A “farmacinha” caseira pode representar riscos à saúde

Guardar remédios em casa é um perigo devido à automedicação

Ter o medicamento em casa não significa que se deva dispensar a consulta médica
Ter o medicamento em casa não significa que se deva dispensar a consulta médica Foto: Reprodução

Todo brasileiro tem uma farmacinha em casa. Quem não lembra das orientações de parentes sobre o que tomar quando se sente algo? O que poucos sabem é que todo medicamento pode causar efeitos colaterais, independentemente de ser fitoterápico, com ou sem tarja (quando a receita médica não é exigida).

A automedicação é muito comum e também muito perigosa. Pode parecer um recurso mais barato e prático, já que dispensa a consulta com um médico especializado. Mas pode sair muito mais caro ao esconder uma doença grave ou causar alguma reação inesperada.

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelam que mais de 10% das internações hospitalares são causadas por reações adversas a remédios, e o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox) afirma que essas drogas ocupam o primeiro lugar entre os agentes causadores de intoxicação.

Antônio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, alerta para os riscos:

? Qualquer tratamento pressupõe um diagnóstico feito por um médico e uma interferência no tratamento pode acarretar problemas sérios, desde interação medicamentosa até agravamento de doenças pré-existentes, como diabetes e problemas renais, cardíacos e hepáticos.

Segundo o diretor do Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, José Miguel do Nascimento Jr., a automedicação é um mau hábito da população brasileira.

? Na verdade, é uma conduta de risco, que causa prejuízos para o próprio cidadão e para o sistema público de saúde ? afirma.

Devido ao uso indiscriminado, a partir de setembro, por determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os antibióticos poderão ter a venda controlada.

O sistema deverá ser semelhante ao da venda de psicotrópicos: além da exigência da receita, farmácias e drogarias irão preencher um formulário com dados da prescrição, do médico e do comprador.

Exemplos de remédios usados com frequência sem indicação médica e o que podem causar:
– Antibióticos: o uso indevido pode causar resistência bacteriana.
– Antiácidos: podem retardar o diagnóstico de doenças do sistema digestivo como gastrite, úlcera e tumores.
– Anticoncepcionais: combinados com o fumo, aumentam o risco de trombose, problemas cardíacos e embolia pulmonar.
– Calmantes: podem causar alteração fisiológica do sono.
– Cremes e pomadas: além de provocar dermatites, podem mascarar e agravar doenças como câncer de pele.
– Diuréticos: podem causar complicações decorrentes de desidratação, arritmia e alterações de pressão.
– Laxantes: a alteração da flora intestinal pode causar desidratação e alterações metabólicas, facilitar infecções e mascarar tumores.
– Vitaminas: excesso de vitamina C pode causar problemas renais e gástricos. Vitamina A em grande quantidade pode levar a alterações neurológicas.

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