Animação Rio estreia nesta sexta-feira em mil salas de cinema do país

Diretor Carlos Saldanha fala da cidade brasileira com propriedade

Animação Rio mostra cenas hiperrealistas de cartões postais do Rio de Janeiro
Animação Rio mostra cenas hiperrealistas de cartões postais do Rio de Janeiro Foto: Fox

Das paisagens brancas, cheias de neve e frias da trilogia A Era do Gelo para o sol, a praia e o Carnaval do Rio de Janeiro, o diretor brasileiro Carlos Saldanha mudou mesmo de ares. Seu mais novo filme, Rio, estreia nesta sexta-feira em mil salas no Brasil, em 3D, pelo estúdio Blu Sky.

Um festival de cores e aves desfila com música empolgante na primeira cena do filme, dando indícios ? como já havia sido visto em diversos trailers ? que Rio é uma produção multicolorida, alegre e, de acordo com Saldanha, uma homenagem à cidade e ao Brasil.

A fotografia e direção de arte são impecáveis, com cenas hiperrealistas de cartões postais do Rio de Janeiro (como o Pão de Açúcar, o Cristo Redentor e a Lapa), as favelas e, talvez, a melhor criação do filme: o sambódromo em pleno Carnaval, com carros alegóricos, passistas, e uma multidão de foliões.

Confusões de Blu

A trama começa com Blu, a última arara macho de sua espécie, vivendo tranquilamente com sua dona, Linda, nos Estados Unidos. Lá, eles são descobertos por um ornitólogo que convence a moça a trazer seu animal de estimação para o Brasil para procriar. Chegando ao Rio, a confusão começa. O filme é apoiado em ótimos personagens secundários, em excelente trilha sonora e em aventuras nunca antes vividas por Blu, que se mostra desajeitado e ingênuo.

Apesar do foco principal ser Blu, o cenário do Rio de Janeiro ganha grande importância, retratando uma cidade cheia de estereótipos.

Saldanha sabe o que faz, usa com consciência e eficácia cenas na praia, favela, referências ao futebol, ao samba e ? apenas em uma rápida cena ? a uma mulher de biquíni. São elementos inegavelmente intrincados na cultura brasileira e que casam muito bem com a história do filme.

Se fosse norte-americano, certamente a visão seria muito mais exagerada e, talvez, até mais agressiva, o que não acontece aqui justamente para agradar a todos os públicos, sendo muito mais sutil.

O ponto de partida da história é criativo, mas o roteiro peca pela falta de surpresas. Blu é uma arara insegura, que não sabe voar, e veio ao Brasil para procriar com a selvagem e temperamental Jade ? a contragosto dela. Alguma dúvida de como vão terminar as coisas? A proeza do roteiro é tocar em temas como o contrabando e a extinção de animais, os problemas das crianças nas favelas, sem se aprofundar, ser piegas ou querer dar uma lição de moral.

Trabalho técnico impecável

A trilha sonora, assinada por John Powell (Kung Fu Panda e Como Treinar o Seu Dragão), mistura músicos norte-americanos com brasileiros. Tem Carlinhos Brown, Black Eyed Peas, Jamie Foxx, Bebel Gilberto e Taio Ceruz. Na dublagem, as canções também são recriadas, lembrando muito as clássicas animações da Disney no começo de suas criações.

O marketing em cima do filme foi forte. A pré-estreia, feita no Rio de Janeiro, no mês passado, reuniu estrelas como Anne Hathaway (O Diabo Veste Prada) e Jesse Eisenberg (A Rede Social), para a divulgação do filme ainda que, aqui, a maioria das salas terá exibições em versão dublada (que, aliás, é de boa qualidade).

Estrear em mil salas ? quase metade das existentes no país ? não é para qualquer filme. Rio está sendo divulgado como o maior lançamento já feito pela Fox no Brasil. E não é para menos, os milhões de dólares gastos no filme criaram um bom entretenimento, que devem atrair a criançada e a família ao cinema.

No fim, Rio é uma divertida história, uma homenagem ao Rio de Janeiro, com um ótimo trabalho de equipe técnica.

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