Acupuntura tem ação antialérgica e anti-inflamatória

Transtornos femininos como cólicas e problemas de fertilidade estão entre os males combatidos pela prática

Foto: AN, divulgação

Desde que foi considerada uma especialidade médica no Brasil, em 1995, a acupuntura passou por uma revolução. Incorporada à medicina tradicional, a terapia milenar chinesa ganhou contornos científicos e mostrou que pode ser mais útil do que se pensava.

Exames de neuroimagem mostram que as agulhadas em pontos específicos do corpo não apenas estimulam a produção de substâncias que promovem a sensação de bem-estar, como a endorfina e a serotonina, como ativam a liberação do cortisol, conhecido por ter uma ação antialérgica e antiinflamatória. Esse benefício engrossou a lista de indicações da acupuntura, que começa a ser recomendada para tratar alergias, distúrbios do sono, doenças de pele, problemas gastrointestinais e emocionais e até sequelas de AVC.

Crianças e adolescentes, pouco afeitos às picadas, também podem ser beneficiados. Em vez das fincadas, os pontos no corpo são ativados por laser que simulam o efeito da agulha.

– Era uma grande injustiça achar que a acupuntura só servia para tratar a dor – diz Ruy Tanigawa, presidente da Associação Médica Brasileira de Acupuntura.

A aproximação da terapia tradicional chinesa com os últimos avanços científicos também proporcionou o surgimento de outra corrente, a acupuntura neurofuncional. Segundo o médico Cláudio Couto, a nova prática não usa os conhecimentos da medicina chinesa, em que as agulhadas são dadas em pontos determinados do corpo.

Baseada nos conhecimentos mais atuais sobre o funcionamento do cérebro e das funções orgânicas, a nova frente prega que cada paciente receba um tratamento de acupuntura específico para seu problema.

– É preciso fazer exames clínicos detalhados para descobrir a causa da doença e definir quais os pontos para o agulhamento. O médico precisa ter um conhecimento profundo de neurofisiologia – explica.

Desde o ano passado, Couto desenvolve uma pesquisa em que compara a eficácia da acupuntura neurofuncional para dor lombar e nas pernas com outros tipos de terapia. De acordo com o médico acupunturista Paulo Radici, com as agulhas, pouco mais espessas que um fio de cabelo, o especialista consegue penetrar até sete centímetros na pele, alcançando músculos e tendões contraídos que, de outra forma, demorariam meses para ser tratados.

O amparo científico garante que os resultados não sejam apenas o alívio da dor, mas a cura da doença em alguns casos.

– Para pacientes com tendinite inicial, por exemplo, oito a dez sessões podem reverter o quadro – afirma a médica Sandra Severino.

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