As causas do aumento de cesáreas no Brasil: especialistas apontam hipóteses

Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda uma taxa de cesáreas de 15%
Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda uma taxa de cesáreas de 15% Foto: Stock Photos

Se a maioria das mulheres quer o parto normal, a incógnita é o que ocorre para a realidade nas maternidades ser tão diferente. Segundo o médico José Geraldo Lopes Ramos, professor de Obstetrícia da Faculdade de Medicina da UFRGS e indicado pela Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Rio Grande do Sul (Sogirgs) para falar sobre o assunto, o aumento do índice de cesáreas está sendo estudado há 30 anos, período em que vêm sendo tomadas ações para diminuir esse número tudo em vão.

Documentário a ser lançado em março de 2012 no Brasil, O Renascimento do Parto analisa o fenômeno e faz um apelo à humanização do momento do nascimento. Para a psicóloga, doula (profissional sem formação médica que dá apoio às mulheres durante e depois da gestação) e acupunturista Érica de Paula, realizadora do filme com o marido, o diretor Eduardo Chauvet, os obstetras são os principais responsáveis pelos índices alarmantes, ao usar a desinformação e a insegurança das futuras mães.

– As mulheres mudam de ideia durante o pré-natal a partir da posição dos seus médicos, ou são literalmente enganadas por eles, que alegam motivos não justificados pelas evidências científicas para indicarem cesarianas – justifica Érica.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda uma taxa de cesáreas de 15% – que, conforme Ramos, é apenas uma opinião, não respaldada em trabalhos científicos. O obstetra pondera que, somadas, todas as indicações para o procedimento ficam em torno de 25% a 35% do total de partos. Ou seja: não há justificativas, do ponto de vista médico, para o índice brasileiro passar dos 50%.

O obstetra não nega que, às vezes, alguns médicos podem preferir cesáreas pela comodidade da hora marcada. Ele aponta, porém, que existem também outras razões para o aumento, uma delas, inclusive, é a autonomia que as pacientes passaram a ter com o tempo para escolher como ter o filho. Além disso, os médicos têm ficado com receio de fazer partos normais por medo de processos judiciais movidos pelos pacientes. Segundo Ramos, o número dessas ações tem crescido, muitas vezes sem razão:

– Às vezes, são coisas completamente não justificadas, absurdas. Outro dia, tivemos um processo porque a menina nasceu com estrabismo, uma divergência do olho que não tem nada a ver com o parto.

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