Ator Vladimir Brichta se apresenta na Capital neste fim de semana com a peça “Hamelin”

Espetáculo volta ao Teatro São Pedro de sexta até domingo

Vladimir Brichta volta ao Estado neste fim de semana com a peça Hamelin
Vladimir Brichta volta ao Estado neste fim de semana com a peça Hamelin Foto: Ronald Mendes

Exibido no Porto Alegre Em Cena 2010, o espetáculo Hamelin volta a cartaz em Porto Alegre, de sexta a domingo, no Theatro São Pedro. O texto do espanhol Juan Mayorga propõe uma relação com o conto folclórico O Flautista de Hamelin, mas a história é bem contemporânea: um juiz (interpretado pelo ator Vladimir Brichta, da série Tapas & Beijos, da Rede Globo) investiga um caso de pedofilia. Com direção de André Paes Leme, a montagem aposta na linguagem provocadora ? o que Brichta aponta como um dos grandes trunfos do espetáculo. Na última quarta-feira, Brichta falou por telefone a ZH sobre a peça e seus outros trabalhos. Veja a íntegra:

Zero Hora ? A peça está em cartaz há quase dois anos. A encenação mudou muito desde a estreia?

Vladimir Brichta ? Algumas coisas se alteram. A peça vai naturalmente amadurecendo, tem personagens e trama muito ricos. A trama é muito subjetiva, então é um vinho: quanto mais envelhecer, melhor fica. Muitas coisas vão sendo descobertas. Já quase cometi equívocos, de conduzir o personagem por um caminho de que hoje eu discordo. Em dado momento, eu o conduzi como se ele se identificasse com a vítima, depois com o pedófilo. Hoje, vejo que, se eu deixar em aberto, (o espetáculo) fica mais rico. Essa é uma das maravilhas de fazer teatro.

ZH ? Você percebe se o público tem a expectativa de ver a história do flautista de Hamelin reproduzida na peça?

Brichta ? Na verdade, não sei o quanto as pessoas conhecem a história. Muitas pessoas comentam que lembram do conto, outras pedem para lembrar. O juiz, personagem da peça, tem fixação por essa história, porque o pai dele contava para ele quando era pequeno. Existem alguns paralelos. No conto, ele (o flautista) ameaça a cidade, e no fim de certa forma ele abusa da inocência das crianças. Quem conhece o conto tem chance de fazer mais paralelos e ter um entendimento mais amplo da peça, mas não é necessário para entender a história, não é pré-requisito.

ZH ? A reação do público é, muitas vezes, de indignação?

Brichta ? Sim. Tivemos uma experiência bem calorosa em Angra dos Reis (na Festa Internacional de Teatro de Angra dos Reis, no ano passado), com uma plateia maior. Em dado momento, quando o personagem diz algo mais estarrecedor, o pessoal reagia com um “Oh!”, parecia até um lance de jogo de futebol. A trama é investigativa. No final, as pessoas ficam ávidas por tirar conclusões, porque a peça não é conclusiva, ela é sugestiva.

ZH ? É um trabalho desafiador para o elenco?

Brichta ? Sim. Temos que estar sempre lembrando o discurso, é uma peça com discurso claro. Se fosse só o drama, para emocionar, poderíamos pesar em determinadas cores. Mas não é esse o objetivo.

ZH ? Você acha que seria viável adaptar essa peça para a televisão, por exemplo?

Brichta ? Não sei. A peça é muito em cima da palavra. A TV permite grandes efeitos, repetir o real _ algo que, se o teatro tentar, vai ficar pobre. O teatro vai, pela palavra, aguçar as discussões. Esse é o lugar do teatro. A TV e o cinema se pretendem mais realistas. Essa história poderia ser filmada, mas talvez perdesse inclusive o jogo de linguagem que é proposto.

ZH ? Você está na série Tapas & Beijos (com Andrea Beltrão e Fernanda Torres nos papéis principais), mais voltada à comédia. É, por exemplo, um trabalho propício à improvisação?

Brichta ? O programa pretende divertir, então temos um time especial, atores com tarimba e personalidade. O lugar do improviso está mais na forma de fazer do que no que se vai fazer. Os diálogos são muito concisos, o Cláudio Paiva (criador da série) é cartunista, trabalha muito com a síntese. Então, não adianta esgarçar nisso, se não a gente perde a piada. Mas é impossível dizer o que vai se passar na cena com esses atores. Andrea, por exemplo, tem muito talento para o inusitado. A série vai até dezembro, com grande chance de continuar no ano que vem.

ZH ? Quais são seus próximos projetos?

Brichta ? Estou captando recursos para fazer uma nova montagem da peça Arte, da dramaturga francesa Yasmina Reza. Essa peça já teve grande sucesso no Brasil nos anos 1990, com direção de Mauro Rasi. Agora, propomos uma outra abordagem, mais moderna, com um elenco mais nova. Emílio de Mello será o diretor, e eu vou atuar e também produzir.

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