Um roteiro de viagem por Nova York para apaixonadas por moda

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A cidade que nunca dorme sempre tem uma versão incrível de tudo. Quer se encantar com um hotel de design? Nova York te recebe. Quer beber o melhor drinque em um rooftop com uma vista de embasbacar? Nova York te deixa. Quer correr por um parque que pulsa em meio ao trânsito caótico? Nova York te permite. Quer conhecer os artistas mais perturbadores? Nova York te apresenta. Quer assistir ao melhor musical ou a exemplares da produção de cinema establishment ou outsider? Nova York faz por você. E, claro, quer comprar nas lojas mais maravilhosas do mundo?

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Nova York te recebe de braços abertos, até porque comprar é verbo que a gente conjuga sem parar na capital da moda dos Estados Unidos. As maiores grifes – e as mais underground – têm ambientes especialíssimos por lá. Todas! Tantas que cada turista pode ter um roteiro fashion só seu.

Para facilitar a vida de quem está pensando em curtir esta cidade que pulsa alucinadamente, a gente apresenta o nosso tour, produzido com muito carinho e com nossa expertise durante a semana de moda, período no qual NY borbulha estilo mais do que nunca. Enjoy!

Aspatrícias viajaram a Nova York como curadoras do roteiro NY Fashion Experience, da Top Travelling.

Confira algumas dicas de lugares para visitar por lá:

Flying Solo (434 West Broadway, Soho)

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Sem fronteiras: um único ambiente reúne mais de 60 estilistas de moda luxo autoral e independente. (Foto: Divulgação)

Com pouco mais de um ano, esta loja tornou-se um centro de estilo, praticamente uma síntese do pensamento criativo de moda dos quatro cantos do mundo, isso sem falar em um exemplo de negócios bastante particular. A Flying é como uma plataforma de design de luxo autoral e independente, reunindo, em um único ambiente, mais de 60 estilistas.

O sistema é quase uma cooperativa, já que não há funcionários, e cada criador tem a responsabilidade de trabalhar na loja semanalmente, vendendo os seus produtos e os dos demais.

Love our new Flying Solo Tees with the graphics ✨ Now available in store #flyingsolonyc #independentdesigners #takingsohoback

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– A Flying foi criada para abrigar designers que não tinham onde expor seus trabalhos e hoje ganham força aqui – comenta a brasileira Sílvia D’Ávila, curadora e designer de joias artesanais na Iza, uma das quatro marcas do Brasil a mostrar moda na Flying.

A loja exibe uma decoração ousada e colorida, com espelhos, grafites e essência pop. Tem dois andares repletos de araras, cada uma para um criador, funcionando em sistema de rodízio: transitam entre o andar superior e o inferior, ora estão na frente, ora atrás. E aí revela-se o apelo extremamente democrático do lugar. Tem criadores de Budapeste, Espanha, Colômbia, Ucrânia, Rússia, Bulgária, Argentina, Nova Zelândia e outra dezena de países – na Flying, a moda é, de fato, sem fronteiras.

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The Space NYC (99 Scott Avenue, East Williamsburg)

Um dos endereços mais bacanas de Nova York é de dois gaúchos. Isso mesmo. O The Space NYC, misto de loja, showroom, espaço expositivo, estúdio de design e oficina, foi concebido pelos designers Hélio Ascari e Max Poglia junto ao empresário e designer italiano Alessandro Squarzi. O trio é quem coordena o espaço, que tem chamado atenção dos mais trends da cidade – inclusive, o desfile de inverno de Alexander Wang foi por lá.

O ambiente é espetacular, um galpão enorme datado de 1910 que abrigou uma fábrica de vigas de ferro e foi comprado pela máfia italiana na década de 1960 – inclusive, há registros de que ali rolaram algumas “queimas de arquivo” ao estilo Bons Companheiros – ui! Decorado de forma minimalista, com peças de época, como a mesa de sinuca dos anos 1960, e belos móveis de ferro produzidos à mão pelo próprio Hélio, The Space mantém a personalidade industrial, com um clima rústico-chique que tem tudo a ver com os desejos do agora. E fica em Bushwick, a região de Williamsburg que começa a ser desbravada por fashionistas – o que já vale a visita, viu?!

O gaúcho Hélio Ascari produz bicicletas superexclusivas em um espaço multiuso onde você encontra uma seleção de roupas escolhidas a dedo. (Foto: Divulgação/Nicole Franzen)

O gaúcho Hélio Ascari produz bicicletas superexclusivas em um espaço multiuso onde você encontra uma seleção de roupas escolhidas a dedo. (Foto: Divulgação/Nicole Franzen)

Por lá, várias marcas do mundo, com uma curadoria precisa de estilo, inclusive a brasileira Osklen. Tudo é muito especial e limitado, como roupas vintage escolhidas a dedo na Europa e no Japão, parkas militares que protagonizam o visual ou camisetas que resgatam o shape original das usadas por Marlon Brando e James Dean nos anos 1950. O que chama muito atenção? As bolsas e facas artesanais concebidas por Max e as bicicletas de luxo fabricadas à mão por Hélio. Incríveis!

Os modelos da Ascari Bicycles, que custam a partir de US$ 5 mil, são cobiçados pelo povo de bom gosto e de excelente conta bancária de todo o mundo – o estilista Ralph Lauren é um dos clientes recorrentes do designer gaúcho. E quem visitar o lugar pode ver Hélio, que é um artista único do ferro e da madeira, trabalhando. A oficina de verdade fica na parte de trás do prédio e está aberta aos visitantes – e ele ainda promove workshops onde ensina um pouco desse trabalho exímio pelo qual é apaixonado. Imperdível!

The Line (76 Greene Street, 3rd Floor, Soho)

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Uma loja que mais parece um apartamento onde mora alguém com excelente gosto: tudo está à venda: das peças de marcas como Marni e Proenza Schouler aos cosméticos. (Foto: Divulgação)

Eis aqui um lugar inspirador, a começar pelo prédio de 1872, assinado por Isaac F. Duckworth, arquiteto que foi considerado um mestre do ferro fundido tão típico das construções dos charmosos Soho e Tribeca. O edifício é superlativo: talvez o mais maravilhoso da encantadora rua. Na entrada, apenas um pequeno quadro negro, escrito à mão com giz, anuncia o que está por vir, The Line, 3rd. E a gente toca o interfone e sobe para a loja que é um apartamento totalmente mobiliado, como se alguém morasse ali – inclusive com roupas, maquiagens e perfumes nos seus devidos lugares –, onde 99% de tudo está à venda. Sim. Sofás, poltronas, mesas, lustres, louças, livros, perfumes, roupas, lençóis, acessórios, sapatos, caixas de fósforo… tudo.

O que mais impressiona em meio à arquitetura e à decoração minimalista e sofisticada de todos os ambientes é a seleção exímia das peças. A gente quer tudo, do abajur à banheira, da cafeteira ao pote de chá. E as roupas? Bem, caros amigos, um closet incrível exibe algumas das melhores grifes, como Marni, Rouland Mouret, Proenza Schouler, Erdem, Lemaire, Khaite, Vince – ufa! O interessante é que tudo conversa muito bem, como se uma única personalidade tivesse escolhido tudo, um morador imaginário de gosto sublime. Suspirando em três, dois…. Resultado: uma experiência de lifestyle como poucos lugares proporcionam.

Reformation (23 Howard St, Soho)

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Bom gosto e baixo impacto ambiental: a Reformation se tornou a marca queridinha de famosas como Taylor Swift. (Foto: Divulgação)

Eis aqui um endereço que não pode faltar na agenda dos amantes da moda de baixo impacto ambiental com bom gosto – e preço justo: a Reformation. Criada em 2009 pela ex-modelo Yael Aflalo, a grife californiana trabalha com tecidos de roupas vintage desconstruídas, com excedentes da indústria têxtil e com materiais orgânicos. Suas fábricas utilizam apenas energia eólica, e 75% do lixo gerado é reciclado, causando mínimo impacto ambiental quando comparada à indústria tradicional. Já deu vontade de usar, né?!

Devido à origem da matéria-prima, as coleções, que conquistaram fashionistas e celebridades, como Taylor Swift, Bella Hadid e Karlie Kloss (para citar algumas), são limitadíssimas, todas com um visual minimalista-retrô e realmente encantadoras.

A loja, localizada em um dos charmosos prédios antigos do Soho, tem um visual bastante simples, com paredes de tijolos brancos, detalhes de madeira natural e mobiliário em preto, o que torna as roupas as estrelas máximas do ambiente. Sim. Por lá, nada de ostentação, o que vale mesmo é o produto.
Ah! Uma curiosidade: a maneira como a marca se comunica também a tornou uma das queridinhas do hoje, usando uma dose bem equilibrada de humor. O slogan (we make killer clothes that don’t kill the environment (algo como “nós fazemos roupas matadoras que não matam o meio ambiente”) reflete essa linguagem, abusadamente provocativa.

Vale seguir no Instagram, que é demais: @reformation.

Kind of professional mini skirts now live.

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Opening Ceremony (23 Howard St, Soho)

A loja dos diretores criativos da Kenzo reúne dezenas de marcas bacanas do mundo inteiro. (Foto: Divulgação)

A loja dos diretores criativos da Kenzo reúne dezenas de marcas bacanas do mundo inteiro. (Foto: Divulgação)

A mais antiga das modernas. Sim. Desde 2002, a Opening reúne as melhores grifes high-end em um único ambiente, o que funciona também como um intercâmbio cultural que muda a cada temporada. Com curadoria exímia dos proprietários, Carol Lim e Humberto Leon (também diretores criativos da Kenzo), a Opening reúne talentos de todo o mundo com estilos diferentes e qualidade única – e o cartão de crédito precisa ser bem gordinho para bancar as compras por lá, viu?!

Além de roupas, há acessórios, bolsas, sapatos, óculos, objetos e peças curiosas.

O universo lúdico, muitas vezes, é tema da seleção, o que torna a Opening singular e encantadora não apenas para quem ama moda, mas para quem suspira por arte, pelo universo pop, por cinema, por música. A loja também tem uma grife, que apresenta a coleção na semana de moda de Nova York e assina inúmeras colaborações em séries limitadas.

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Nos três andares da Opening, você confere da cobiçada Vetements a Givenchy, de Alexa Chung à brasileira A La Garçonne, da Vans a Proenza Schouler – enfim, são dezenas e dezenas de designers de todo o mundo em uma edição particular tão desejada que há filiais no lobby do Ace Hotel, em NY, em Los Angeles, em Londres e Tóquio.

John Varvatos (315 Bowery, Greenwich Village)

Não bastasse o cara ser um dos maiores estilistas de moda masculina dos Estados Unidos, ele tem uma loja no que foi um dos clubes de rock mais icônicos da cidade de Nova York e mais famosos do mundo, berço do movimento punk americano, o CBGB. Por mais de 30 anos, pelos palcos dos CBGB, passaram bandas como Ramones, Patti Smith, Blondie, New York Dolls, Nirvana, Pearl Jam, Talking Heads, Television… Ufa! E agora é uma loja única.

O lendário clube de rock CBGB deu lugar a uma loja John Varvatos que manteve o clima transgressor. (Foto: Divulgação)

O lendário clube de rock CBGB deu lugar a uma loja John Varvatos que manteve o clima transgressor. (Foto: Divulgação)

Fã de música, o que fica evidente em suas criações de personalidade rock-chique, Varvatos comprou o espaço e inaugurou a loja em 2008, conservando intacta a maior parte das paredes do clube, recobertas de flyers, pôsteres e pichações. Contrastou as paredes e o piso rústico com detalhes de luxo, como lustres de cristal em estilo vitoriano e cortinas de veludo. O antigo balcão do bar virou o caixa, o palco agora é usado para destacar os calçados. O ambiente mantém um transgressor estilo de “inferninho”, com teto preto e muita madeira escura. Muito bacana. Além de suas criações, por lá se vende peças vintage, rádios e vinis antigos. Valeu a visita?

Galeria Melissa (500 Broadway, Soho)

Mais parece uma galeria de arte: a Galeria Melissa atraia a atenção de quem passa pela calçada. (Foto: Divulgação)

Mais parece uma galeria de arte: a Galeria Melissa atraia a atenção de quem passa pela calçada. (Foto: Divulgação)

Recentemente inaugurada em Nova York, a nova Galeria Melissa é o tipo de loja tão original que chama a atenção até de quem está passando desavisadamente pela rua – sim, a gente mesmo presenciou, as pessoas entrando porque ficaram fascinadas com o design do espaço, que mais lembra uma galeria de arte.

Em um espaço amplo, a ambientação brinca com efeitos de profundidade, espelhos e linhas convergem para os pontos de passagem, assim como os declives que criam sensações dinâmicas em toda a loja. A entrada é realmente fascinante, com uma instalação de LED e espelhos como se fosse um funil caleidoscópico – não à toa, as pessoas são “fisgadas” para dentro. Ao final, um lounge para relaxar, com um jardim vertical em uma das paredes e espelhos nas outras.

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Na loja, assinada pelo arquiteto e designer Muti Randolph, responsável pela criação de todas as galerias da Melissa, os famosos produtos da marca, que recentemente promoveu também um desfile da grife norte-americana Baja East, com quem acabam de firmar uma parceria. Esse evento é exemplo da proposta da Galeria, um espaço criado para mudar, receber intervenções, instalações, artistas convidados.

Dior (105 Greene St, Soho)

Uma das casas de moda mais tradicionais do mundo, a Dior chega aos 70 anos com fôlego novo, a começar pelo trabalho da diretora criativa Maria Grazia Chiuri. A estilista tem colocado o feminismo em pauta em suas criações, que bebem dos arquivos de Christian Dior, mas sempre com frescor contemporâneo e criando desejos imediatos. Provocativa, Maria Grazia, a primeira mulher a assumir este importante cargo em uma marca clássica como a Dior, disse a que veio já na primeira coleção que assinou, há um ano, com a camiseta “We should all be feminists” (todas nós deveríamos ser feministas). E suas criações encontram o ambiente perfeito na loja Dior mais charmosa de Nova York, no borbulhante Soho.

Com projeto de Peter Marino, a loja da Dior mistura as peças da grife com obras de arte. (Foto: Divulgação)

Com projeto de Peter Marino, a loja da Dior mistura as peças da grife com obras de arte. (Foto: Divulgação)

Este projeto do estrelado Peter Marino, responsável por todas as filiais da marca desde 2007, revela uma adorável essência minimalista. As colunas originais do edifício foram pintadas de prata, e o espaço ganhou obras de arte e peças de mobiliário encomendadas a artistas contemporâneos. As esculturas de Mylar de Larry Bell mantêm-se como enormes ornamentos.

Uma cadeira escultural de aço inoxidável de Guillaume Piechaud fica na área do prêt-à-porter. E, na parte de trás da loja, uma impactante instalação de vídeo traz projeções de desfiles e campanhas – o que se vê na maioria das lojas assinadas por Marino para a label francesa.

A gente não sabe se fica mais encantado com o ambiente ou com a saia godê de náilon azul-marinho, eis aí o contraponto delicioso das apostas de Maria Grazia.

Amarcord (223 Bedforf Avenue, Williamsburg)

Opções mais em conta: o brechó Amarcord oferece uma seleção de looks, da era vitoriana aos anos 1990. (Foto: Divulgação)

Opções mais em conta: o brechó Amarcord oferece uma seleção de looks, da era vitoriana aos anos 1990. (Foto: Divulgação)

Nova York é farta em tudo, inclusive em brechós. Sim. Os amantes do vintage enlouquecem diante de tantas opções, das baratinhas, onde é preciso extrema paciência e doses extras de antialérgico para catar boas peças, às glamurosas, que provocam a cobiça fashion imediata por peças com assinatura de grandes designers. Um meio-termo interessante é o Amarcord, que tem dois endereços na cidade, mas a gente indica o que fica no charmoso Williasmburg, com uma excelente seleção de valores mais acessíveis, embora menos estrelada.

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Com curadoria fina, o Amarcord tem peças que vão da era vitoriana aos anos 1990, tudo com design apurado, excelentes condições e prontinho para uso. O foco é o abastecimento na Itália, pátria dos proprietários Patti Bordoni e Marco Liotta – o que explica o nome, referência ao filme de Federico Fellini (1973). A seleção traz, entre outros, Gucci, Prada, Fendi, Missoni, Valentino, Romeo Gigli, Versace, Ferré e….por aí. Ainda tem Chanel, Dior, YSL, Céline, Hermés, Courréges – tá, a maioria destas grifes celebradas fica no endereço do Soho (252 Lafayette St.), mas a loja do outro lado da ponte tem idêntico paladar e pesa menos no bolso, tá?!

Prada (575 Broadway, Soho)

Tudo na loja da Prada é de encher os olhos, até o provador de alta tecnologia. (Foto: Divulgação)

Tudo na loja da Prada é de encher os olhos, até o provador de alta tecnologia. (Foto: Divulgação)

Impossível deixar uma das experiências de design, arquitetura e moda mais completas de Nova York de fora de um roteiro fashion: a loja da Prada no Soho. Esse hub futurista projetado pelo modernista holandês Rem Koolhaas, parceiro de Miuccia Prada em vários projetos, de lojas a cenários de desfiles, é um espetáculo em cada detalhe do ex-Guggenheim Soho.

Aberta ao final de 2001, a loja traz uma gigantesca onda de madeira que vai do nível da rua para o piso de baixo e funciona, ocasionalmente, quando há um show ou evento, como assento ao estilo anfiteatro. Gaiolas de exposição suspensas e um elevador circular de vidro, além de provadores translúcidos que se tornam opacos ao toque de um botão, a loja é pesada no quesito design, que faz o visitante ficar embasbacado tamanha a riqueza dessa imagem.

Mas é claro que a moda não é reflexão tardia por lá, afinal, estamos falando de Miuccia Prada, uma das maiores estilistas do mundo. Masculino, feminino, acessórios, joias são distribuídos com precisão de curadoria artística pelo espaço, imprimindo à roupa, que já impressiona por si, o valor de uma peça de museu – e sim, muitas têm um valor bem parecidinho. Simplesmente sensacional. E dá vontade de tudo.

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