Avanço da gripe A leva órgãos a determinar que grávidas não trabalhem

Associação de Ginecologia e Obstetrícia do RS recomenda que gestantes fiquem em casa

Patrícia Conzatti Vieira, 34 anos, é uma das 60 funcionárias do Grupo Hospitalar Conceição enviadas para casa como forma de prevenção
Patrícia Conzatti Vieira, 34 anos, é uma das 60 funcionárias do Grupo Hospitalar Conceição enviadas para casa como forma de prevenção Foto: Genaro Joner

O avanço da gripe A provocou uma onda de afastamentos de grávidas dos postos de trabalho. Na terça-feira, dia 11, a prefeitura de Porto Alegre determinou que todas as servidoras municipais em gestação sigam para casa com a “maior brevidade possível”. Medidas semelhantes já foram adotadas em hospitais, no Ministério Público, no Judiciário e na Câmara da Capital.

A situação das gestantes também mobilizou a Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Rio Grande do Sul (Sogirgs), que durante o final de semana debateu o tema. Os relatos foram determinantes para a entidade sugerir, no início da semana, a permanência de todas as grávidas em suas residências, independentemente do local onde trabalhem.

– A partir do que ouvimos, por consenso, recomendamos a permanência domiciliar das grávidas. Quanto mais avançado o período gestacional, maiores são os riscos de complicação em caso de gripe – diz Clarice Diehl Stein, integrante da direção da Sogirgs.

Na hipótese de manter atividades regulares, gestantes deveriam usar máscara protetora.

– É uma forma de amenizar os riscos – pondera Clarice.

Integrante do Controle de Infecção Hospitalar do Grupo Conceição, Patrícia Conzatti Vieira, 34 anos, é uma das 60 gestantes da instituição que foram afastadas do trabalho até o final do mês.

Aos oito meses de gestação, Patrícia ficava apreensiva ao deparar com grávidas internadas com suspeita de gripe A na CTI do maior hospital do Rio Grande do Sul.

– É inevitável a gente se ver no lugar daquelas mulheres – confidencia Patrícia, que espera por Guilherme, seu primeiro filho.

Na semana passada, o Hospital de Clínicas havia feito o mesmo que o Conceição. Servidores do Ministério Público e da Justiça estadual receberam orientações semelhantes no início da semana.

Ontem, a Câmara Muicipal de Porto Alegre dispensou as gestantes. A medida tirou das funções três servidoras, incluindo a vereadora Juliana Brizola (PDT), no quinto mês.

Grávidas fazem parte de um grupo de risco para a gripe A porque o organismo reconhece o feto como um corpo estranho. Em uma tentativa de evitar que ele seja rejeitado, diminuem as defesas da mãe, o que a torna suscetível a infecções bacterianas e virais.

Ontem, uma das seis novas mortes pela gripe anunciadas no Estado foi de uma mulher de 21 anos que recém havia dado à luz.

As decisões de instituições do Estado, porém, não são corroboradas pelo Ministério da Saúde. Embora recomende que grávidas evitem locais fechados e com pouca ventilação, o ministério sugere que “tenham vida normal” – com a manutenção de suas atividades de rotina.

A orientação do governo federal tem eco no Estado. Uma reunião realizada pelo Comitê Estadual de Enfrentamento da Gripe A, no sábado, limitou-se a reproduzir a orientação de que grávidas mantenham-se distante de áreas de risco.

Em São Paulo, a Secretaria da Saúde recomendou que hospitais e demais serviços de saúde, das redes pública e privada, transfiram temporariamente grávidas para setores de menor risco e onde não haja contato com pacientes gripados.

Serviço
Especialistas e responsáveis pelo Disque-Gestante esclarecem alguns dos questionamentos mais frequentes:

– Gestantes com suspeita de ter contraído a gripe (tosse seca, dores pelo corpo e febre repentina e acima de 38,5°C) devem procurar postos de saúde ou centros de atendimento anexos a hospitais imediatamente.
– Como em qualquer outra gripe, os riscos de contágio são reduzidos com alguns cuidados básicos. Lave as mãos com frequência, evite lugares com grandes concentrações e pouca ventilação e mantenha distância de pessoas que estejam gripadas.
– Se o médico recomendar paracetamol para combater a febre e a gestante continuar febril, a medicação não deve ser trocada sem que antes ele seja consultado novamente.
– Se o marido da gestante apresentar sintomas de gripe, deve logo procurar um médico. Enquanto não estiver curado, alguns cuidados devem ser tomados pelo casal: evitar beijos e abraços, manter a casa arejada e procurar não dormir na mesma cama.
– Quando a gestante é diagnosticada com a gripe A, deve ficar internada até se recuperar. Após o período de internação, o médico responsável pelo acompanhamento do pré-natal poderá classificar o quadro como gestação de alto risco.

O TELEFONE PARA DÚVIDAS
– O Disque-Gestante, pelo telefone 0 800 6420151, é um serviço gratuito que funciona 24 horas por dia, todos os dias, e tem o objetivo de tirar dúvidas e orientar grávidas.
COMO FUNCIONA
– Grávidas ou familiares ligam para o serviço, fornecem dados como telefone e endereço e recebem um número de protocolo. Durante a conversa, são esclarecidas dúvidas e, se for o caso, é recomendado o atendimento em um posto de saúde próximo.
QUEM ATENDE
– O atendimento é feito por quatro enfermeiras e quatro biólogas, supervisionadas por uma médica.

Fontes: Jorge Hartmann, coordenador do Serviço de Obstetrícia do Hospital Fêmina, e Jane Leonardo, diretora-adjunta do Centro Estadual de Vigilância em Saúde

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