A participação feminina na construção civil cresce em Caxias e é estimulada por cursos

Dirigentes de sindicatos das indústrias e dos trabalhadores destacam o capricho da mulher nos obras

Belomar e Lia dividem as tarefas na função de servente de obras numa construção no loteamento Sanvitto, em Caxias
Belomar e Lia dividem as tarefas na função de servente de obras numa construção no loteamento Sanvitto, em Caxias Foto: Tatiana Cavagnolli

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As mãos femininas estão cada vez mais atuantes nos canteiros de obras de Caxias do Sul e região. Elas mexem com domínio no cimento, nos tijolos e nas ferramentas, ajudando a edificar casas e prédios. E, diante da demanda do mercado, da oferta de qualificação e da demonstração de profissionalismo, a tendência é de que esse envolvimento cresça fortemente nos próximos meses e anos.

As perspectivas são apresentadas por dirigentes de entidades ligadas à construção e que têm observado a habilidade da mulher no ramo.

? Por ser considerado braçal, o serviço na construção civil antes era mais direcionado ao sexo masculino. Hoje, o progresso das mulheres nesse segmento é inevitável, ainda mais que elas se mostram mais caprichosas que os homens ? compara o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil e do Mobiliário, Antonio Olirio Santos Silva.

O dirigente informa que o Sindicato tem conhecimento de que, formalmente, existem 20 mulheres atuando em canteiros de obras caxienses. Na prática, porém, Silva acredita que esse número seja bem maior.

Ao todo, Caxias tem 6 mil trabalhadores com carteira assinada na construção civil e outros 4 mil profissionais atuando informalmente. A média de salário de um pedreiro, segundo o dirigente, fica na faixa de R$ 1,2mil por 220 horas/mês, contando a insalubridade. E é esse é também o valor pago a mulher que atuar em tal função, garante Silva.

Vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Caxias do Sul (Sinduscon), Valdemor Antonio Trentin  explica que, nos grandes centros urbanos, como São Paulo, a mulher já está presente há mais tempo em obras. No caso de Caxias, nos últimos anos é que passou a existir interesse feminino em funções de servente, pedreiro, carpinteiro e outras.

A servente de obras Lia Zuleica Quadros de Freitas, 32 anos, trabalhava na metalurgia, ficou desempregada e decidiu experimentar o campo da construção civil. Ela está ajudando a construir um prédio de 12 andares, no loteamento Sanvitto. 

? Está sendo bom porque nunca tive empregos na construção. É um trabalho pesado, cansativo, e os filhos se queixam um pouco porque chego em casa cansada, mas estou gostando. Também aprendo bastante com os colegas. Ajudo a fazer concreto, pregar, levar materiais. Os colegas são parceiros, não sinto preconceito por ser mulher ? frisa a servente. 

Colega de Lia na obra e vizinha de bairro, a servente Belomar Antunes, 43, conta que não sabia colocar um prego direito numa tábua e hoje tira de letra a tarefa.

CURSOS GRATUITOS
– Construção civil para mulheres: No dia 18 deste mês, começa na cidade o Curso de Construção Civil para Mulheres. Inserido no Programa “Mulheres Construindo Autonomia na Construção Civil” da Secretaria de Políticas para Mulheres do governo federal, a iniciativa ocorre em parceria com a Coordenadoria da Mulher.

O curso é gratuito e tem apoio da Associação Viver e Aprender, Universidade de Caxias do Sul e Sinduscon. Ainda há vagas para assentamento de tijolos e aplicação de cerâmica. Interessadas devem procurar, até o meio-dia desta sexta-feira, a Coordenadoria da Mulher (4° andar da prefeitura, fone 3218.6026).

– Programa Mulher Aprendiz: Outra iniciativa com inscrições abertas até esta sexta-feira é o Programa Mulher Aprendiz (PMA). Corresponde a um treinamento gratuito de mão de obra feminina para atuar em serviços da construção civil.

O PMA é idealizado pela RPP Construtora e tem apoio de órgãos públicos e outras entidades e empresas caxienses. As inscrições podem ser feitas no escritório da RPP Construtora (Rua Dom José Barea, 2000, próximo à prefeitura, fone 3219.5555, com Cátia).

Leia mais sobre o assunto no Pioneiro desta sexta-feira.

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