Artigo: “A primeira vez” — como pais e filhos podem lidar melhor com a situação

A perda da virgindade das filhas ainda gera grande conflito em algumas famílias

Fibras solúveis presentes no suco de aveia são eficazes na redução dos níveis de colesterol
Fibras solúveis presentes no suco de aveia são eficazes na redução dos níveis de colesterol Foto: Genaro Joner

Parece coisa ultrapassada, mas não é: a perda da virgindade das filhas ainda gera grande conflito familiar. Por mais que seja algo natural, muitos pais preferem não enfrentar a realidade de que a menina de ontem é hoje uma mulher. Até mesmo as mães que se consideram modernas porque falam sobre sexo parecem se intimidar diante da realidade de que sua filha não é mais virgem.

A perda da virgindade, embora natural, não pode ser banalizada, afinal é algo muito importante na vida de qualquer pessoa, embora para as mulheres ainda exista um tabu difícil de ser superado. É, portanto, no sexo feminino que as dificuldades se ampliam a ponto de tentarem esconder dos pais o início de sua vida sexual. Muitas filhas se sentem constrangidas, envolvendo-se em sentimentos de culpa ou medo de ferir os pais, preferindo o silêncio. Nessa situação a perda é de ambos: dos pais porque deixam de participar de um momento decisivo e fundamental para suas filhas e dessas por perder o vínculo da cumplicidade que poderia fortalecer o respeito e a amizade com os pais.

Essa é uma situação que pode gerar conflitos intensos com consequências marcantes na vida sexual da mulher. É preciso encarar o fato de que não é porque o tema está sempre em evidência, muitas vezes de forma tão desapropriada e vulgar, que a “primeira vez” não seja fundamental para o desenvolvimento sexual da pessoa. Sexo é coisa muito séria, pois envolve não só o corpo, mas principalmente a mente. Tanto é assim, que pessoas não realizadas sexualmente tendem a ser inseguras em todos os aspectos da vida.

É evidente que em lares onde haja maior diálogo entre pais e filhos a tendência é que esses últimos acatem melhor as orientações. Mas, infelizmente, é ainda muito difícil para a maioria dos pais conversarem abertamente sobre sexualidade, principalmente com as filhas. Também a de se considerar as dificuldades de muitas filhas que, embora tenham a compreensão dos pais, preferem os manter distantes dessa situação. É primordial que pais e filhos busquem distinguir e conhecer as dificuldades que impedem essa maior aproximação, a fim de que as vençam, estabelecendo maior intimidade e aproximação emocional. Todos os esforços nesse sentido são essenciais, pois, não se pode simplesmente fechar os olhos para a realidade que se impõe em fatos.

O cultivo do diálogo familiar de forma harmônica, importante em todas as etapas da vida, se evidencia no momento em os filhos buscam seus próprios caminhos, conduzindo-os a assumir responsabilidades. Dispor-se a ouvir sem julgamento surte mais efeito do que qualquer discurso moralista e, com certeza predispõem os filhos à segurança de suas potencialidades. O efeito disso é engrandecedor na vida adulta.

É então que o respeito à individualidade de cada um, baseado na camaradagem e companheirismo, corresponde à medida exata para o entendimento e a pacificação do lar, bem como, promove a orientação segura quanto à sexualidade e os deveres que lhe são inerentes.

* Suely é educadora e mediadora de conflitos

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