Avós do século 21 trabalham, namoram e usam a internet

No dia dedicado a elas, conheça mais sobre a nova geração de vovós

Janice Blochtein com sua neta Rafaela
Janice Blochtein com sua neta Rafaela Foto: Genaro Joner

O Lobo Mau está em crise. A avó da Chapeuzinho Vermelho foi à academia e, depois, vai dar uma passadinha no shopping. Parafraseando o psiquiatra Celso Gutfreind, não se fazem mais vovozinhas como a do clássico de Charles Perrault.

Isso não significa que as vovós – cujo dia é nesta terça-feira – do século 21 não mimam seus netos, pelo contrário. A geração que dispensa tricô e faz dieta é coruja, sim, mas na mesma proporção que trabalha, namora, sai para dançar e interage no Facebook. É o caso da empresária Janice Blochtein, 55 anos. Durante nove meses, ela curtiu cada detalhe da gestação da filha.

– É como se visse a história ganhando continuidade. A gente se renova, a vida se renova, mas é preciso prestar atenção nos limites. Avós podem ser amigos dos netos, ajudar a educar, mas desde que isso seja bom para todos os lados – resume Janice.

Ela recebe a neta Rafaela, um ano, a “paixão de sua vida”, no mínimo duas vezes por semana na sua casa, onde possui seu próprio kit de cuidados com bebê, de brinquedos a fraldas, passando por roupinhas, tudo para garantir o máximo conforto.

A psicóloga Ineida Aliatti explica que os avós têm um papel muito importante na vida dos pais e dos netos, principalmente no nascimento, momento em que ela está passando por um processo de regressão psíquica necessária para que possa entender e se dedicar ao bebê que chegou.

– Como está vulnerável e sensível, seus pais entram em cena para ampará-la – diz.

Para a psicóloga e professora de pós-graduação em Saúde Coletiva da Unisinos Luciana Suárez Grzybowski, a nova geração de avós é caracterizada pela pluralidade nas relações.

– É possível uma mulher de 35 anos ser avó, bem como uma de 70 anos. Ao contrário de anos atrás, em que os avós estavam sempre em casa, esperando os netos com um prato de doce, hoje é possível que eles não estejam tão disponíveis assim, seja porque não podem ou simplesmente não querem mesmo assumir esse compromisso – compara a psicóloga.

Luciana ressalta que uma relação saudável entre avós e netos se dá quando ocorre troca de experiências, de afeto e de cultura. Segundo a especialista, amor demais não é ruim, desde que não se ultrapasse a tênue linha que separa a autoridade que pertence ao pai e a que pertence ao avô:

– Os avós não podem desautorizar os pais. Se você não deixa seu filho tomar refrigerante, eles devem respeitar isso.

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