Assistência psicológica melhora gestação de mulheres com HIV, indica estudo

Grávidas podem ter mais qualidade de vida com pré-natal adequado

Ciência está de olho em consumidoras cada vez mais ávidas por novidades para os fios
Ciência está de olho em consumidoras cada vez mais ávidas por novidades para os fios Foto: Divulgação

Gestantes portadoras do vírus HIV podem ter uma gravidez melhor se, além do exame pré-natal adequado, puderem desabafar angústias e sentimentos, segundo informações divulgadas pela Agência USP de Notícias. A pesquisa foi apresentada na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP. Leia a seguir na íntegra.

Gestantes portadoras do vírus HIV podem ter uma gravidez de maior qualidade se tiverem, além de um pré natal adequado, um espaço durante a gestação para falar de suas angústias e sentimentos. O estudo A vivência da maternidade: um estudo com gestantes portadoras do HIV, apresentado na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, também concluiu que essas mães precisam de assistência psicológica diferenciada, bem como de um espaço para realizar discussões sobre o planejamento familiar e a educação sexual.

A pesquisa objetivou saber como as gestantes entendem a maternidade no contexto da doença e qual é o impacto desta em suas vidas.

? Por meio de entrevistas, as gestantes entrevistadas davam sua impressão sobre como percebiam a gravidez, como se percebiam enquanto mulheres e como encaravam o tratamento durante o pré natal ? declara a psicóloga Luciana Trindade Valente Carneiro, autora do estudo.

A partir dessas declarações foi constatado que durante a gravidez os problemas mais comuns se referem a questões emocionais e não clínicas, uma vez que o pré natal é realizado em um ambulatório diferenciado. Luciana explica: “Há muita insegurança por partes dessas mulheres em relação ao futuro, ou seja, se o bebê nascerá saudável ou a dúvida se na medida em que as crianças crescerem elas estarão presentes. Já em relação ao quadro clínico, todas se sentiram muito seguras ao realizar o pré natal dentro do ambulatório.”

O Ambulatório de Moléstias Infecto Contagiosas em Ginecologia e Obstetrícia (AMIGO), do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP), local onde foi realizada a pesquisa, é referência na área.

? Ali o trabalho realizado é de vanguarda e já conta com uma equipe multiprofissional o que justifica a sensação de segurança dessas gestantes em relação à saúde física ? ressalta Luciana. ? Mas, nem sempre é assim. A realidade no Brasil é diferente. Daí a necessidade de haver um trabalho multiprofissional, no qual junto com os médicos atuem psicólogos, assistentes sociais e outros técnicos. O lado psicossocial dos usuários deve ser trabalhado ? acrescenta a pesquisadora.

É neste âmbito que foi criado, no período da pesquisa, o “Grupo de Sala de Espera”, no qual as gestantes do AMIGO, enquanto esperavam por sua consulta, podiam conversar e compartilhar com outras na mesma situação seus temores e ansiedades durante o pré natal. Esse grupo sempre foi acompanhado por um psicólogo.

? Ali elas podiam falar das ansiedades e dos temores que vivenciavam durante a gravidez, como o medo do parto. Este espaço de conversa qualifica a assistência ? assinala Luciana.

Tratamento

O estudo constatou que a maioria das gestantes aderia ao tratamento durante a gestação por medo da possibilidade da transmissão vertical do HIV ao bebê, pensando sempre no bem-estar do filho e não no bem-estar próprio. Tal fator não é positivo, pois pode significar que após a gravidez a mulher interromperá a medicação.

? Isso é ruim porque mesmo após o parto elas devem se tratar para que os sintomas da doença não se efetivem.

A proposta é que haja um tratamento e acompanhamento permanentes.

? A mulher deve se cuidar e não só do filho ? afirma Luciana. ? Com um trabalho integrado você pode, não só incentivar o tratamento correto, mas também minimizar questões psicológicas e emocionais , tão comuns em gestantes soropositivas ? conclui.

A dissertação foi orientada pelo professor Marco Antonio de Castro Figueiredo, do Departamento de Psicologia e Educação da FFCLRP.

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