Alistamento militar pode ser permitido às mulheres

Proposta do Ministério da Defesa daria às jovens opção de fazer treinamento básico e atuar na área social

A estudante do Colégio Militar Marina Finger, 17 anos, propôs o serviço feminino em uma edição do Parlamento Jovem
A estudante do Colégio Militar Marina Finger, 17 anos, propôs o serviço feminino em uma edição do Parlamento Jovem Foto: Diego Vara

O alistamento nas Forças Armadas pode ser estendido também às mulheres. Ao completarem 18 anos, elas poderiam se inscrever como voluntárias, com direito a treinamento militar.

Aproposta consta da nova Estratégia Nacional de Defesa, documento do Ministério da Defesa que será lançado na quinta-feira. A idéia é que as Forças Armadas possam ter recrutas do sexo feminino. Elas receberiam um treinamento militar básico e depois seriam designadas para atuar com serviços sociais. Ao contrário do que acontece com os homens, o alistamento para mulheres não seria obrigatório.

Existem diferenças entre o que é cogitado – e que será chamado serviço social civil voluntário – e o modelo existente. Mulheres são admitidas nas Forças Armadas desde 1980, mas não nos postos de cabo e soldado. Elas ingressam direto a partir do posto de sargento, por concurso ou por prova de títulos e aptidão física. O que o Ministério da Defesa planeja é que as mulheres ingressem como recrutas (soldados rasos) por um período de, no máximo, um ano, sem concurso e sem prova de títulos, apenas dependendo da existência de vagas. Só poderiam galgar postos se fizessem provas seletivas posteriores a esse período. A idéia é que atuem mais nas áreas de saúde e intendência (suprimentos).

O salário de um recruta do Exército será de R$ 514 em 2009, e o Ministério da Defesa não tem dúvidas de que a procura por vagas femininas, caso elas sejam aprovadas, será maior do que as necessidades. Hoje existem 1,8 milhão de jovens do sexo feminino no país.

É provável que uma gaúcha tenha influenciado o plano. Marina Finger, 17 anos, estudante do 3º ano do Ensino Médio no Colégio Militar de Porto Alegre, propôs a deputados federais a criação do serviço militar feminino voluntário. Ela fez isso ao participar da 5ª edição do Parlamento Jovem, em novembro, na Câmara Federal.

A idéia dela chegou, via assessores parlamentares, ao comando das Forças Armadas. A diferença é que Marina preconizava serviço militar voluntário e não civil – mas, na prática, a proposta do Ministério da Defesa é quase a mesma.

Ao contrário do que se possa deduzir, Marina não pretende seguir carreira militar.

– Sugeri a adoção do serviço militar para mulheres, aos moldes masculinos, ao ver que muitas colegas minhas ambicionam ter a mesma oportunidade dos guris – explica.

Viabilidade do projeto será estudada no começo de 2009

A adoção do recrutamento feminino ainda não está decidida. O Ministério da Defesa informa que será feito um estudo de viabilidade para a criação e regulamentação no primeiro semestre de 2009. A Estratégia Nacional de Defesa, na qual está prevista a novidade, será oficializada em cerimônia no Palácio do Planalto.

O ministro Mangabeira Unger, da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), é favorável à obrigatoriedade do alistamento feminino. Já o ministro da Defesa, o gaúcho Nelson Jobim, mostra-se mais inclinado ao voluntariado.

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