5 motivos para discutir moda nas eleições | Ulisses Carrilho

Não, eu não acho que políticas públicas sobre o mercado de moda devem reger o seu voto. Mas é sempre bom lembrar que, por trás de nossas referências, há um mercado que se utiliza de empurrõezinhos fiscais, políticas públicas e leis de incentivo.

1. Moda é economia

As empresas de moda dividem grande parte de seus custos com seus franqueados. O resultado são margens de lucro até cinco vezes maior que em outras áreas do varejo, entre 8% e 15%. Segundo a consultoria do setor têxtil Iemi, abordada em matéria da revista Exame, a fatia de mercado das butiques de bairro caiu de 44% para 37% nos últimos seis anos. Enquanto isso, foram erguidos 160 shoppings no país na última década. O número de redes de franquias de moda em shoppings avançou 259% no período. Rio Grande do Sul e Santa Catarina juntos somam cerca de 6.000 indústrias produtoras de malha circular.

Vale dar uma olhada:
Na série de vídeos Amo Moda, Amo Brasil que teve sua estreia sobre o mercado do jeans brasileiro.

2. Moda é emprego 

O setor têxtil totaliza mais de 365 mil empresas e é detentor de mais de 679 mil postos de trabalho, movimentando R$ 9,3 bilhões em salários. O mercado da moda no Brasil emprega 1,7 milhões de pessoas e movimenta R$ 50 bilhões. Precisa dizer mais?

Vale dar uma olhada:
Na inesquecível coleção Inverno 2007 de Alexandre Herchcovitch, que retratou de forma poética uma profissão brasileira, os boias-frias do sertão brasileiro.

3. Moda é cultura 

Em 2009, pela primeira vez a moda foi considerada cultura pela lei brasileira. Alargar esse conceito é um dos propósitos do Ministério da Cultura, que pleiteia esse reconhecimento de forma mais ampla. Para o MinC, esta discussão – se moda é ou não cultura – já é ultrapassada. No ano passado, a decisão tomada pela ministra da Cultura, Marta Suplicy, que autorizava Pedro Lourenço a captar cerca de R$ 3 milhões pela Lei de Incentivo à Cultura para a realização de dois desfiles na semana de moda de Paris, causou polêmica.

Pedro, no entanto, não foi o único agraciado pela lei. Alexandre Herchcovitch, que desfila sua coleção em New York, e Ronaldo Fraga também receberam resposta positiva no processo de seleção. As políticas públicas agora focam-se no Plano Setorial, formado por figuras do governo e representantes da academia e do mercado, que vai delimitar até onde as leis de incentivo cultural podem ser usadas na Moda, que mescla cultura em meio à indústria.

Vale dar uma olhada:  
Nas primorosas coleções de Ronaldo Fraga, que traduz elementos culturais da tradição brasileira em peças de passarela. Menção honrosa para a homenagem a Cândido Portinari, em sua última coleção.

ronaldofragacandidoportinari

4. Moda é identidade nacional 

Por meio do Programa de Exportação da Indústria da Moda Brasileira, o Texbrasil, são promovidas feiras, capacitação de profissionais, além do estabelecimento de contato entre empresas nacionais e estrangeiras. As companhias têxteis que participam do programa já apresentaram um crescimento de 17%.

O Brasil ocupa o segundo lugar na produção de jeans. E criou uma tradição inigualável na modelagem de sua moda praia, que além de amplamente reconhecida internacionalmente, movimenta cifras grandes. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT), o setor movimenta cerca de US$ 1,5 bilhão por ano apenas no mercado interno. Além disso, a moda é responsável por propagar meios tradicionais de produção de rendas e crochês, por exemplo. Os costumes tradicionais geram sustento para famílias e comunidades no interior do país.

Vale dar uma olhada:  
No primoroso trabalho da estilista gaúcha Helen Rödel. Sou fã confesso do trabalho singular que a Helen desenvolve em tricô e crochê. 

helenrodel

5. Moda é empoderamento feminino 

À medida que um país enriquece e as pessoas pulam de faixa social, um dos setores mais beneficiados tende a ser o de moda, o que vem acontecendo no Brasil. Mais de 11 milhões de mulheres entraram no mercado de trabalho na última década, o que impulsiona o setor por dois motivos: o mercado de moda brasileiro ainda é muito voltado às mulheres, dando voz a esta parcela da população.

Além disso, o mercado de moda é tomado por mulheres na sua parte de inteligência: do setor de criação das marcas aos corpos docentes das universidades. Segundo pesquisas da consultoria Data Popular, as mulheres das classes D e E têm em média nove pares de sapatos em casa. Elas alegam esse aumento no seu volume de compras à sua entrada no mercado de trabalho. Para trabalhar na rua, as mulheres investem no seu vestuário.

Vale dar uma olhada:  
Na história da estilista brasileira Zuzu Angel, que teve sua obra retratada na exposição Ocupação Zuzu neste ano. A mãe de Stuart lutou contra a Ditadura Militar através das roupas que criava. 

+ Bônus! Moda é marketing político 

Há candidatas que não abrem mão do vermelho-sangue do seu partido. Há candidatas que preferem lembrar de seu passado através de acessórios étnicos. Há os que se achem sérios demais inclusive para passar a camisa que usarão no debate. Há aqueles que não abrem mão do look banqueiro. Mas bonito mesmo é analisar propostas, não é mesmo?

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