Balé clássico tem levado mulheres adultas para academias de dança em Florianópolis

Tendência quebra o mito de que não se pratica depois dos 10 anos

Modalidade tem atraído mulheres que deixaram para trás o sonho de ser bailarina
Modalidade tem atraído mulheres que deixaram para trás o sonho de ser bailarina Foto: Daniel Conzi

A música com notas de piano vai tomando conta da sala. As mãos das alunas estão colocadas sobre a barra. Elas vestem colant, sapatilhas e meia-calça. A professora passa os próximos passos: uma sequência de tendu (pronuncia-se tandí). Começa mais uma aula de balé clássico na Associação Cultural Arte.Dança, em Florianópolis.

Na turma, ninguém aspira entrar para o Bolshoi. A aula é de balé, mas diferenciada para adultos. Uma modalidade que tem atraído mulheres que há muito tempo deixaram para trás o sonho de ser bailarina, mas que nunca perderam a vontade de dançar.

? Começamos com uma turma em 2009, hoje estamos com três e, a cada aula aparece uma aluna nova. Já estamos começando a nivelar, para que uma mulher que nunca fez não entre na turma de quem está há dois anos ? conta a professora Letícia Gallotti.

À noite, carros vão chegando apressados em outra escola de dança, a Estação Dançar, no Bairro Coqueiros, também na Capital. Enquanto as adolescentes esperam pela aula assistindo a um vídeo de balé clássico, as adultas chegam em cima da hora, depois de um dia de trabalho. As barras nas terças e quintas-feiras à noite ficam concorridas. Quem coordena os exercícios é a professora Ana Luiza Ciscato, que também tem percebido um interesse maior entre mulheres adultas. Ela acredita que essa tendência quebra o mito de que não se dança balé depois dos 10 anos.

 Quem procura

De acordo com a professora e coreógrafa Bia Mattar, dona da escola Garagem da Dança, há dois tipos de mulheres que procuram a dança. Uma fez aulas quando criança e parou por motivos pessoais e profissionais e a outra prefere dançar em vez de frequentar academia.

A maioria passou por outras atividades físicas, como a musculação. Anaía Brognoli, 31 anos, fez jazz, ioga e entrou numa academia de ginástica. Para ela, o ambiente de corpos sarados era muito “over”.

? Havia competição. Desde a roupa até o tamanho do peito e do bumbum ? ressalta ela, que, há dois anos, voltou para a dança.

Vanessa de Moraes Silveira, 24 anos, reencontrou-se com o balé há seis anos. Além das aulas terças e quintas-feiras à noite, faz também nas segundas e quartas pela manhã. Fez balé quando criança, passou pelo jazz e, depois, street dance.

? É mais do que uma atividade física. Virou hobby ? diz.

Sem emagrecer

Mesmo trocando a academia pelo balé, é preciso saber que o exercício não queima tantas calorias como uma aula de ginástica. Não adianta procurar a dança para emagrecer. A coreógrafa e professora Bia Mattar ressalta que não é isso que atrai.

? O contato com a arte e a cultura seleciona um público específico, que não está interessado apenas no fitness. O envolvimento artístico da alma, do sonho de ser uma bailarina, perdido na infância, encontra espaço nas aulas semanais, que ajudam muito na autoestima e na postura física ? observa.

Para a fisioterapeuta Andrea Allegrini Padial, 29 anos, é o momento de relaxar, depois de um dia estressante dentro de uma UTI. Ela descobriu a dança há um ano, quando matriculou a filha.

? Sou muito agitada. Aqui, fico calma e não falo tanto. Também gosto do lado tradicional. Combina comigo ? conta.

Assista ao vídeo de uma aula de balé:

Bom preparo

Apesar de não ser emagrecedor, o balé trabalha partes do corpo valorizadas pelas mulheres e apreciadas pelo homens. Os exercícios são focados nas pernas, que ficam torneadas. Também mexem com bumbum e abdômen, que precisam estar contraídos durante os movimentos.

A atividade também desenvolve a coordenação a flexibilidade e a postura. Por isso, a professora Letícia Gallotti sempre pede para as alunas fazerem um check-list básico antes de cada exercício: barriga para dentro, bumbum apertado e pescoço comprido.

Bom preparo físico também é necessário. A professora Ana Luiza Ciscato explica que, quanto mais avançadas ficam as alunas, mais fortes são os exercícios. Há saltos e alongamento puxado. Tudo ao som de música clássica.

Outro lado bom do balé adulto é que não há contraindicação e as alunas não precisam ser magras, como Nina, personagem do filme Cisne Negro. Elas também não ficam com o indesejado “pé de bailarina” ? com calosidades e ferimentos. Talvez uma unha ou outra fique machucada. Cãibras são comuns, porque é exigido que se estique muito a ponta do pé durante os movimentos.

Onde fazer:

:: Estação Dançar

Rua Desembargador Pedro Silva, 2644 Coqueiros (48) 3028-6977
R$105, duas vezes por semana, duração 1h

:: Garagem da Dança

Av. Madre Benvenuta, 1636 – sala 9 Santa Mônica (48) 3209-9023
R$ 95, duas vezes por semana, duração 1h

:: Associação Cultural Arte.Dança

Rua Coronel Lopes Vieira, 140 – Centro (48) 3879-9978
R$ 140, duas vezes por semana duração 1h15min

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