Autora argentina de 33 anos desponta como sensação da próxima Flip

Pola Oloixarac desperta sensações controversas: é do tipo "ame ou odeie"

Nerd assumida, Pola Oloixarac tem 33 anos e está dando o que falar
Nerd assumida, Pola Oloixarac tem 33 anos e está dando o que falar Foto: Reprodução

Pola é argentina, filósofa, inteligente e bonita. Tem um blog sobre orquídeas. Seu primeiro romance, publicado quando ela tinha 31 anos, despertou amor e ódio na Argentina e foi aclamado na Espanha. Ela agora tem 33.

Pola é uma nerd assumida, vive entre hackers e escreve artigos sobre tecnologia. Pola surfa. Canta num dueto que musica poemas de uma duquesa do século 17. Citando Alexandre Kojève, define-se politicamente como “marxista de direita”.

Pola pinta as unhas de azul e mora numa casa de cinema em Bariloche. Gosta de escrever em inglês, alegando que é um idioma mais conciso que o espanhol. Parece tipo, mas compõe à perfeição a persona literária interessantíssima que ela se esforça para compor, embora nem precisasse, porque de fato é.

Pola Oloixarac, em suma, tem tudo para causar sensação na próxima Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty, de 6 a 10 de julho, para qual já confirmou presença. A obra que a lançou ao mundo e foi a senha para que ela integrasse uma antologia dos melhores novos ficcionistas de língua espanhola da revista britânica Granta chama-se As Teorias Selvagens e sairá no Brasil no final deste mês pelo selo Benvirá, da editora Saraiva.

É uma bem construída gozação sobre o “mise-en-scène” ridículo de certo mundo acadêmico e político portenho, aqui situado na Faculdade de Filosofia de Buenos Aires, onde Pola estudou. A narradora é uma aluna que tenta seduzir um velho professor renovando uma teoria já usurpada por ele a um (ficcional) antropólogo holandês, segundo a qual “a presa é a causa do homem”. O romance também corrói a esquerda argentina refém ideológica dos anos de chumbo da ditadura.

E é, ao mesmo tempo, a crônica de um casal de nerds feios que, mais evoluídos que os pais esquerdistas, agora fazem ciberguerrilha (hackeando o Google Earth e reduzindo a “guerra suja” da ditadura argentina literalmente a um game, o Dirty War 1975) e curtem orgias ? gravadas no celular e jogadas na internet ? em festas regadas a quetamina (anestésico para animais).

A Folha esteve com Pola na sua casa de Bariloche, com vista deslumbrante para o lago Nahuel Huapi e as montanhas do parque nacional homônimo. Fica num condomínio fechado, cercado de pinheiros, ciprestes e macieiras, onde lebres selvagens saltitam nos gramados. Ela mora há duas semanas na casa com o marido, Emiliano, autodefinido “fanático high-tech”, e com os amigos que quiserem chegar.

O casal veio de um período de seis meses nos EUA, onde Pola deu conferências nas universidades Harvard, Columbia e de Iowa, San Francisco e Flórida. Alugaram a casa no lago, conta, porque ela “queria fazer como o personagem de Stephen King em Misery: morar na montanha, escrever e fazer snowboard quando a neve chegar”.
Pola define As Teorias Selvagens como uma “comédia sobre os jogos tecnológicos e sexuais da juventude contemporânea”.

O escritor Ricardo Piglia a saudou como “o grande acontecimento da nova narrativa argentina”. Pola começou a escrever o livro em 2005, estimulada pela escritora americana Maxine Swann, sua melhor amiga, que a fez ver que “o mundo das ideias não está separado do mundo da diversão”. Filha de um engenheiro naval com uma psicóloga forense, escreveu o primeiro romance aos oito anos. Tem outros quatro engavetados.

Antes de filosofia, estudou medicina. Embora se diga uma “tímida evoluída”, é louca por moda e posa para retratos como garotinha, mulher fatal ou pin-up.

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