A busca pela aceitação

Período de transição entre a infância e a adolescência pode vir acompanhado do temor de ser rejeitado

Foto: Stock Photos

– Será que vou ser aceito?

Dos nove aos 12 anos, essa é uma das questões que mais atormentam as crianças. É um período complicado de transição, no qual o corpo está se transformando. Ele cresce de forma desigual, pelos surgem, acnes e espinhas irrompem, emoções transbordam. No meio do caminho entre a infância e a adolescência, o indivíduo vive uma crise de autoimagem. Olha no espelho e não se reconhece. O medo típico desse período é o da rejeição social.

O temor é tal que se refletiu nesta reportagem: foi difícil encontrar alguém que aceitasse aparecer como personagem. O fantasma do estigma é muito grande.

– A própria criança está se estranhando. Às vezes se isola para não ser vista. Ela pode manifestar essa situação como medo. Pode temer que o professor pegue no pé ou que os colegas não queiram mais ser seus amigos – diz a psicóloga Solange Lompa Truda.

Normalmente, o medo de rejeição está relacionado à baixa autoestima. Ele começa a preocupar quando traz consequências físicas, emocionais e de comportamento. A psicóloga Daniela Dal-Bó Noschang aponta sinais como dores (de cabeça ou barriga), choro, irritabilidade, tristeza, retraimento ou agressividade.

– Os sintomas são uma resposta à demanda que não é atendida – diz ela.

Nessa crise de identidade, a criança também tende a formar grupos fechados dentro da escola. Cada um se une com os amigos em quem se projeta. E rechaça os outros. Essa situação tem um subproduto problemático, o bullying.

– Como não estão conseguindo lidar com emoções de forma equilibrada, as crianças começam a entrar em disputas e agressões – diz Solange.

Dicas para os pais

Como ajudar as crianças que estão assustadas com a rejeição social:

– Aceite que seu filho está em uma etapa complicada do desenvolvimento

– A família tem de estar próxima da criança e saber quem são seus amigos. Deve estar atenta para situações em que um grande amigo deixa de sê-lo, o que pode ser sinal de alguma coisa mais séria

– Não se deve menosprezar o medo de rejeição, nem supervalorizá-lo

– Em caso de dificuldades de relacionamento com outras crianças, não tente resolver o problema pelo seu filho. Mostre para ele o que pode fazer e ofereça ajuda

– Se a criança está com dificuldade para se integrar no grupo, favoreça contatos e incentive convites

– Esteja atento ao que a criança fala. Se ela diz que tem medo de algum colega e por quê. Pode ser uma situação mais complicada

– Quanto mais alterado seu filho estiver, mais séria tende a ser a situação. Nem sempre se trata apenas de medo. Às vezes a rejeição é real. Nesse caso, procure ajuda profissional

Fontes: Daniela Dal-Bó Noschang, psicóloga e consultora de escolas infantis, Solange Lompa Truda, psicóloga

 

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