Beber é bom, degustar é melhor

Há mais mistérios entre o vinho e o sabor que ele pode ter do que imaginam os apreciadores da bebida

Foto: Divulgação

O vinho não é uma bebida simples. Apesar de o rótulo dizer que dura por tempo indeterminado, ele tem infância, juventude, idade adulta, velhice e chega ao ponto em que morre.

? Se um vinho dura 30 anos e eu tomo com dois anos, estarei cometendo um infanticídio. Ele não está evoluído, não atingiu a plenitude de maturidade. É preciso saber a hora de bebê-lo ? afirma o presidente da Associação Brasileira de Sommeliers no Distrito Federal (ABS-DF), Antônio Duarte.

Para agilizar o amadurecimento, o oxigênio entra em ação. É ele que, em pouca quantidade dentro da garrafa, obriga a bebida a evoluir lentamente. Uma vez fora dela, há acessórios que são projetados exatamente para otimizar o contato do gás com o vinho.

? Aerar significa oxigenar o líquido para que todos os seus aromas e características se tornem mais presentes e para que o vinho fique perfeito na hora da degustação ? explica o sommelier Bruno Hermenegildo, membro da Confraria dos Sommeliers de São Paulo, uma das mais concorridas do Brasil.

Os vinhos muito velhos também precisam de uma dose de cuidado. É comum que alguns componentes da bebida decantem ao longo da vida e se depositem no fundo da garrafa. A chamada borra não é ruim, mas tem gosto forte e influencia o sabor do vinho. E, sim, para separar a borra do vinho, há acessórios específicos, que muitos nem sequer ouviram falar. Teste seus conhecimentos.

No ponto certo
Além de todos os cuidados, o vinho exige uma temperatura correta. Ao chegar na taça, a bebida esquenta de um a dois graus e, por isso, a temperatura na garrafa precisa ser certeira. Espumantes devem ser servidos a 5º ou 6º.

? É como um refrigerante: se estiver muito quente, o gás vai embora rapidamente. Quando aberto na temperatura ideal, as bolhinhas vão se soltando à medida que a temperatura aumenta ? explica Antônio.

Vinhos brancos leves precisam estar 8º; os brancos mais pesados, a 10º; e os rosês, de 10º a 13º ? nos três tipos, o objetivo é desfrutar os aromas e, acima da temperatura indicada, eles ficam presos na taça. Já os tintos leves devem ser degustados em temperatura de 14º a 16º ? acima disso, os taninos (responsáveis pela adstringência da bebida) aparecem com mais força; e os tintos encorpados não podem passar dos 20º.

? Nenhum deve passar dos 20º porque o álcool se acentua ? afirma o sommelier Antônio.

Agradecimentos: Associação Brasileira de Sommeliers ? Distrito Federal

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