasilidade apareceu também no casting, quase que inteiramente composto de modelos negras e mestiças. João também mergulhou na cultura índigena, que aparece refletida tanto na estamparia com referências étnicas quanto no visual “índia urbana” que propõe – com direito a tênis Reebok nos pés. Boa (e necessária) surpresa em tempos em que se debate – e cobra – como nunca por representatividade e respeito às minorias. Porque moda também deve(ria) ter um viés político.

Mais uma vez, João Pimenta mostrou sua expertise em uma alfaiataria que sabe fugir do comum. Camisaria com babados desabados, macacão oversized e terno reconstruído reforçam o DNA do estilista, enquanto os vestidos listrados se revelam peças dignas de festa. A paleta de cores surpreende com a mistura do rosa com o amarelo, o azul com o marrom, e mais. Prova de que silhuetas ajustadas e comprimentos míni não precisam e nem devem ser regra no nosso armário, ainda mais em 2018.

O que vem por aí

Terça, dia 23

13h – Reinaldo Lourenço
14h30min – Aluf (Projeto Estufa)
14h45min – Lucas Leão (Projeto Estufa)
16h – PatBo
17h30min – Top 5
19h – Amir Slama
20h30min – Ronaldo Fraga

Quarta, dia 24

12h30min – Gloria Coelho
14h30min – Helena Pontes (Projeto Estufa)
14h45min – Ão (Projeto Estufa)
15h – Korshi 01 (Projeto Estufa)
16h30min – Beira
18h – Lino Villaventura
20h – Bobstore

Quinta, dia 25

14h30min – Victor Hugo Mattos (Projeto Estufa)
14h45min – Mipinta (Projeto Estufa)
16h30min – Two Denim
18h – Cotton Project
19h – Apartamento 03
20h – Handred

Sexta, dia 26

15h30min – Cacete Company
16h30min – João Pimenta (masculino)
18h – Piet
19h – Ratier
20h30min – Água de Coco

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