A mais democrática das seleções

Heidi Klum brilha em meio às angels na passarela em Nova York
Heidi Klum brilha em meio às angels na passarela em Nova York Foto: Peter Foley Peter Foley

Além da estabilidade, outro fator é intrínseco às seleções públicas que atraem milhões de candidatos: o processo oferece, por lei, condições de concorrência iguais a todos. Não pode haver discriminação por cor, idade, aparência ou sexo. Quando há diferenciação, é em favor de quem, fora dos processos públicos, mais sofre restrições. É o tema do terceiro dia da série Caçadores de Concursos, iniciada no domingo.

Uma das principais qualidades do concurso público é ser, por natureza, não discriminatório. Salvo justificativa muito plausível, uma seleção pública não distingue por sexo, não exige experiência anterior e, em alguns casos, ter mais idade pode até ajudar. Em caso de empate em um concurso, o mais velho é que ficará com a vaga.

Isso porque a Constituição Federal transformou a idade num ponto a favor do candidato – um contrapeso ao setor privado que discrimina datas de nascimento longínquas, avalia o diretor de gestão pública da Associação Brasileira de Recurso Humanos (ABRH/RS), René Kapitansky.

– Com 38 anos já sentia o preconceito. Me sobraram poucas chances na iniciativa privada – exemplifica Jorge Leques, que tentou sair do setor público, deparou com o preconceito do setor privado e retornou aos concursos.

Seleções públicas também não fazem distinção entre atributos físicos, seleciona os mais capazes. Assim como no quesito idade, os concursos também tentam equilibrar o jogo em favor dos portadores de deficiência. Estimulando que profissionais como Valmir Passos, deficiente visual, entrem nestas disputas.

Apadrinhamentos ou indicação, desde que não haja irregularidades, igualmente estão fora de questão na seleção pública.

– Em geral, o concurso público é processo de seleção mais democrático que existe. Oferece a qualquer cidadão regras e chances iguais – diz Kapitansky.

Ser uma seleção democrática é o que estimula muitos concurseiros a nunca desistir ou, depois de aprovados e nomeados, persistirem na busca por um novo cargo. É dessa forma, por exemplo, que Flávio Pereira, 32 anos, e Rita Helena do Amaral, 47 anos, estão ligados ao universo concurseiro.

Flávio faz concursos públicos desde 1996, foi nomeado em dois cargos federais e agora busca uma terceira nomeação. Rita, formada em História, já enfrentou pelo menos cinco seleções na área de Educação, chegou a ser aprovada mas, assim como uma infinidade de candidatos, viu os prazos das seleções perderem a validade antes de ser incluída nos quadros do Estado.

Para os jovens e inexperientes no mercado de trabalho, é cada vez mais uma opção de, pelo menos, iniciar a carreira, como para Jonathan Kowaleski, 18 anos. Após ser aprovado em dois vestibulares em universidades federais, passou por outra seleção muito mais difícil. Na primeira disputa por uma vaga de servidor, enfrentou 7 mil candidatos por vaga – densidade no concurso a oficial de Justiça, em julho.

Flávio, Rita, Johnatan, Jorge e Valmir representam, no terceiro dia da série Caçadores de Concursos, os obstinados que optaram pelo democrático mercado de trabalho no setor público.

Psicólogo dá dicas aos concurseiros. Assista:

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