Quanto vale um vinho? Saiba o preço das garrafas mais raras do mundo

Quanto você pagaria por um bom vinho? É claro que os valores dependem muito da gordura do bolso de quem paga, mas (quase) todo mundo concorda que qualquer quantia entre R$ 30 e R$ 100 pode garantir um rótulo honesto e bastante satisfatório. No entanto, para sua total desilusão, saiba que há vinhos muito mais caros do que isso. Muito mais caros mesmo. E há uma legião de aficcionados e colecionadores disposta a pagar fortunas por uma garrafa. E, pior, a chance destas preciosidades permanecerem fechadas para sempre é enorme.

A última do mundo dos vinhos milionários é uma linda garrafa de 12 litros do lendário Château Margaux Grand Cru Balthazar, safra 2009, posta a venda por inacreditáveis US$ 195 mil, o que equivale a R$ 435 mil, em cotação atual. Mas o que é isso? É vinho de ouro? De certo ponto, é sim. Considerada a melhor safra já colhida nos 400 anos da tradicional vinícola francesa, a bebida foi elaborada com uvas super selecionadas, provenientes dos antigos vinhedos da propriedade, ao norte de Bordeaux. Pela primeira vez, a vinícola envazou um produto na garrafa conhecida como Balthazar (12 litros). As letras foram gravadas a ouro e o conjunto vem embalado em uma capa de carvalho. Deu vontade comprar? Então corra. Foram feitas somente seis garrafas, três delas colocadas à venda na loja de vinhos de luxo Les Clos.

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Em 2012, a vinícola australiana Penfolds anunciou o vinho mais caro do mundo até então – o Kalimna Block 42 2004, um cabernet sauvignon que custava US$ 170 mil (R$ 379 mil). A garrafa de precinho estratosférico nem era bem uma garrafa: uma ampola de vidro soprada artesanalmente recebeu o líquido. Feito somente três vezes na história da vinícola, o vinho é o suprassumo de uma safra excepcional. As uvas utilizadas para a elaboração da relíquia foram colhidas em um vinhedo plantado em 1880, o mais antigo cabernet sauvignon do mundo ainda em produção, segundo a Penfolds. E, o mais surpreendente de tudo: este aqui não adianta querer comprar. Todas as ampolas foram vendidas em poucos meses. Somente uma foi preservada como relíquia, no museu da vinícola. Como foi produzido em 2012, este vinho deve estar maduro e no auge de sua potência em mais ou menos 50 anos.

O mercado de quem aposta em vinhos como investimento nunca esteve tão aquecido. Tanto que alguns dos leilões mais concorridos da famosa Christie’s têm a bebida como objeto de maior desejo. Recentemente, uma caixa com 12 garrafas do Romanée-Conti safra 1978 foi alvo de uma disputa acirrada em Hong Kong e acabou sendo vendida por R$ 1,1 milhão. Este rótulo fabricado na região francesa da Borgonha, aliás, está sempre entre os mais caros. Uma garrafa de uma safra notável pode ultrapassar sem sobressalto a marca dos R$ 30 mil. Outro rótulo francês que faz brilhar os olhos dos investidores é o Château Petrus. Apesar de não ter a mesma cotação de qualidade de alguns de seus vizinhos, é conhecido por envelhecer bem e ganhar valor com a idade. Por isso, é comum que caixas de safras recentes sejam vendidas para quem tem dinheiro, paciência e um lugar escuro e frio para guardar os seus investimentos.

:: Valem ouro – ou até mais!

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História na garrafa

Foi em uma tarde fria de dezembro de 1985, em Londres, que um dos maiores tesouros do mundo do vinho apareceu. Com todo o cuidado, o leiloeiro mostrou à plateia uma garrafa antiga, misteriosa, que prometia conter um líquido ainda vivo, cuja existência, até aquele dia, era somente uma lenda. Diante de um estupefato grupo de pessoas, reluziu a garrafa de Château Lafite 1787, em cujo rótulo se podia ler as iniciais Th.J. Isso comprovava que estava diante de todos um exemplar da adega do terceiro presidente americano, Thomas Jefferson. Por algum motivo, após a morte de Jefferson, ela foi parar nas mãos de um colecionador europeu, que a acondicionou em uma parede falsa de sua adega, temendo os saques e levantes ocorridos durante a Revolução Francesa.

Conservada por décadas em local escuro, hermeticamente fechado e a uma temperatura que ficava sempre entre os 10ºC e 14ºC, a garrafa estava intacta – e o líquido em seu interior também tinha muita probabilidade de estar. E, naquela tarde, o filho do editor americano Malcolm Forbes, Christofer, arrematou o vinho mais raro do mundo por US$ 156 mil. Conta uma lenda que, devido à exposição da garrafa à luz forte, a velha rolha se desintegrou, o que acelerou o processo de degradação do vinho. Depois de esperar por quase 200 anos, a bebida morreu sem ter sido degustada por ninguém.

 

Fotos: Jonas Ramos, Especial (principal) e howdoyousaythatword.com, Divulgação

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