SPFW, dia 6: Encerramento da temporada tem rock, viagem ao deserto e até cachorro na passarela

Seis dias depois, mais uma temporada de São Paulo Fashion Week chega ao fim. Mesmo sem Gisele Bündchen na passarela, a semana de moda dá destaque a outras tops, como a new face da vez Ari Westphal e  Thairine Garcia, que vem sendo comparada com a über model. Se chegarão lá? Mais algumas edições da SPFW dirão.

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Voltando aos desfiles, preparamos um resumão de tudo o que rolou na Bienal nesta sexta-feira. Vem ver:

Giuliana Romanno e as piratas modernas

No último desfile fora dos portões da Bienal nesta temporada, Giuliana Romanno levou seus convidados até a Galeria Rabieh, instalada nos Jardins. Em pequenos grupos, o público adentrava o local e já deparava com todas as modelos posicionadas em fila do outro lado de um janelão de vidro. Assim que a música anunciou o início do desfile, o que se pode ver em detalhes foi a evolução da alfaiataria minuciosa de Giuliana, dessa vez inspirada no espírito aventureiro dos antigos piratas e corsários.

O DNA da GM segue intacto, conferindo a elegância da grife aos elementos masculinos trazidos para o closet delas. Pantalonas, camisas de mangas compridíssimas e coletes alongados são algumas das peças-chave do inverno da grife, que tem cartela de cores focada no branco, preto, marinho e vinho. Blazeres ganham abertura nas laterais das mangas, o que faz lembrar as capas que viraram peça sinônimo de bem-vestir há algumas temporadas. O lurex dá brilho, enquanto fendas generosas e recortes vazados em saias de comprimento mídi conferem sensualidade discreta. Como bem diz o material de divulgação de Giuliana, a coleção é repleta de peças-chave para jogar na mala e se aventurar por aí.

 

O que rolou na Bienal
:: SPFW começa com convidados chegando de metrô ao desfile de Herchcovitch
:: 2º dia: o romantismo de Ronaldo Fraga e a land art da Animale
:: SPFW, dia 3: o viking feminino de Patricia Bonaldi e o não-gênero de João Pimenta

:: No 4º dia, a moda festa impecável de Samuel Cirnansck e as rendas bordadas de Reinaldo Lourenço
:: Dia 5: Com Fernanda Lima na passarela, coleções vão das Olimpíadas aos anos 1980

Patricia Viera e o Atacama

É do deserto do Atacama, no Chile, que veio a inspiração para Patricia Viera dar vida ao seu inverno 2016. Enquanto a areia da região foi traduzida nos tons terrosos de jaquetas e calças, o céu azul e iluminado virou estrelas, pintadas à mão pela ilustradora Clara Veiga.

Democrática e para todas as idades, a coleção traz como matéria-prima o couro, especialidade de Patricia – mas ainda há espaço para o chamois e a lã. Entre calças flare e alfaiataria, trench coats e vestidos do míni aos tornozelos, vale ressaltar o primoroso trabalho manual da estilista, que evidencia na imitação de couro de cobra feita com pedaços do material cortados um a um.

Quando a última modelo cruzou a passarela de sal grosso montada no Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, um vídeo com parceiros e a filha relembrando a trajetória de Patricia, que hoje também leciona no curso de Design de Moda da universidade. Foi quando a estilista entrou na sala de desfiles vestida de beca, para receber o título de Professora Honoris Causa em uma bela cerimônia, que contou com a presença da jornalista e amiga Marília Gabriela e de Paulo Borges, fundador e diretor criativo da SPFW.

 

Wagner Kallieno e o glam rock

Quase 45 anos depois que o álbum Ziggy Stardust popularizou o glam rock inglês e fez com que o estilo reverberasse pelo mundo, David Bowie não para de inspirar. E foi justamente a fase rockstar alienígena do cantor que serviu de ponto de partida para a terceira coleção que o estilista Wagner Kallieno apresenta na SPFW.

Lã, camurça e, principalmente, muito couro e vinil aparecem em peças como vestidos curtinhos metalizados (olho no dourado e no prata neste inverno, hein!) e saias-lápis. A alfaiataria desconstruída já apresentada pelo designer potiguar nas temporadas anteriores aparece renovada, com o toque de glam rock na lapela do terninho e nos casacos alongados. Na estamparia, desenhos de bocas, oncinha e sobreposições de imagens, assinadas pelo artista plástico Allyson Paulinelly.

 

 Ratier e os guerreiros

Em sua estreia no line-up da SPFW, a Ratier quis transformar a mulher da marca em uma guerreira moderna. Com looks quase que em sua totalidade em preto, a silhueta é solta e, por vezes, dá foco na cintura com faixas.

Matéria-prima básica do inverno de Renato Ratier, o couro é trabalhado em vestidos longos, ajustado ao corpo em calças e assimétrico em saias no joelho. Para aquecer, lãs e tricôs funcionam como complemento para looks monocolor. Quer mais? Para encerrar o desfile, um dos modelos adentrou a passarela com um cachorro branco pela coleira – combinando, aliás, com o conjunto de calça e casaco em off-white que usava.

 

Colcci e o setentinha chic

Se depender da Colcci, os anos 1970 não saem da moda tão cedo. Por mais uma temporada, a grife catarinense aposta na década para inspirar seu inverno.

Sem Gisele Bündchen para abrir o catwalk – a über model se aposentou das passarelas na última edição da SPFW -, quem faz as honras da casa é Thairine Garcia, top de 17 anos que vem sendo comparada com a gaúcha. De largada, o que se vê é a versatilidade do denim da marca, que vira casaco com ares de alfaiataria, saia, vestido… A label aposta em calças com comprimento pouco acima do tornozelo, pensada para usar com botinhas – e vale para elas e para eles, viu? Na estamparia, destaque para os florais com perfume 70’s, que funcionam bem na missão de dar vida aos casacões.

 

Amapô e o gótico suave

Depois de dar play no pancadão e colocar todo mundo para dançar funk na edição passada da SPFW, Carolina Gold e Pitty Taliani voltaram aos olhos para os góticos dessa vez. “Macabra, sangrenta e romântikah (sic)”, como definem as próprias no release de divulgação, a coleção é tomada por cores fortes como o preto, o branco e o vermelho.

O toque de fetiche fica por conta das amarrações e transparências, enquanto o couro dá peso a jaquetas e vestidos justíssimos de manga longa. E só dá ele: o veludo aparece colorido em calças coladinhas de cintura alta, tanto para eles quanto para elas. Na plateia para lá de variada, nomes como a cantora Negra Li e os estilistas Dudu Bertholini e Juliana Jabour, que, aliás, aplaudiam a cada entrada de um amigo da grife que fazia as vezes de modelo. Ao final, público de pé para a Amapô receber palmas – e também para comemorar o fim de mais uma semana de moda tupiniquim.

 

* A repórter viajou a convite da organização da SPFW
** Fotos: Agência Fotosite

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