Tons de azul vibrante chegam ao guarda-roupa masculino da estação

Mudanças chegam ao universo da moda masculina, onde cores ousadas quase só são vistas nas gravatas

Esse azul é difícil de definir, em parte porque não é um tom apenas, mas vários
Esse azul é difícil de definir, em parte porque não é um tom apenas, mas vários Foto: Gregory Vaughan

Na última década, o rosa-choque se tornou tão popular que perdeu praticamente toda a capacidade de ser chocante. Depois que foi (injustamente) associado a lingerie atrevida, à boneca Barbie e ao mau gosto, a cor decaiu e reforçou essas associações, tornando-se um símbolo absurdo do feminismo feminino.

Um dos únicos lugares em que a cor está ausente é no departamento de roupas masculinas; para ousar, os homens apostam no rosa escuro ou, no máximo, nos tons discretos de roxo.

Recentemente, porém, surgiu um tipo de analogia: o azul vivo, elétrico, bem diferente dos ternos marinho e camisas sociais azul-bebê tradicionais (além de Shocking Blue ser o nome do grupo bizarro de rock holandês que teve seus quinze minutos de fama em 1970 com a música Venus).

Em um mundo onde as cores ousadas ainda são vistas só nas gravatas, as tonalidades de azul brilhante que surgem nesta estação nos paletós, calças, ternos e casacos (além de gravatas, bolsas, cintos e sapatos) têm um quê de ousadia.

O conceito é tão simples – e já aparece em tantos aspectos da moda masculina – que é difícil imaginar por que ninguém pensou nele antes. Misture uma parte de sucesso garantido com uma parte de arrojo e voilà: temos um coquetel novo e perfeito.

– Os caras gostam de azul – afirma Eric Jennings, diretor de moda masculina da Saks Fifth Avenue. – E já se sentem à vontade usando essa cor, embora nesta temporada ela tenha ganhado um toque de novidade. Não tem nada de marinho nem clássico, mas sim variações de azul elétrico, de azul vivo.

A elegante coleção Phineas Cole, de Paul Stuart, foi uma das primeiras do setor de alfaiataria a usá-la. O experimento, na forma de um blazer em azul real, valeu muito a pena, segundo Ralph Auriemma, diretor criativo da linha.

– Nós só queríamos dar uma pincelada de cor na nossa seleção de blazers, mas quando esgotamos as peças duas vezes, percebemos que estávamos no caminho certo – explica.

Nesta temporada, Paul Stuart criou não só blazers, mas um terno de três peças e até uma capa de chuva na tonalidade vibrante. Seu apelo não é resultado apenas de uma nova abordagem de um tema antigo.

– É totalmente vestível – declara Auriemma. – O homem fica bem de azul, que pode ser usado em roupa de trabalho, à noite, com calça cargo, jeans ou de flanela cinza.

A vantagem é que, embora seja vibrante o suficiente para fazer o homem se sentir elegante, não é forte a ponto de fazer com que evite a repetição (algo que não se diria de um casaco esportivo xadrez, por exemplo).

 

– Sem dúvida, de todas as cores fortes, é a mais masculina – afirma Alex Badia, editor de moda masculina da Women’s Wear Daily. – O que eu acho mais interessante é que ela vai além das diferenças de estilos. É perfeita para o minimalismo da Jil Sander, mas, ao mesmo tempo, combina bem com roupas esportivas e tem aquele elemento preppy que faz com que funcione bem com looks tradicionais.

Resumindo: serve para o dia, para a noite, para o trabalho, para a diversão, primavera/verão, outono/inverno, algodão, lã, contemporâneo, tradicional. Cabe direitinho no bom e velho padrão Mary Poppins: praticamente perfeito de todas as maneiras.

Produtos azuis nem têm necessariamente que ser azuis; perfumes em frascos dessa cor ou com a palavra “blue” no nome vêm proliferando nos últimos anos, provando que apenas seu conceito já é convincente.

A única dúvida, então, era como chamá-la. Ao contrário de ouros itens básicos na paleta masculina – como preto, marinho, areia, caramelo e assim por diante – esse azul é difícil de definir, em parte porque não é exatamente um tom só, mas vários. Mais vivo que o royal, mas mais profundo que o azul-céu, o tom em questão depende de quem o vê (quando não, do próprio lojista). Azul-escuro, celeste, safira – todos os tons estão entrando no mercado e, de fato, resumem bem a imagem do esplendor elegante. Por que usar marinho se pode optar pelo aquamarine?

Azul elétrico talvez seja o nome mais preciso. O mais interessante é que esse tom profundo é associado a vários elementos fora do departamento de moda. O marinho pode representar a tradição e a confiança, mas o azul vivo se tornou a cor do novo comércio; é o tom do banco Chase e da Duane Reade, dos logos do Word da Microsoft e do Photoshop do Adobe, além da tonalidade que a Apple usa para as aplicações básicas do software do OS X. Literalmente, é também a cor da luz na ponta dos cigarros eletrônicos Blu.

E, uma vez que a maioria desses logos e marcas é vista iluminada por trás, o “elétrico” faz parte de seu apelo, seja na fachada de uma loja ou na tela do computador.

– O negócio é que, como vários estudos já mostraram, o azul é, de longe, a cor favorita do mundo – diz Eve Ashcraft, consultora de cores de Nova York. – E esse tom elétrico tem tudo a ver com tecnologia, com novidades nas telas. É natural que o público o aceite cada vez mais nas roupas e no ambiente.

O fato não passou despercebido pela fabricante de roupas esportivas Under Armour.

– Nós nos dispusemos a desenvolver um azul néon – conta Henry Stafford, vice-presidente de produtos da grife. – Adoramos o tom que conseguimos desenvolver. Queríamos uma tonalidade que brilhasse; pois ele se destaca nas lojas e nas academias.

Mais que isso, o azul das roupas da Under Armour fez sucesso assim que foi lançado.

– Quando se descobre a tonalidade certa, ela bomba – vibra Stafford.

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