SPFW, dia 4: a Cuba de Patricia Viera, a assimetria de Gloria Coelho e a cangaceira rocker de Helo Rocha

Fotos: Agência Fotosite
Fotos: Agência Fotosite

O penúltimo dia de desfiles da São Paulo Fashion Week deu destaque ao beachwear e à moda para eles. Mas o line-up ainda reservava as belas apresentações de Gloria Coelho e Patricia Viera, que abriram o dia, e o belo desfile de Helo Rocha, que encerrou a maratona desta quinta-feira com seu cangaço fashion.

#DonnaNaSPFW
:: Dia 1: a magia da Apartamento 03, o esporte chic da Uma e os refugiados por Ronaldo Fraga

:: Dia 2: a ilha deserta da Osklen, a brasilidade de PatBo e o compre agora de Karl para Riachuelo
:: Dia 3: a viagem de Alice no tempo para Isabela Capeto e a reestreia de Herchcovitch para À La Garçonne
:: Direto da Bienal, o estilo de quem circula pelos corredores
:: Saiba tudo sobre a edição SPFWn41

Quer saber como foi? Preparamos um resumão com os melhores momentos (e fotos!) do dia. Você também pode acompanhar nossa cobertura direto da Bienal, no Parque do Ibirapuera, pelo nosso Snapchat revistadonna, no Insta @revistadonna e pela página no Facebook. Todos os detalhes da passarela e do backstage você encontra na #DonnaNaSPFW.

SnapSave: um boletim com o melhor do quarto dia de desfiles

O sangue cubano de Patricia Viera

Patricia Viera estava de viagem marcada para a África – e, possivelmente, também para dentro de sua nova coleção – quando quebrou o pé e teve que desmarcar. O que seria uma acidente desagradável acabou rendendo à estilista um mergulho em seu próprio ateliê, onde redescobriu retalhos antigos que guardava e teve o estalo: seria a exuberante Cuba o destino fashion de seu verão 2017.

A latina efervescente e sem medo de ser sensual de Patricia ganhou vida na pele de duas modelos, que circulavam entre convidados e as peças expostas na casa de Maria Alice Somilene, que sediou a apresentação da estilista dessa vez – quebrando a tradição de desfilar na Faculdade de Belas Artes, que seria o local escolhido por Gloria Coelho na sequência. Nos cabides, peças como o vestido de alcinha em couro todo cortado a laser, em uma bela reprodução de rendas francesas. Saias rodadas em comprimento mídi e longo ganham estampas que remetem a flores e folhagens, enquanto jaquetas em modelo perfecto tem detalhes assinados pela artista plástica Klaucia Badaró.

 

Os lados nunca iguais de Gloria Coelho

Assimetria, desproporção. Desconstrução. É assim que a própria Gloria Coelho descreve no release a coleção que entraria na passarela logo após o rápido papo com jornalistas antes do show começar. Do auditório da Faculdade de Belas Artes, o que se viu no palco (sim!) foi a nova menina de Gloria: uma jet setter riquinha que, claro, se rende à moda, mas preserva toques de rebeldia. Ela passa férias no Mediterrâneo, mas usa tênis com alfaiaria e flerta com o punk. Como Gloria, não tem medo de parecer contraditória – até porque, no fundo, quem não é?

O Jardim no Mar Assimétrico é uma imersão em lados desiguais, mas que nem por isso perdem no quesito harmonia. A arquitetura, sempre presente nas referências da estilista, se reflete nas faixas que mudam a cara de saias e vestidos. Também está lá o couro, um dos materiais que é presença certa nas coleções. Na cartela de cores, o off white, marinho, vermelho e cinza.

 

A Amazônia da Água de Coco

Para abrir o dia com mais beachwear desta edição – na quinta, cruzariam a passarela ainda a Salinas e Amir Slama -, Liana Thomaz nos levou direto para a Amazônia. De uma oca de palha montada na sala de desfiles, modelos como a top Carol Ribeiro saem para revelar a releitura da nossa floresta tropical: colorida, exuberante.

Referências ricas como a fauna e a flora já região viram estampa para o maiô com babadão que atravessa a peça e o short de cintura alta com pegada de alfaiataria. Mas a moda praia de Liana transcende a areia, com longos de alcinha e a dupla top + calça, que ganham a presença de uma arara bordada (atenção à textura!). O decote profundo para maiôs, que já foi visto algumas vezes nesta temporada (alerta tendência!) surge novamente com Isabeli Fontana. Para quem quer um pouco menos de ousadia à beira da piscina, hotpants multicolor.

 

João Pimenta

Bem antes do não-gênero virar termo quase que recorrente na moda brasileira, o mineiro João Pimenta já pensava em peças que desobrigassem qualquer rótulo – poderiam até ser modeladas para o corpo deles, o que não impossibilitava que elas vestissem também. E, bem, se depender da coleção apresentada nesta quinta-feira, é bem possível que a clientela feminina aumente. Não só pela silhueta mais marcada, ou as bermudas oversized que, em uma rápida olhada, parecem saia. É um dos raros casos em que o agender gera, de fato, desejo em homens e mulheres.

Para o verão 2017, João elegeu “ordem” como palavra-chave da vez – e isso se traduz em peças que lembram uniforme, a “Vestimenta universal”, independente do sexo. É o diálogo com a indumentária militar que logo se traduz nas jaquetas, que brincam com a mistura de listras ou se tornam ainda mais ricas com bordados. Efêmeras e atemporais, fazem todo o sentido com o olhar sustentável que o estilista vem assumindo.

 

A Miami tropical da Salinas

Toda a tropicalidade pop de Miami desembarcou na passarela da Salinas, a segunda grife de beachwear desta quinta na SPFW. No maior estilo tudo ao mesmo tempo agora – tal qual a cidade, que consegue misturar art deco e murais a céu aberto, o high tech e a natureza.

Inspirados no esporte, os modelos multicolor e com estampas que não se repetem tem ares de beach chic. Pense em maiôs de natação, tops que parecem ter saído da academia, jaquetinhas de nylon para quando bate o ventinho. Destaque para as estrelas exageradas, recortadas a laser.

 

O street luxuoso de Murilo Lomas

Para sua estreia em solo brasileiro – e também no line-up da São Paulo Fashion Week -, Murilo Lomas reuniu um time de tops capitaneado pelo catarinense Marlon Teixeira, além de Mateus Verdelho e Evandro Soldati. Formado em arquitetura, o estilista não poderia ter outra inspiração a não ser as linhas e formas com pegada contemporânea.

O homem que Murilo veste é despretensioso e relax, mas não dispensa uma certa dose de sofisticação. O resultado são peças descomplicadas, que vão do streetwear de luxo ao social, com um belo terno de linho branco. Pense em jaquetas de couro que fogem do óbvio, camisas em seda com estampas de lenços art deco. Olho também nos pés dos guapos, com alpargatas ora bordadas, ora com pingentes de couro.

 

O Carnaval retrô de Amir Slama

Oito anos depois, Amir Slama retorna à passarela da SPFW – desta vez, com sua grife homônima. Diretor criativo da Rosa Chá por 17 anos, marca que transformou em sinônimo de beachwear com ares de brasilidade, o estilista já reestreia com duas apresentações em sequência.

Primeiro foi a vez da coleção feminina, que resgatou a leveza e a descontração do Carnaval de rua das décadas de 1930 e 1940. Amir idealizou uma Brigitte Bardot carioca, que veste calcinha micro com franjas, e bustos que lembram tops, em cores vivas e estampas como os florais. Para eles, o universo fitness adentra a praia com sungas cavadas e regatas, em materiais como o neoprene, jersey com elastano, seda e sarja.

 

A cangaceira doce de Helo Rocha

O cangaço pode até já ter sido inspiração para (vários) estilistas em outras temporadas, mas talvez nenhuma com a mesma feminilidade e doçura na medida de Helo Rocha. Os tons terrosos, claro, estão lá, como nos tops em couro com detalhes ricamente recortados a laser, e na calça também em couro com mood esportivo. Mas, aqui, a pantone de tons pastel reina, com o rosa e azul (quartzo e serenity?) clarinhos.

A Maria Bonita de Helo é delicada e mistura como ninguém tachas e seda, que aparece cheia de movimento em calças soltinhas. De suspirar as jaquetas oversized em modelo bomber, que traz o marrom dos solos do sertão e o metalizado em aplicações. Minissaias aparecem, mas também vestidos que dão a impressão de que a cangaceira rocker vai flutuar na passarela. Repare nos pés: as sandálias com o bico afinado e franjas devem ficar nas listas de sapatos desejo da temporada. E o body chain, hein? Quando parecia que ele havia deixado de vez as produções mais cool, a versão com corrente bem fininha aparece para dar bossa às peças de alcinha.

 

O que vem por aí

Sexta-feira (29/04)
– Lino Villaventura – 11h
– Wagner Kallieno – 15h
– GIG Couture – 16h30min
– Ratier – 17h30min
– Cotton Project – 18h30min
– Ellus – 20h

Leia mais
Comente

Hot no Donna