Audrey Tautou explica como foi encarnar Coco Chanel no cinema

Audrey Tatou como Coco Chanel
Audrey Tatou como Coco Chanel Foto: Warner, divulgação

Uma mulher pequenina. Frágil e forte ao mesmo tempo. Cheia de personalidade e teimosa, que se recusa a ser classificada segundo os rótulos sociais da época. Une femme d’exception. Ou seja, uma mulher única. Quem? Audrey Tautou? Não. Grabrielle ‘Coco’ Chanel. Ou melhor, duas mulheres excepcionais. “Eu sempre soube que seria Chanel no cinema. Não porque somos muito parecidas, mas porque temos o mesmo ‘nariz empinado’, não acha?”, brincou a atriz francesa em conversa, em Paris.

Tautou, que ganhou fama mundial por seu papel de uma ‘fada moderna’ em “O Fabuloso Destino de Amelie Poulin” e por viver a ‘neta’ de Jesus em “O Código Da Vinci”, faz questão de brincar e ser o mais ‘normal’ possível quando o assunto é sua fama. Mas seu novo papel não está ajudando muito nesta ‘normalidade’. O longa dirigido pela francesa Anne Fontaine revela quem foi Coco antes de se tornar o fenômeno Chanel.

Muito distante do glamour, Gabrielle nasceu em uma cidade pobre (Saumur, na região de Pays de la Loire) e ficou órfã ainda na infância. Cresceu em meio às aulas de costura do orfanato. Já adolescente, sobrevivia do trabalho em um estábulo e de ‘bicos’ como cantora em cabarés e cafés. Em um deles, foi descoberta por um proprietário de cavalos, êtienne Balsan, que a levou para sua mansão, onde a protegia e a apresentou para a alta sociedade local. Tudo ia bem, ou quase, até que Chanel conhece o inglês Arthur ‘Boy’ Capel, o primeiro amor e grande incentivador – mas um homem casado. ê aí que começa a história desta grande mulher. Com a palavra, Audrey Tatou.

Além do nariz, há algo que você e Chanel têm em comum?
AUDREY –
Assim como ela, tive de lutar pela minha independência. Prezo muito minha liberdade. Não acho que eu chegue nem perto de ser o que ela foi, mas também luto por meus ideais. Acho que este foi o grande legado dela. Era feminista sem perder a feminilidade. Eu tenho uma vida muito mais comum que a dela. Quando não estou filmando, procuro fazer tudo como sempre fiz. Moro há séculos no mesmo lugar, compro nas mesmas lojas do bairro, cuido da casa…

Você leu o livro (“A Era Chanel”, de Edmonde Charles-Roux) no qual o filme é baseado. Se inspirou muito nele para criar seu personagem?
AUDREY –
O livro foi importante, claro. Pois revela muitos detalhes que a própria Chanel não gostava de falar sobre o início de sua vida. Mas assim que acabei de ler, fechei e guardei. E passei a trabalhar a minha Chanel. Ponderando todas as contradições que o livro revela sobre sua personalidade, inspirando-me no que havia de bom e de ruim em uma figura tão complexa e, portanto, humana.

Fale mais de seu processo de criação da personagem. O que mais você pesquisou para o papel?
AUDREY
– Eu conversei bastante com pessoas que conheceram Chanel. E foi tudo muito interessante, porque isso me fez entender o quanto contraditória ela foi. Mas, passada a fase de pesquisa, parti para a minha própria criação e comecei a explorar a imaginação. Por exemplo, ela nunca falava de seu passado. Ela até chegava a inventar algumas coisas. Ela não queria que muita gente soubesse de suas verdadeiras origens. Mas não acho que isso fosse algo necessariamente negativo.Para mim, saber disso serviu, com certeza, para uma coisa: para ter liberdade para criar. Imaginei muitas coisas. E emprestei coisas minhas para a personagem. Mas sem nunca deixar de ser a Chanel.

A relação de Chanel com Boy, que era casado, por exemplo, era algo de que ela não falava muito. Mas que foi um divisor de águas na vida dela, não?
AUDREY
– Com certeza. Foi um ponto de mudança. Depois de conhecê-lo, ela tomou coragem para ser quem realmente queria ser. Ele a ajudou a abrir sua primeira loja em Paris. Ele a inspirou muito. E, apesar de nunca se casarem, pois ele já era casado, acredito que era um amor muito verdadeiro. Mademoiselle Chanel nunca se via no papel de esposa. Jamais conseguiu. Seu trabalho era importante demais para isso. E ela, meio que por razão das circunstâncias, meio que por sua própria personalidade, nunca se casou. Nem com Boy nem com nenhum outro.

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