Além de reduzir desempenho sexual, tabaco afeta a fertilidade

Mulheres que não fumam têm o dobro de chances de engravidar, quando comparadas às fumantes

Mulheres que não fumam têm o dobro de chances de engravidar, quando comparadas às fumantes
Mulheres que não fumam têm o dobro de chances de engravidar, quando comparadas às fumantes Foto: Fernando Gomes

Assim como já é advertido aos usuários nas caixas de cigarro, o tabagismo prejudica o desempenho sexual, pois diminui o fluxo sanguíneo nos órgãos genitais, interferindo negativamente na ereção masculina e lubrificação vaginal da mulher. Além disso, o hábito de fumar também pode afetar a capacidade de concepção. Mulheres que não fumam têm o dobro de chances de engravidar, quando comparadas às fumantes.

? No caso dos homens os dados ainda são inconclusivos, mas estudos sugerem que o tabagismo diminui o desejo sexual e afeta o número, a mobilidade e a morfologia dos espermatozóides ? afirma André Malbergier, professor doutor e colaborador do Depto. de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Estudos importantes apresentam a relação entre o tabagismo e disfunção erétil , como por exemplo, o Massachusetts Male Aging Study, realizado nos Estados Unidos, que encontrou o dobro de chance de disfunção moderada ou completa em indivíduos que fumam há aproximadamente 10 anos. A tendência dos fumantes que ainda não estão motivados e preparados para parar de fumar é minimizar ou ignorar os dados que mostrem essa relação por meio de mecanismos de defesa psicológicos.

? Porém, esse fato pode ser um ‘gancho’ para o tratamento e aumento da motivação dos fumantes. Já para os motivados, esses dados podem servir como um incentivo maior para a abstinência ? diz o professor.

De acordo com a professora doutora Carmita Abdo, coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, nas últimas décadas, com as mudanças de políticas públicas, incluindo a criação da lei antifumo, que proíbe que se fume em ambientes fechados de uso coletivo, há maior estímulo para mudanças de comportamento e procura por tratamento adequado.

? Muitos fumantes ainda desconhecem o tabagismo como fator de risco para a disfunção erétil. Por outro lado, a conscientização crescente da importância do problema e o surgimento de tratamentos mais eficazes são os grandes responsáveis pela mudança que já se percebe neste cenário ? diz Carmita.

Recente pesquisa do Ministério da Saúde revelou entretanto que o número de fumantes vem caindo. De 2006 a 2009, o percentual de fumantes da população brasileira caiu de 16,2% para 15,5%.

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