Amamentação tem etiqueta?

Amamentar é tudo de bom, mas há quem considere inadequado em locais públicos

Priscila Costa Alves nunca deixa o bebê Antônio chorando de fome
Priscila Costa Alves nunca deixa o bebê Antônio chorando de fome Foto: Emílio Pedroso

Como faz desde que ganhou nenê, a assistente de procuradoria Priscila Costa Alves, 33 anos, desfruta da licença-maternidade dando longas caminhadas na companhia de Antônio, cinco meses. Como mandam os preceitos atuais da pediatria, ela amamenta exclusivamente até os seis meses e com demanda livre, ou seja, qualquer hora é hora de peito.

Quando ouve o chorinho de fome, Priscila para no café mais próximo, abre os botões do vestido florido e oferece o seio ao filhote esfomeado, atraindo olhares discretos de curiosidade e admiração.

– Sei que tem gente que acha constrangedor uma mulher com o seio nu na rua, amamentando, mas eu nunca o deixaria chorando de fome, da mesma forma que eu não deixaria de dar minhas voltas – revela Priscila, que já deu de mamar no supermercado, no táxi e no restaurante, entre outros locais.

Sem questionar os benefícios da amamentação, há quem ache deselegante um seio à mostra em locais não reservados. E já que não seria nem um pouco politicamente correto proibir a prática em restaurantes, o bom senso vira a melhor solução para esses casos.

– Por um lado, o ato de amamentar já foi pervertido socialmente, por isso seria incoerente não permiti-lo, até mesmo porque aquela criança também está se alimentando na sala de refeição como os outros, e para ela não existe alimento melhor. Por outro, acho que a situação não deve ser vulgarizada. Se existir um local no ambiente reservado para isso, melhor – opina o chef Jorge Nascimento.

Um exemplo de polêmica recente no Brasil ocorreu ano passado, quando uma mulher foi proibida de amamentar seu bebê, de apenas dois meses, em uma exposição no Itaú Cultural, em São Paulo. A partir desse acontecimento foram organizados, via Facebook, “mamaços” coletivos pelo país todo.

Mas se é quase impossível achar um local público que proíba uma mulher de amamentar no Brasil, isso não acontece nos Estados Unidos e na Europa, onde há restaurantes que restringem até mesmo a entrada de crianças. A britânica Anisa Baker, 32 anos, foi recentemente expulsa de uma loja por amamentar sua filha. Ela reclamou, mas ficou ainda mais surpresa quando outro gerente mais experiente confirmou que a amamentação não era permitida na loja.

No Estados Unidos, Corday Piston foi convidada a deixar um restaurante da rede Johnny Rockets em Kentucky quando estava amamentando sua filha de seis meses. O gerente disse a ela que fosse amamentar em um banco público.

– Você vê: no Brasil, todo mundo mostra a bunda, mas mostrar o seio pode gerar discussão moral. A mulher não só pode como deve amamentar onde quiser, a hora que quiser. O importante é que ela se sinta à vontade e não prejudique a amamentação – defende o pediatra Ariel Azambuja.

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