Terno, um clássico sempre pronto a transgredir | Moda Na Real, por As Patrícias

Hoje ele é visto como básico no closet de qualquer mulher, principalmente se ela circular por ambientes que exijam certa elegância clássica, sem resquícios de sensualidade. Sim. Sem dúvida, o terno é o bom moço que faz bonito no ambiente profissional, mas nem sempre foi assim – e nem precisa ser. Com as combinações e os acessórios certos, o terno pode resgatar sua essência deliciosamente transgressora, que o fez marcar a história da moda como o espelho de um novo comportamento feminino, independente, audacioso, poderoso.

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Embora tenha nascido na França do século 18 como uma roupa informal masculina, o terno (paletó, calça e colete) só ganhou o mesmo tecido, virando um conjunto, em 1860, e foi durante a Revolução Industrial, principalmente na virada do século 19 para o 20 na Europa, que se tornou cotidiano.

Já para elas, o processo foi bem mais manso e pontuado por audácias. Nos anos 1920, a atriz alemã Marlene Dietrich adotou, de forma pioneira, calças combinadas a paletós, o que acabou como característica marcante do seu polêmico estilo. Mas não foi desta vez que terno feminino vingou.

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Anos mais tarde, na década de 1940, ele voltou à cena, desta vez pelas escolhas de outra atriz de muita personalidade, Katherine Hepburn. E novamente, mesmo em certa harmonia com a moda contida e rígida devido às restrições provocadas pela guerra, passou desapercebido do uso comum.

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Em 1966, período de grandes mudanças comportamentais, com os jovens passando a ditar tendências e a mulher conquistando cada vez mais espaço na sociedade intelectual e de consumo, o estilista francês Yves Saint Laurent lança uma coleção que tem o terno, mais precisamente o smoking, como essência, reflexo da uma nova atitude feminina. Como bem diz Suzy Menkes, editora internacional da Vogue: “hoje as mulheres andam normalmente de terno e calça comprida, mas, na época, a mulher era proibida de entrar em um restaurante ou em um hotel. O smoking foi uma provocação sexual, dirigido à mulher que queria ter um outro papel”. E foi a partir daqui que tudo começou a mudar.

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Os anos 1970, com seu espírito unissex e revolucionário, abraçaram esta provocação sexual, mas ainda de forma restrita a mulheres avant-garde, por assim dizer, que não temiam ser rechaçadas por qualquer escolha, seja ela uma roupa ou um emprego. Mas essas poucas viraram muitas, ganharam eco na década seguinte, os anos 1980, quando a mulher passou a brigar, ombreira a ombreia, por um lugar ao sol profissional – e o terno se tornou uniforme perfeito para essa batalha. Alguém aqui assistiu a Uma Secretária de Futuro?! Pois é exatamente essa imagem sofisticadamente masculina que busca a personagem título do filme, interpretada pela atriz Melanie Griffith, que, podemos dizer, sintetiza o estilo da mulher oitentista. Sim. O terno foi parceiro perfeito para a mulher se igualar ao homem visualmente, mostrando que não estava no jogo para seduzir, mas, sim, para competir.

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E nos 1990, o terno tornou-se um básico, um clássico, um atemporal, título que permanece seu. Hoje vestir um terno é algo normal, por vezes quase careta. Uma pena. O terno é um clássico, mas tem a transgressão no seu DNA, coisa que vale lembrar sempre. E pode ser usado de mil formas, inclusive subvertendo o visual tradicional, o que é o mais interessante. Aposte em modelos de cores vibrantes. Use com uma sandália avassaladora, um tênis confortável, um acessório espetacular. Deixe o paletó sozinho sob a pele. Invista em um corte alongado e justo. Combine com peças despojadas. Use um modelo de tecido com brilho ou com estampas extravagantes. Sim. Não pense que o terno é um bom velhinho que deixou as inquietudes de lado, afinal, uma vez revolucionário, revolucionário pra sempre – e resgate já esse caráter, cara amiga!

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