Atividades online estimulam e dão confiança aos jovens

Estudo conclui que navegar não é desperdício de tempo

Luciene já não se incomoda mais com o tempo que o filho Rafael passa no computador
Luciene já não se incomoda mais com o tempo que o filho Rafael passa no computador Foto: Fernando Gomes

Os adolescentes ganharam um respaldo extra na hora de argumentar com os pais que reclamam sobre o excessivo tempo que passam na frente do computador. Um estudo da Fundação MacArthur, nos Estados Unidos, concluiu o que parece óbvio para a garotada: internet faz bem.

Como parte de um investimento de US$ 50 milhões para descobrir como as mídias digitais são integradas às vidas dos adolescentes, pesquisadores observaram jovens conectados durante 5 mil horas. A conclusão: não há motivo de preocupação nem é desperdício de tempo navegar por salas de bate-papo, sites de relacionamento, como o Orkut, e jogos online. Pelo contrário, essas atividades estimulam e dão confiança aos jovens.

– A adolescência é uma fase de mais ansiedade, e essas ferramentas facilitam o contato com o grupo e um certo grau de desinibição – analisa o psiquiatra de infância e adolescência Daniel Spritzer, coordenador do Grupo de Estudos sobre Adições Tecnológicas, do Rio Grande do Sul.

Rafael Lemanski Santos, 15 anos, passa bastante tempo no micro. Há dias em que chega do colégio, almoça, liga o computador e só desliga ao dormir. As atividades preferidas nem são difíceis de adivinhar: Orkut, MSN e games. É pela web que combina encontros com os amigos e mantém contato com os que não vê seguidamente. Do game online Priston Tale, até a namorada tem ciúmes.

– A gente acaba fazendo amigos no jogo – diz ele.

Luciene, a mãe do garoto, admite que já chegou a se preocupar com o uso excessivo do computador. Hoje, não mais. Rafael vai bem no colégio e não deixa de sair com os amigos para ficar conectado.

– Ele organiza os horários de estudo, não cobro se está no computador. É uma relação de confiança – diz Luciene.

Na internet brasileira, a faixa etária de 12 a 17 anos é a que mais cresce, chegando a 4,3 milhões de acessos residenciais em outubro (alta de 26% em um ano, enquanto a internet residencial brasileira como um todo aumentou em 19%), segundo o Ibope/NetRatings. Pesquisadora da área de cibercultura da Universidade Tuiuti do Paraná, Adriana Amaral lembra que, se hoje há pais que culpam o computador, no passado o vilão foi a TV.

E nem tudo é diversão na atividade online dos adolescentes. Apesar de a turma com 12 a 17 anos representar 18% da audiência residencial da web no país, responde por 25% dos acessos à Wikipédia, a enciclopédia online colaborativa – um sinal de que a internet também é ferramenta de aprendizado.

Quando a internet vira doença

Se a internet pode estimular os jovens, também há os que extrapolam o uso saudável da rede. Horas excessivas no computador podem virar dependência, aí a web vai junto para o divã.

– Há um fenômeno de os jovens acabarem ficando viciados, dependentes de jogos eletrônicos e internet. Eu tenho (pacientes assim) e quase todos os meus colegas também – alerta o psiquiatra Daniel Spritzer, coordenador do Grupo de Estudos sobre Adições Tecnológicas do Rio Grande do Sul.

Em outubro, os internautas brasileiros de 12 a 17 anos passaram 44 horas e 50 minutos na web a partir de suas casas, seis horas a mais que a média nacional, de acordo com o Ibope/Net­Ratings. O problema, porém, não é o tempo que se fica conectado, mas o uso que se faz da rede, explica o psiquiatra.

– O tempo não é um marcador absoluto, porque um adolescente tem mais tempo livre do que um adulto.

A maneira mais simples de se detectar o problema é observar se o uso excessivo do computador ou do videogame está causando prejuízo na vida da pessoa, se afeta a atividade escolar, se o jovem deixa de sair com os amigos e conviver com a família. Mesmo ficando muitas horas online, é possível manter uma postura saudável de navegação, sem interferir nas relações sociais.

Os preferidos

O que os internautas brasileiros de 12 a 17 anos preferem:

Orkut, mensageiros instantâneos, downloads, vídeos, música, jogos online, blogs, Wikipédia e conteúdos educativos

Fonte: Ibope/NetRatings

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