Amigas, colegas e comadres: a vida dentro e fora dos palcos de Marieta Severo e Andréa Beltrão

Dupla, que já fez várias parcerias, agora está na peça "As Centenárias"

A amizade entre Andréa e Marieta começou em um camarim de teatro
A amizade entre Andréa e Marieta começou em um camarim de teatro Foto: Gustavo Stephan

Há 21 anos, um convite despretensioso em meio a uma reunião de elenco fez nascer uma amizade e um teatro. A equipe da peça A Estrela do Lar, de Mauro Rasi, decidia quem ficaria com quem nos camarins do Teatro Copacabana, no Rio, e Andréa Beltrão esperava a decisão em silêncio.

Aos 26 anos, com 10 peças no currículo e fama nacional como a Zelda Scott de Armação Ilimitada, ela havia sido convidada por Marieta Severo, protagonista e produtora da peça. Até então, as duas só se conheciam de nome e de vista, mas, para Andréa, Marieta era Marieta Severo, com tudo que aquele nome e sobrenome representavam na dramaturgia brasileira. Imaginou, claro, que a estrela do espetáculo iria ficar sozinha no camarim maior, para poder se concentrar antes de cada apresentação e…

? Odeio ficar sozinha no camarim ? disse Marieta. ? Andréa, você não quer ficar comigo, não?

Sim, Andréa queria. Começava ali uma sintonia que nunca mais teve fim. Elas chegavam mais cedo ao teatro para conversar tudo que tinham para conversar, e ainda assim faltava tempo. Soava o segundo sinal, avisando que deveriam entrar no palco, e Andréa e Marieta ainda não estavam prontas.

? Vida de camarim, quando dá certo, é um sonho. No sentido profissional, não há nada mais íntimo do que dividir um camarim: ali estão habitando todas as suas inseguranças, seus medos, vaidades, certezas, alegrias e tudo mais ? diverte-se Andréa.

A amizade extrapolou o camarim do hoje extinto Teatro Cocapabana e se converteu em uma parceria duradoura e fecunda. Juntas, elas estrelaram os espetáculos A Dona da História, Sonata de Outono e, mais recentemente, As Centenárias, que encenam neste final de semana no Teatro Pedro Ivo, em Florianópolis ? texto de Newton Moreno sobre duas carpideiras que celebram uma longeva cumplicidade enganando a morte, escrito especialmente para elas.

Na TV, por sete anos, foram tão inseparáveis como na vida real, interpretando as melhores amigas Marilda e Nenê em A Grande Família, uma dupla que serviu para associar ainda mais a imagem de Andréa, 47 anos, à de Marieta, 64. Tanto que os fãs ainda se ressentem da partida de Marilda, depois que Andréa deixou o elenco do seriado para se dedicar a outra série, que deverá estrear em breve, com Fernanda Torres.

? Na rua, sempre me perguntam da Marieta. É o melhor cartão de visitas do mundo ser amiga dela ? brinca Andréa.

? A Grande Família foi muito divertido porque a gente expôs uma intimidade de amiga, uma afinidade que é só nossa. E isso mostrou de uma maneira muito simpática e verdadeira a amizade da gente ? completa.

Família

Fora dos sets e dos camarins, Marieta e Andréa formaram outra grande família. Há 15 anos, quando Andréa engravidou do primeiro dos três filhos, Francisco, deu a notícia para Marieta, acrescentando o convite que lhe parecia óbvio:

? Tô grávida e você vai ser a madrinha.

Comadres de fato, o laço se estreitou ainda mais. Francisco cresceu e virou Chicão, amigo e parceiro de guitarra de Chiquinho, neto da amiga, de 14 anos. Maurício Farias, marido de Andréa, é diretor de A Grande Família, uma parceria que ainda segue com Marieta. E o namorado da intérprete de Dona Nenê, Aderbal Freire-Filho, dirige as duas amigas em As Centenárias, além de tê-las dirigido também em Sonata de Outono. E todos se encontram em jantares frequentes, de preferência em restaurantes ou em casa alheia, já que as duas não cozinham ? no máximo, diz Andréa, sai um brigadeiro.

Mas foi em um jantar “a duas” que começou a gestação de um filho comum. Há cerca de sete anos, as amigas batiam papo e tomavam vinho em um restaurante quando a conversa enveredou para um sonho de Marieta: abrir um teatro. Depois de um ano e meio de muito trabalho, busca de patrocínios e papelada, abriram o Teatro Poeira ? ou Poeirinha, como Marieta chamou carinhosamente na entrevista.

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