Artigo ? Guarda-roupa: desejos maravilhosos ou realidades medíocres?

Efeito de redução de colesterol é mais reconhecido na soja do que em qualquer outro tipo de proteína
Efeito de redução de colesterol é mais reconhecido na soja do que em qualquer outro tipo de proteína Foto: Tiago Vianna

Por Sandrine Lage, mestre em sustentabilidade pela Universidade de Cranfield, Reino Unido, e autora do livro Sustentabilidade na Mídia: o poder de (in)formar (envolverde, 2009 – Brasil).

      “Quando uma mulher se sente perfeitamente bem vestida, pode esquecer esse aspecto dela mesma. É o que se denomina charme. E quanto mais for bem sucedida em esquecê-lo, mais charme terá”, já dizia Francis Scott Fitzgerald.

      Libertar a imaginação ao preferir peças produzidas segundo as tradições que recorrem ao saber, à experiência, à sabedoria transmitida por artesãos, de geração em geração. Reduzir o recurso a criações de artistas individuais – que, em alguns casos, apenas procuram fazer fortuna. Eliminar as compras excessivas de “imitações” e de vestuário produzido em condições desconhecidas do outro lado do mundo e de qualidade medíocre.

      Isso significa optar por um caminho em que cada peça é única, numa fuga assumida à padronização. Para quem prefere estilistas americanos (latinos ou não), pode optar, pelo menos, pelo made in no mesmo continente. Lojas de rua em vez de shoppings, quer no país onde reside ou fora dele, trarão outras alegrias.

      Entregue-se a mimos e cumplicidades e desfrute de uma confiança e de um conhecimento que lhe permita dizer não, ao mesmo tempo em que se deixa brindar com um tratamento personalizado (acesso antecipado a promoções, reserva de peças que a vendedora saiba que correspondem ao seu estilo e tamanho etc). Coisas inatingíveis face às constantes mudanças de pessoal nos shoppings. E leve a sua própria sacola (de pano) às compras. Nada de acumular sacos de plástico ou de papel desnecessários. Só não abdique da caixa de sapatos.

      Fora com as peças de faz-de-conta

      Privilegiar materiais nobres e “virar as costas” a peças “de faz-de-conta” (frequentemente made in China) garantem uma beleza eterna de graciosidade e elegância. Optar pela qualidade de básicos que envelhecem bem, comprar uma bolsa de qualidade (e apenas uma) ou um colar de pérolas proveniente de um bom joalheiro pode ser qualificado de esnobismo. Contudo, basta saber como essas peças foram manufaturadas para entender o seu custo e a sua qualidade. Experimente, por exemplo, a diferença entre lingerie sintética e de seda. Junto à sua pele (e na sua gaveta), dando primazia a uma peça interior ótima em vez de 10 medíocres.

      Agradece o seu guarda-roupa, por “respirar” de novo – com menos peças por centímetro quadrado. Basta abandonar, no passado, os dias em que perdia a conta das peças que “enchiam” o seu labiríntico armário ou da “caça” às peças desaparecidas no fundo do mesmo. Pronta para dar o primeiro passo?

      O que voltaria a comprar se perdesse a mala em uma viagem?

      Tente imaginar viver alguns meses com um guarda-roupa limitado a:

      – Sete conjuntos de exterior (casaco, impermeável, sobretudo).

      – Sete peças tipo pulôver, polo, camiseta, blusa, camisa, túnica etc.

      – Sete peças tipo calças, jeans, saia e vestido.

      – Sete pares de calçado para caminhar, botas, escarpins, sapatilhas, sandálias e chinelos.

      – Alguns acessórios (xale em pashmina, lenços, cintos, chapéus e luvas).

      Roupa íntima é um lote à parte, mas deve ser tão estudado e pensado quanto o restante.

      Ser ou não ser cúmplice do Capitalismo Gucci?

      Se for habitué da corrida às lojas de moda, não é tarde para entregar-se a uma nova abordagem. Caso não reúna as condições para comprar o vestuário dos seus sonhos, poupe até reuni-las para se presentear. Não se trata de um convite para ser cúmplice do Capitalismo Gucci (hiperconsumismo), mas sim para ter liberdade de fazer apostas mais inteligentes e refletidas. De casar o que veste com o que é.

      Idealmente, você definirá um orçamento para o vestuário, como para a alimentação ou para a educação. Porque vestir bem não é um luxo. É parte integrante de uma vida equilibrada, assim como habitar uma casa respeitável.

      Segundo Dominique Loreau, autora francesa do livro A Arte da Simplicidade que adotou o Japão para viver há mais de 30 anos, “a moda muda. O estilo permanece. A moda é um espetáculo, o estilo é o pilar da simplicidade. A moda compra-se. O estilo possui-se e é um dom.”

      Resumindo, mulheres elegantes não se assemelham a uma árvore de Natal. Investem em peças com um corte irrepreensível, graciosos vestidos simples, apenas complementados por uma ou duas belas joias, no máximo.

      Simplifique a sua vida…
      E o seu guarda-roupa

      Ordene o seu vestuário. Quando dobrado e pendurado corretamente, “respirando”, dura mais tempo. Quanto às peças fora de estação, coloque-as num local diferente. Evita a confusão no roupeiro e simplifica a vida.

      Por fim, respeite o que veste como o seu corpo: perfume o seu guarda-roupa e as gavetas, proteja as lãs dos insetos (com grãos de pimenta preta, por exemplo) e deixe-se conquistar pelos cabides em madeira, satisfazendo-se a cada momento que abre o seu guarda-roupa. Veja mais dicas:

      – Mantenha apenas as roupas que adora.

      – Selecione as denominadas “peças mestre”: calças de boa qualidade em lã fina, um ou dois pares em linho (para o verão e para a meia-estação), um belo e bom casaco e camisetas, camisas e/ou blusas variadas. Os vestidos permanecem uma opção feminina, atemporal e prática (você fica pronta com uma peça apenas).

      – Pense em três conjuntos perfeitos para três ocasiões: final de semana, saídas e trabalho.

      – Opte por peças sóbrias e clássicas: torna as nossas escolhas mais fáceis.

      – Privilegie peças que possa vestir oito meses durante o ano, consiga conjugar com outras ou vesti-las isoladamente e garanta que tenham uma textura em seda, lã, caxemira ou algodão.

      – Elimine o que é demasiado pequeno, gasto e velho (acrescentam-nos anos de vida).

      – Mantenha dois bons pares de jeans (campeões do conforto, do prático e da qualidade).

      – Permaneça fiel a um só estilo.

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