Adriana Calcanhotto lança volume 2 do projeto infantil Partimpim

Cantora encarna a personagem Partimpim no palco
Cantora encarna a personagem Partimpim no palco Foto: Jorge Rosenberg, divulgação

Adriana Partimpim – CD, DVD, shows – rendeu à gaúcha Adriana Calcanhotto prêmios, prestígio e novos e apaixonados fãs.

Com a impaciência que lhes é própria, as crianças que cantaram e dançaram com ela cinco anos atrás pediam por mais, em cartas, e-mails, encontros. Ainda durante a turnê de seu último disco, Maré, ela se deu conta de que já havia repertório para mais uma aparição do heterônimo. Era hora de atender os pequenos – e também os pais, que já não aguentavam ouvir tantas vezes o primeiro CD.

Diferentemente dele, cujo projeto surgiu 10 anos antes de seu lançamento, em 2004, Dois foi realizado em apenas quatro meses. O que acabou propiciando algo de que a cantora gosta: a gravação sem muito ensaio, com os músicos tocando de forma mais instintiva, “não esquematizada”.

– Às vezes, repetir melhora a performance, mas o primeiro take sempre tem uma espontaneidade que o segundo já não tem. Fica um tipo de frescor de uma demo, por exemplo – conta Adriana, que se cercou mais uma vez de Dé Palmeira (o produtor, com ela), Marcos Cunha, Ricardo Palmeira, Guilherme Kastrup, Sacha Amback, Marcelo Costa, Dirceu Leite, Domenico Lancellotti, Moreno Veloso e os recém-chegados Alberto Continentino e Rafael Rocha.

As sonoridades vão do batuque do Olodum em Bim Bom (de João Gilberto, o lado B de Chega de Saudade, de 1958) ao voz e violão de Gatinha Manhosa (a balada de Erasmo Carlos e Roberto Carlos de 1966) – o Fico Assim Sem Você (Claudinho e Buchecha) de Dois.

Se o primeiro CD não tinha composições suas, em Dois elas são três: a carnavalesca Baile Particumdum (com Dé), Ringtone do Amor, criada para celular mesmo, há dois anos, e Menina, Menino, com o acordeom de Waldonys.

O Homem Deu Nome a Todos os Animais é uma versão de Zé Ramalho para Man Gave Name To All The Animals, de Bob Dylan; Alface é uma tradução de Augusto de Campos musicada pelo filho, Cid Campos (a dupla também está no Partimpim original). Campos também musicou o poema de Vinicius de Moraes As Borboletas, faixa que fecha o disco e que usou os sons dos insetos que rondam a janela de sua casa, no meio da Floresta da Tijuca, no Rio.

O CD tem ainda Arnaldo Antunes e Davi Moraes (Na Massa) e Caetano Veloso (Alexandre). O Trenzinho do Caipira, a música de Villa-Lobos letrada por Ferreira Gullar, foi a 11ª faixa a entrar.

A ideia de dar continuidade à discografia de Partimpim sempre existiu.

– Algumas crianças já ouvem o Partimpim quase que de maneira nostálgica. Eu não imaginava que seria assim – diz Adriana, que não quer saber se este é menos ou mais infantil do que aquele. – Eu detesto dizer pra quem é a minha música, não fico endereçando.

Semelhanças entre os dois CDs? A bagunça alegre no estúdio (36 crianças participaram cantando) e o chocolate (paixão recém-descoberta por Adriana) rolando solto.

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