A ciência pode ajudar quem quer ser mais feliz no amor, afirma antropóloga

Para Helen Fisher, sentimento está intimamente ligado à biologia

Why him? Why her?, ainda sem versão em português
Why him? Why her?, ainda sem versão em português Foto: Reprodução

Entender por que nos apaixonamos por uma determinada pessoa é o projeto de vida da antropóloga americana Helen Fisher, pesquisadora do Centro de Estudos Evolucionários Humanos da Universidade Rutgers em Nova Jersey, nos Estados Unidos, que há mais de duas décadas estuda o comportamento humano. Para ela, que já estudou perfis comportamentais e genéticos de mais de 40 mil pessoas, o amor está intimamente ligado à biologia.

Entender como funcionam nossos hormônios, acredita Fisher, nos leva a compreender como e por que amamos, e também contribui para a melhora da nossa relação não só com o parceiro, mas com a família e os colegas de trabalho. Em entrevista pelo telefone, a antropóloga explicou suas teorias, que podem ser encontradas no livro Why him? Why her, ainda inédito no Brasil.

Como a biologia influencia a maneira como nos apaixonamos?

A maioria dos pesquisadores estuda como nossa formação cultural afeta quem e como amamos. Já temos a certeza de que as experiências da infância, as relações com nossos pais, o nível educacional, o país em que nascemos, a idade e mais uma série de fatores influenciam nossos relacionamentos. Porém, as interações hormonais do nosso corpo também afetam como amamos. As expressões “sentir química” ou “rolou o clima” e aquele friozinho na barriga são todos resultados de reações instintivas que não podemos controlar. Não é uma emoção que nos faz focar em uma pessoa, é o instinto. Tanto que o cérebro de uma pessoa apaixonada tem reações químicas diferentes do cérebro de uma pessoa que acabou de levar um fora. Em pesquisas com mais de 40 mil pessoas, descobri que são seis os hormônios que regem nossa forma de amar: a serotonina, a dopamina, a oxitocina, a testosterona, o estrogênio e a noradopamina.

Como estes hormônios definem nossa forma de amar?

Não podemos dizer ainda como isto acontece, mas sabemos que as pessoas são mais ou menos influenciadas pela flutuação de certos hormônios. Pessoas com mais serotonina, por exemplo, são mais tradicionais, gostam de estar com amigos, querem desde cedo construir uma família. Já quem tem mais testosterona é ávido por novidades, tem muita energia, cansa muito rápido de uma história se ela não tiver muitos estímulos.

A partir destas pesquisas, separei a população em quatro grandes grupos amorosos, cada um com um perfil específico. São eles os construtores, os exploradores, os negociadores e os diretores. É claro que temos um pouco de cada grupo, e as características podem ser mais ou menos evidentes em certas fases da vida.

Alguns tipos estão mais dispostos a se casar do que outros?

Acredito que, em todo mundo, as pessoas têm o desejo de se relacionar com outras. Estatísticas indicam que 90% das pessoas acabam se casando. O que minha pesquisa mostra é que, dependendo do nosso perfil amoroso, vamos lidar com a paquera e com o relacionamento de forma diferente. Quem tem um perfil explorador é impulsivo, se joga nas novas relações. Já o diretor gosta de ter o controle e precisa sempre escolher o restaurante ou o destino da viagem. Os construtores gostam de seguir um ritmo mais lento e o negociador é tão diplomático que às vezes pode parecer que não se importa com o novo parceiro. Sem dúvida, os construtores são os que mais casam e permanecem casados.

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Alguns tipos de medicação podem mudar nosso perfil amoroso?

Sim, sem dúvida. Os anti-depressivos aumentam a produção de serotonina. Quem toma este remédio fica mais calmo e menos interessado em sexo, por exemplo. A pílula anticoncepcional também pode causar mudanças, já que elimina uma série de flutuações hormonais. Mas nenhum medicamento pode mudar completamente nossa personalidade.

A ciência pode nos ajudar a ser mais feliz no amor?

Sem dúvida. As recentes descobertas da Biologia pode nos ajudar a entender melhor por que agimos desta ou daquela forma quando estamos apaixonados. Também nos ajuda a entender melhor o parceiro, o colega de trabalho, nossos pais. Muitas vezes reclamamos de uma atitude do outro sem entender o por que daquela reação. A ciência pode ajudar muito neste aspecto, porque muitas vezes nossas reações são instintivas. Não é um alívio descobrir que o parceiro não está de mau humor por causa de um problema com você, mas sim por causa de hormônios (risos)?

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