Artista catarinense, Daniela Hasse vira referência no indie brasileiro

Atualmente morando em São Paulo, ela vai expor seus trabalhos em Washington e em Paris

Daniela Hasse recebeu o título de "a artista oficial do indie brasileiro", dado pelo jornalista Lúcio Ribeiro
Daniela Hasse recebeu o título de "a artista oficial do indie brasileiro", dado pelo jornalista Lúcio Ribeiro Foto: Divulgação

Blumenauense de coração, Daniela Hasse recebeu o título de “a artista oficial do indie brasileiro”, dado pelo jornalista Lúcio Ribeiro. Além dos cartazes dos shows de bandas quase desconhecidas (e outras conhecidas, como LCD Soundsystem) que marcam o movimento musical?  o termo indie vem do inglês independent ? , carioca de 32 anos vê seus desenhos em roupas, chinelos (acaba de fechar com a Havaianas) e páginas de revistas.

Driblando a timidez, Dani falou sobre a vida em São Paulo, os contatos profissionais e o processo de criação. E contou uma exclusiva: vai expor pela primeira vez mostrando suas criações em Washington (EUA) e Paris (França).

DC: Você está em São Paulo desde quando?
Daniela Hasse: Pouco mais de três anos.

DC: Essa mudança foi necessária para a sua profissão?
D.H: Eu entrei na Hering, o desenvolvimento deles era aqui em São Paulo e fui transferida de Blumenau pra cá. Antes disso, já estava procurando emprego por aqui. Há um ano e meio saí e estou trabalhando em casa. Como surgiram os frilas? Na verdade, eu fiquei fazendo frilas não muito por opção. Fiquei fazendo e a coisa foi dando certo. Agora é opção mesmo, a não ser que apareça um emprego muito bom.

DC: Trabalhar com prazo é difícil para um artista?
D.H: Eu ainda não consegui me acostumar com esta história. Quando você está dentro de uma empresa tem o cronograma, você está lá dentro, tem aquilo para fazer. É diferente do que pegar várias coisas. E geralmente as pessoas querem para logo. Não querem para um mês depois.

DC: O  Lúcio Ribeiro (jornalista, autor do site Popload) te apelidou de “a artista oficial do indie brasileiro”. De onde surgiram as propostas para desenhar os cartazes dos shows? D.H: Começou pequenininho. Conhecia as pessoas de selos independentes, de bandas pequenas. É que nem Blumenau, você conhece todo mundo. A cena é pequena, não é porque é em São Paulo. Só o número de pessoas é maior.

DC: É preciso estar em São Paulo para acontecer?
D.H: Eu acho. Quero trabalhar mais, ter um nome forte, pra poder pegar o meu laptop e passar, sei lá, um mês na Europa, trabalhando de lá. Ainda o que eu sinto é que acontece de você estar na festa, conhece as pessoas, elas lembram de você. Pra mim, essa é a parte mais forte do frila. Se eu estivesse em Blumenau, isso não teria acontecido.

DC: Sair de casa faz parte do trabalho?
D.H: Muito. Sou uma pessoa bem caseira, mas eu me obrigo. Muitas vezes, quando tem uma festinha em que vai estar toda a galera.

DC: De onde vem essa história dos desenhos?
D.H: Sempre gostei muito de desenhar, desde criança. Eu praticamente não brincava, só desenhava. Cresci, continuei desenhando, era aquela pessoa que, no trabalho, fazia caricatura em cartão no aniversário das pessoas. Mas nunca imaginei que pudesse ganhar dinheiro com isso, nem tive uma orientação profissional. Era bem lesada.

DC: Você se formou em Letras, né?
D.H: Sim, e aí eu ia dar aula e passava muito mal porque eu sou muito tímida. Hoje em dia estou bem melhor, inclusive aqui falando contigo. Eu era bem bicho do mato, sabe? Ainda tenho dificuldade, mas, pra dar aula, era um horror. Um dia, uma amiga me chamou para fazer um teste na Colcci, fui e passei. Trabalhei lá com o Douglas (Souza, da Punkcake). Ele me ensinou muito, assim como várias pessoas.

DC: Como é o teu processo de criação?
D.H: Dependendo do que for é bem complicado. Tem épocas em que passo um período sem inspiração. Você acaba não gostando do seu trabalho, rola até uma insegurança. Depois passa e parece que vem. Quanto mais conhecimento geral você tiver, melhor. Você cria mais links e combinações de ideias. Quanto mais filme, gibi, livro, mais passeio, quanto mais observar o trabalho dos outros, tudo isso ajuda a formar links bizarros na cabeça que ajudam a ter ideia de traço, de composição, de cor, de layout.

DC: Você desenha em qualquer lugar?
D.H: (risos) Sim. Tenho um pouco de vergonha de desenhar na frente das pessoas, tipo na rua.

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