Aumentam casos de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade

TDAH é uma doença séria e que, no Brasil, tem sido diagnosticado cada vez mais frequentemente, sobretudo em crianças e adolescentes

Confundido e usado para justificar problemas de comportamento, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é uma doença séria e que, no Brasil, tem sido diagnosticado cada vez mais frequentemente, sobretudo em crianças e adolescentes. Uma pesquisa conduzida nos Estados Unidos pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, pela sigla em inglês) detectou um aumento de 5,7% na década de 1990 para 7,6% no período analisado (2006/2008), representando uma elevação de 33% nos registros da doença.

De acordo com pesquisadores envolvidos no estudo, pelo menos 5,4 milhões de norte-americanos entre 4 e17 anos têm o diagnóstico do TDAH fechado. O trabalho foi publicado recentemente no periódico científico The Journal of Pediatrics. Psiquiatras e neurologistas brasileiros não contam com uma base de dados que aponte números tão precisos, mas estimam que de 3% a 8% da garotada e 4% dos adultos que vivem no Brasil tenham TDAH.

O problema é que, embora não seja mais uma denominação estranha a pais e educadores, o déficit de atenção e hiperatividade é alvo de grande confusão. Muitos ainda acreditam que ele seja um artifício para acobertar e desculpar crianças travessas que não gostam de estudar ou têm dificuldade de relacionamento ? ou até uma doença “inventada pela indústria farmacêutica para vender drogas”.

De acordo com a epidemiologista Susanna Visser, especialista em TDAH e uma das autoras do estudo americano, a não aceitação do distúrbio, assim como o desconhecimento sobre seus efeitos e suas repercussões, posterga o tratamento e faz com que muitas crianças sofram anos a fio sem a devida atenção médica e psicopedagógica. 

? Não temos dúvida que o TDAH sempre existiu, mas foi a quebra do estigma que permitiu a conscientização nos EUA, promovendo avanços no tratamento medicamentoso e psicológico. Nossa pesquisa deu a dimensão do problema em nosso país ? avalia.

Visser explica que o estudo também comprovou que o distúrbio atinge mais meninos do que meninas e que alguns fatores de risco parecem estar por trás dele. A hereditariedade é o mais evidente, mas a gestação em idade avançada e os partos prematuros também parecem influenciar sua ocorrência. 

O que é o TDAH?

Trata-se de um transtorno neurobiológico que compromete a atenção da pessoa, seja ela criança ou adulto. Os portadores do problema têm grande dificuldade de concentração. São indivíduos facilmente distraídos por estímulos externos ou por pensamentos internos, ou seja, são capazes de estar fisicamente presentes em um ambiente, mas com a cabeça longe dali. E como a atenção é imprescindível para o bom funcionamento da memória, os afetados pelo TDAH, em geral, são vítimas do esquecimento.

O TDAH não é um transtorno de aprendizagem, como a dislexia ou disortografia. Ele pode levar a uma dificuldade escolar porque o paciente não consegue manter o foco.
O sinal mais clássico em crianças é a desatenção. A inquietude e a impulsividade ocorrem em alguns casos. Em adultos, as manifestações estão mais relacionadas ao comportamento. A pessoa não consegue organizar o dia a dia, passa a irritar-se com isso e não se relaciona bem com os que estão à sua volta. O estresse e a depressão podem ser comorbidades.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito por médicos especialistas, geralmente neurologistas ou psiquiatras.

Como é o tratamento?

O tratamento deve ser multimodal, ou seja, uma combinação de medicamentos, orientação aos familiares, pais e professores, além de técnicas específicas que são ensinadas ao portador. A medicação é parte muito importante do tratamento.

A psicoterapia que é indicada para o tratamento do TDAH chama-se Terapia Cognitivo Comportamental. Não existe até o momento nenhuma evidência científica de que outras formas de psicoterapia auxiliem nos sintomas da doença.

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