À espera do frio, lojas reforçam encomendas de roupas para o inverno

Expectativa positiva do setor é baseada em dados como situação econômica do país e renda maior

Fábricas não têm mais capacidade de atender pedidos
Fábricas não têm mais capacidade de atender pedidos Foto: Marcelo Soubhia / Ag. Fotosite

No que depender das vendas, o inverno de 2010 deve ser mais quente do que o do último ano.

Sem o fantasma da crise econômica rondando o comércio brasileiro, os lojistas aumentaram, em média, em10% as encomendas.

No Estado, uma pesquisa feita pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL-RS) apontou que mais de 75% dos lojistas estão com “ótimas expectativas de vendas”. Para Vitor Koch, presidente da entidade, o entusiasmo é embasado em dados positivos, como alta da massa salarial, previsão de boa safra de grãos, situação econômica do país e sobretaxação de alguns produtos – como os calçados vindos da China:

– Quando isso acontece, o reflexo no comércio é quase imediato.

Outro bom sinal vem da produção. Nelson Jawetz, presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário do Estado, diz que as fábricas não têm mais capacidade de atender pedidos – cerca de 70% delas estão ocupadas com vendas feitas na Feira Nacional da Indústria da Moda, realizada em janeiro. Sylvio Mandel, presidente da Associação Brasileira do Varejo Têxtil, conta que “já se ouve falar de produtos faltando”.
– Não podemos dizer que o setor têxtil saiu da crise que enfrenta há anos por conta da concorrência desleal com importados e da alta carga tributária, mas este ano parece que vai ser bem mais favorável – observa Fernando Pimentel, diretor superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção.

Também otimista, Vilson Noer, presidente do Câmara de Dirigentes Lojistas da Capital, faz projeção de crescimento entre 8% e 9%, lembrando que o resultado está diretamente vinculado à questão climática. Picos de altos e baixos do frio são ruins para as vendas, principalmente para quem trabalha com pronta entrega, observa Carlos Graça de Araujo, presidente da Associação Profissional das Indústrias de Fiação e Tecelagem de Caxias do Sul. Araujo estima expansão de 15%, contando com um inverno rigoroso.

A torcida pelas baixas temperaturas faz sentido, já que, para as malharias gaúchas, a estação representa entre 70% e 80% das vendas no ano. No Brasil, as confecções produzem em torno de 6,5 bilhões de peças por ano, sendo que a coleção outono-inverno representa cerca de 30% a 35% desse volume. Em valores, o faturamento da estação costuma ser 30% maior do que no resto do ano, até porque são “produtos de maior valor agregado”, enfatiza Koch.

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