SPFW, dia 3: a viagem de Alice no tempo para Isabela Capeto e a reestreia de Herchcovitch em À La Garçonne

Fotos: Agência Fotosite
Fotos: Agência Fotosite

O terceiro dia de desfiles da São Paulo Fashion Week começou com expectativa além do habitual. Às 18h (que, no fim das contas, acabou sendo mais de 19h30min), o estilista Alexandre Herchcovitch faria sua reestreia na semana de moda, após deixar a grife homônima que dirigia há 23 anos – agora, assume a direção criativa da À La Garçonne, label do marido, Fábio Souza. Mas o line-up ainda reservava boas surpresas como o promissor Vitorino Campos, a sempre doce Isabela Capeto e a sofisticada Lenny Niemeyer.

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#SnapSave: um boletim com o melhor do dia 3 da SPFW

O genderless de Vitorino Campos

É o impulso e, talvez, aquela dose de liberdade que não se sabe de onde vem, que encantou Vitorino Campos quando viu a obra “Salto no Vazio”, do fotógrafo francês Yves Klein. Mas, pelo menos no que toca ao verão 2017 do estilista baiano, o salto parece ter caído em destino certo: o genderless, que ganha toques 90’s e, novamente, futuristas.

Pelo menos nesta temporada, Vitorino deixou de lado sua moda essencialmente noite para voltar o olhar ao que se usa todo dia. E isso implica, claro, no básico denim, que apareceu em calças de modelagem ampla em tamanho único, ajustadas à cintura com alfinetão de segurança – e que poderiam tranquilamente vestir meninos ou meninas. Aliás, o que se viu na passarela foi a absorção da tendência internacional, que propõe mesclar as coleções masculina e feminina em um mesmo desfile. Além do jeans, que ainda é protagonista em jaquetas oversized em lavagem clarinha, destaque para as camisas descontruídas (que viraram tops!) e o vestido de gola alta com glitter holográfico. Os acessórios são outro ponto forte da coleção, com as charmosas bolsinhas estilo lancheira térmica batizadas de Pupila, um dos itens da parceria de Vitorino com a Melissa.

 

A autorreferência de Reinaldo Lourenço

Nada de viagem, artes plásticas ou algo que o valha: dessa vez, Reinaldo Lourenço foi buscar em sua própria trajetória a inspiração para seu verão 2017. “Olhei muito para o meu próprio trabalho e fiz uma evolução de coisas que já havia feito. O designer tem que ter uma técnica, a pessoa precisa olhar e saber que é Reinaldo. Não quero mudar a cada coleção. O mais importante hoje em dia é ter DNA”, resume o estilista no backstage, momentos antes da primeira modelo entrar em cena.

Quando as luzes da passarela se acenderam, o que se viu de cara foi quase que uma evolução do inverno de Reinaldo, com as listras da coleção passada se transformando em pregas. Marca registrada do estilista, as linhas retas são constante ao longo da coleção – e funcionam para quebrar qualquer possível monotonia das listras nos vestidos em comprimento mídi. Ainda sobre estampas, Reinaldo abriu espaço entre seus grafismos para o que chama de pop couture, com poás coloridos – mas, ainda assim, milimetricamente distribuídos.

 

Os relógios que nunca param de Isabela Capeto

Logo que a primeira modelo cruza a passarela, é quase impossível não comemorar com suspiros mil a volta de Isabela Capeto ao line-up da SPFW. Depois de pular a última edição, a estilista carioca mergulhou no universo de uma de suas personagens preferidas, a “Alice Através do Espelho”, que ganha versão nos cinemas em maio. É justamente a passagem do tempo que norteou Isa: afinal, porque o relógio importa tanto para nós? A discussão vai além, e bate inclusive no tempo que se leva para produzir uma coleção e o quanto uma peça, de fato, dura no closet – o tal embate fast x slow fashion, sabe?

É justamente essa atemporalidade que Isabela traz em vestidos ricos em detalhes, como as aplicações de flores de organza ou os bordados em tule. Para quem adora uma referência literal, os corações da Rainha de Copas estampas um belo conjunto de calça e casaqueto. E o que é a jaqueta com flores vazadas nas mangas, repleta de aplicações? Feminina, delicada e atemporal: daquelas peças para guardar para sempre no armário.

 

A mala de viagem cool da Iódice

O que você usaria para passar um mês de férias com a família Kennedy na Costa Amalfitana, nos idos dos anos 1960? Pois foi essa a questão que não saiu da cabeça de Valdemar Iódice depois que folheou Happy Times, livro que reúne recordações como esta de Lee Radziwill, a irmã mais nova de Jackie O.

A resposta? Deixe de lado tudo o que for justo. O que não seja leve, despretensioso, ou que dá a impressão de que você passou horas na frente do espelho – tudo o que a gente menos quer nos dias de descanso. Para isso, o estilista propõe formas soltas e fluidas, como os camisões e quimonos com estamparia assinada por Albino Papa. Até a alfaiataria ganha ares de “tô nem aí”, desconstruída, longe do corpo. A cartela de cores tem tudo a ver com qualquer cenário paradisíaco: off-white, areia e azul claro, com toques de dourado e uva.

 

As gueixas tropicais de Lenny Niemeyer

Sofisticado, cool, fresco: é assim o verão de Lenny Niemeyer, que ultrapassa os limites da areia e propõe novidades para além do beachwear. Inspirada na cultura milenar japonesa, a estilista faz sua releitura e dá ares tropicais às gueixas.

Peças fresh como o quimono, ideal para sair da piscina rumo ao happy hour, ganham estampas de tigres, garças, carpas e flores. Decotadíssimos, maiôs ganham acabamento em matelassê e também amarrações inspiradadas na arte shibari, com cordas. Ela de novo aqui: a pantacourt aparece com bastante força e promete ser um dos must have ainda no verão.

 

O vintage da novíssima À La Garçonne

Em um dos desfiles mais aguardados da temporada, Alexandre Herchcovitch retorna às passarelas à frente do comando criativo da À La Garçonne, a grife do marido e parceiro de business Fábio Souza. A expectativa vem desde que o estilista anunciou sua saída da grife Herchcovitch; Alexandre, com 23 anos de história. Mas, bem, parece que é mesmo de história que ele gosta: não é à toa que garimpou peças mundo afora e em seu próprio acervo, que ganharam uma pegada sustentável para a label.

Mesclando o streetwear, o vintage e o conceito de novo luxo com toques de alta-costura, a coleção não poderia ter mais a cara do momento que a moda vive. Jaquetas perfecto, por exemplo, foram pintadas à mão – assim como a mochila militar e a bolsa em couro. A atenção aos detalhes se reflete também na alfaiataria sempre impecável de Alexandre, que aparece ainda mais feminina em terninhos atuais (com pantacourt no lugar de calça!), que não deixam nada a dever para coleções gringas de couture. Entre as peças criadas do zero, atenção especial para o blusão que mistura o sporty do neoprene à delicadeza da renda e o certeiro macacão em couro. Caso de amor à parte com os vestidos em chiffon de seda: soltos, leves e que parecem ter quase movimento próprio na passarela.

 

A festa de Samuel Cirnansck

Samuel Cirnansck é daqueles que não tem medo de ser maximal – e essa característica sobressai ainda mais quando se fala de moda festa. Longe do over, e mais ainda do simples, o estilista faz vestidos para quem quer viver seu dia de princesa – seja ele em um casamento ou um festão daqueles. Quando sua inspiração são as igrejas barrocas, como a coleção apresentada nesta quarta-feira aqui na SPFW, não se espera nada menos do que suspiros.

Com um certo toque de fetichismo (uma modelo cruzou a passarela com as mãos atadas às costas), Samuel ainda se valeu de correntes e cadeados, usados tanto na cintura como nos acessórios. Ajustados à silhueta, os vestidos ganharam brocados e bordados mil, incluindo as tradicionais flores, sempre pedidas pelas clientes. As tradicionais noivas também estavam por lá, e vesti

 

O verão iluminado da Triya

Se depender da Triya, o verão 2017 será nada menos do que solar. Iluminado e fresh, o desfile que mostra as apostas de swimwear da grife para a temporada é guiado pela palavra francesa “feminité” – que não tem tradução literal em português, mas, para bom entendedor, é o suficiente para compreender que se trata de ressaltar a essência da feminilidade.

Sensual, a mulher da Triya não tem medo de ousar em recortes profundos e calcinhas de biquíni cavadíssimas, com direito até ao strappy no lugar da alça lateral. Enquanto nos biquínis o que sobressai é o tomara que caia, os maiôs têm opções com frente única e busto mais fechado, para aquela festa na piscina em clima mais chique. Para quem quiser mostrar menos, as hotpants não deixam a areia tão cedo (ainda bem!). A cartela de cores privilegia o amarelo e o azul, que remetem ao sol e ao céu estrelado – as cores, aliás, se repetem na estamparia com pegada étnica.

 

Ellus 2nd Floor

Direto da Gothan City de 1966, onde o homem morcego vivia as aventuras de Batman Classic TV Series, a Ellus desembarcou na SPFW para apresentar o seu verão. Mas nada de literal, ainda que estejam lá as estampas do Coringa e do próprio Batman, que também vira uma das bolsas que devem sumir das araras. A proposta, explica o estilista Thiago Marcon, é unir elementos do nosso dia a dia com os do seriado vintage.

Como não poderia deixar de ser, a cartela de cores é dominada pelo preto, mas há espaço para cinzas e tons escuros, com toques de amarelo e vermelho. A silhueta da vez é levemente estruturada, com casacos na altura dos joelhos, coletes máxi com patches e jaquetinhas. Na estamparia, além do homem morcego em uma versão quase emoji, grafites assinados pelo artista Tico Cannato.

O que vem por aí

Quinta-feira (28/04)
– Patricia Viera – 10h
– Gloria Coelho – 11h30min
– Água de Coco por Liana Thomaz – 15h30min
– João Pimenta – 17h
– Salinas – 18h
– Murilo Lomas – 19h
– Amir Slama – 20h
– Helo Rocha – 21h

Sexta-feira (29/04)
– Lino Villaventura – 11h
– Wagner Kallieno – 15h
– GIG Couture – 16h30min
– Ratier – 17h30min
– Cotton Project – 18h30min
– Ellus – 20h

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