Bebês com doença de adulto

Convulsões e paralisia do corpo são alguns sinais da doença que pode atingir até mesmo os recém-nascidos
Convulsões e paralisia do corpo são alguns sinais da doença que pode atingir até mesmo os recém-nascidos Foto: Andréa Graiz

Mal costumeiramente associado aos adultos, o acidente vascular cerebral (AVC), doença que mais mata no Brasil e em muitos países do mundo, também atinge crianças – não poupa sequer os bebês que ainda estão na barriga da mãe.

Embora a causa do problema tenha origens diferentes, os sintomas e as sequelas do mal são as mesmas. Em casos mais graves, quando a circulação sanguínea no cérebro é interrompida por muitas horas, funções como respiração, locomoção e fala são comprometidas seriamente e nem sempre voltam ao normal. Algumas crianças permanecem em estado vegetativo.

O fator de risco mais comum para a ocorrência do AVC infantil é a anemia falciforme. A pediatra e hematologista Ísis Magalhães explica que esse tipo de anemia é genética, não tem cura e afeta mais crianças negras do que brancas. O mal altera as hemoglobinas e os vasos sanguíneos. Essas estruturas ficam obstruídas, o que facilita a ocorrência do AVC.

– Cerca de 10% das crianças vítimas dessa anemia acabam sofrendo o acidente vascular cerebral. Em proporções bem menores, o AVC na garotada também pode ocorrer devido a outras disfunções no sangue ou no sistema imunológico, a infecções, à meningite e a cardiopatias – explica a médica.

Nem todos os profissionais de saúde conseguem perceber e diagnosticar o AVC em crianças. Há duas décadas, muitos nem acreditavam que ele poderia ocorrer em pacientes tão jovens. Até hoje, os estudos sobre os derrames infantis são raros – e não existem documentação ou estimativas oficiais da incidência no Brasil.

De acordo com Ricardo Teixeira, neurologista do Instituto do Cérebro de Brasília, os sintomas do AVC em crianças são os mesmos manifestados pelos adultos.

– O complicado é que a criançada nem sempre sabe explicar o que está sentindo, mas as manifestações são as mesmas. Os sintomas são súbitos para todas as idades. Perda repentina da força e da sensibilidade, alteração visual, desequilíbrio e comprometimento nas funções da fala e entendimento são os mais comuns e marcantes – observa.

Saiba mais

O acidente vascular cerebral (AVC), conhecido como derrame, é uma doença Cardiovascular provocada pela falta ou restrição da irrigação de sangue no cérebro.

Ocorrência

:: Quando um vaso ou artéria que leva nutrientes e oxigênio para o cérebro é
bloqueado ou rompido.

Sintomas 

:: Paralisia de metade do corpo, convulsões, principalmente nas primeiras 24 horas do
início do evento e perda de movimentos.

Tratamento

:: O importante é identificar a causa, o que indica os tipos de sequelas que podem ocorrer com a criança e a terapia para amenizá-las.

Fonte: Instituto do Cérebro de Brasília

Rapidez necessária

O diagnóstico é importante, porque os riscos de uma nova ocorrência de AVC são grandes. Por impedir a circulação sanguínea e a oxigenação no cérebro, o AVC provoca a morte de células nervosas responsáveis pelo controle de funções corporais. Dependendo da área afetada, resulta em fraqueza nos membros, em problemas para se comunicar, enxergar ou ouvir, em incapacidade de raciocínio e compreensão, em perda de memória e em dificuldade para expressar emoções.

Os problemas emocionais e de depressão, como choro e risos inapropriados, são as principais manifestações das repercussões psiquiátricas e psicológicas.

– É um evento preocupante em crianças, mas é importante salientar que a capacidade de regeneração do cérebro delas é maior que a do adulto. Então, a possibilidade de vencerem as sequelas é maior, principalmente se o diagnóstico e o tratamento forem feitos rapidamente – ressalta o neurologista.

Reabilitação é essencial

Para minimizar as chances de um novo acidente em crianças com anemia falciforme, é preciso que elas façam transfusões sanguíneas periodicamente. Também é fundamental que essas crianças tenham acesso ao doppler transcraniano, exame capaz de mensurar o fluxo sanguíneo em artérias cerebrais e detectar o risco do AVC.

Na reabilitação, médicos e fisioterapeutas trabalham para evitar que os músculos fiquem rígidos e deformados, impedindo os pacientes de executar movimentos. O processo de reaprendizagem exige paciência e obstinação tanto das vítimas do AVC quanto dos cuidadores, que têm função importante durante toda a reabilitação.

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