Artigo: Nas ruas contra o câncer de mama, por Maira Caleffi

Presidente do Instituto da Mama fala sobre casos da doença na Capital

Aos 30 anos, a filha única do casal Clinton irá casar com um banqueiro
Aos 30 anos, a filha única do casal Clinton irá casar com um banqueiro Foto: AP

Nas ruas contra o câncer de mama, por Maira Caleffi*
*Presidente do Imama – Instituto da Mama do RS

De 1975 a 2000, dobrou o número de casos de câncer no mundo. Até 2020, esse número será novamente multiplicado por dois. Até 2030, deve triplicar. Em relação ao câncer de mama, só em 2009 mais de 1,5 milhão de mulheres foram acometidas pela doença no mundo. Em Porto Alegre, a doença é a primeira causa de óbito nas mulheres em idade fértil e também a principal causa de mortes por câncer em todas as faixas etárias. Neste ano de 2010, devem surgir 1.040 novos casos na capital dos gaúchos e quase 5 mil no Rio Grande do Sul, de acordo com dados do Inca – Instituto Nacional de Câncer.

Trata-se de um problema global, mas que exige soluções locais, pensadas de acordo com a realidade de cada país, Estado e município. No RS, onde temos altos índices de incidência e mortalidade por câncer de mama, a luta contra a doença tem sido intensificada nos últimos anos. Com o apoio da sociedade, temos mostrado que o câncer de mama pode ter até 95% de chances de cura, quando descoberto cedo.

Mas por que nossas mulheres continuam morrendo tanto de uma doença curável em praticamente metade dos casos? Porque ainda temos muitas barreiras a vencer. A primeira delas é a desinformação. Precisamos conscientizar as pessoas sobre a importância do cuidado global com a saúde, que inclui a mamografia anual a partir dos 40 anos. O exame é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas, acreditem, mais de 40% das brasileiras com mais de 50 anos nunca fizeram mamografia em suas vidas.

Precisamos, ainda, capacitar os profissionais de saúde para o melhor atendimento e diminuir o tempo entre o diagnóstico da doença e o início do tratamento. Na rede pública, muitas mulheres recebem o diagnóstico e ficam à espera da cirurgia por um período muito maior do que os 60 dias preconizados pelos médicos. A doença avança enquanto elas esperam.

Para alertar a sociedade sobre a envergadura do problema – o Rio Grande do Sul fica atrás apenas do Rio de Janeiro em número de casos e mortes por câncer de mama –, mulheres que venceram a doença vão para as ruas em seis municípios gaúchos neste mês de julho. Em Porto Alegre, a Caminhada das Vitoriosas, que está em sua sétima edição, acontece no dia 18. O evento, que tem servido de exemplo para iniciativas semelhantes em outros Estados brasileiros, tem como objetivo mostrar que o câncer de mama tem cura. Mas, para salvar mais vidas, é preciso mobilização social e, sobretudo, vontade política. Pense nisso na hora de votar!

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