Beijo representa o maior grau de intimidade entre duas pessoas

Gesto singelo provoca explosão química no organismo

Beijos e carinhos ajudam a manter o romance
Beijos e carinhos ajudam a manter o romance Foto: Divulgação

Tudo começa num beijo. Nós nascemos depois do primeiro beijo de nossos pais, e a lembrança mais antiga que todo mundo guarda é dos beijos carinhosos da própria mãe. Dentre todos os que passam por nós depois disso, nenhum parece mais intenso do que o do primeiro romance.

Com essa definição, a canadense Julie Enfield, autora de A história íntima do beijo (Ed. Matrix), contextualiza a importância de um gesto que, de tão singelo, parece inerente ao ser humano: os lábios se tocam e, desta forma, transmitem o mais alto grau de intimidade e afeto entre as pessoas.

Num universo de diferentes culturas e épocas, o beijo assume um forte papel social, capaz de influenciar diretamente comportamentos e artes. Desde uma expressão de carinho e afeição a um gesto de respeito e fé, mas muitas vezes ligado a amor e paixão, o gesto tem papel tanto social quanto afetivo. As pessoas beijam os filhos antes de dormir, conhecidos ao se despedirem, amores ao se encontrarem e mesmo ícones religiosos em devoção. Está presente na história da humanidade, em diversas culturas e com diferentes significados, mantendo a unidade do afeto.

Sigmund Freud, o pai da psicanálise, encontra no primeiro contato do ser humano, durante a amamentação, a origem do beijo. Na antropologia, a resposta está na derivação de prática ancestral da pré-mastigação, a transferência de alimento macio e mastigado de uma pessoa a outra, normalmente da mãe para a criança. As reflexões sobre esse carinho, especialmente entre amantes, induziram até a uma ciência: a filematogia.

O beijo mexe com hormônios e enzimas, desperta reações no corpo e faz florescer sentimentos que oscilam entre lascívia e ternura. Na mente, é interpretado como um dos gestos mais complexos do ser humano, como lembra o psicólogo Thiago de Almeida, especialista em relacionamentos amorosos pela Universidade de São Paulo (USP).

– Se Da Vinci definiu os olhos como janela da alma, podemos avaliar o beijo como a senha para acessar o amor do outro – compara.

Quando beijamos, explica ele, uma descarga de substâncias neurotransmissoras inunda o nosso cérebro, dando o torpor do prazer. É o que rouba o chão dos apaixonados e os motiva a tomar atitudes impulsivas em nome do amor. O beijo cria ligações entre casais, motiva a apostar em novas relações.

Beija eu, beija eu, me beija

Que beijar é bom ninguém tem dúvida. Mas será que é sempre bom? Eles e elas concordam que tudo depende do momento e da pessoa envolvida.

– Depende muito da guria. Às vezes, não é aquilo tudo – opina o técnico em informática Luiz Carlos Bastiani Junior, 21 anos.

Solteiro há dois anos, Luiz já passou pela fase do”sair para ficar” e afirma que o melhor beijo é o do relacionamento estável.

– O beijo que mais me marcou foi o da minha ex-namorada – conta.

Para a estudante Nathália Alves Elias, também de 21 anos, o beijo mais marcante foi o primeiro.

– Eu estava na 5ª série, foi aquela coisa meio escondida. Foi só um beijo, rápido, melado, mas marcou.

E o entrosamento do primeiro beijo é definitivo para o futuro de um relacionamento? Na opinião de Nathália, ninguém precisa apagar o telefone do pretendente da agenda se a primeira experiência não for tão satisfatória.

– A química no primeiro beijo é importante, mas acho que tende a melhorar com a intimidade.

A assessora de imprensa Giuliana Karzenowski, 28 anos, concorda. Mesmo assim, a expectativa do primeiro beijo no atual namorado fez com que Giu corresse para o telefone para desmarcar uma consulta com a dentista. Em outubro, na mesma sexta-feira em que jantaria pela primeira vez com o amado, ela colocaria aparelho nos dentes.

– Liguei para a minha dentista, contei toda a história, e pedi para transferir a consulta – lembra Giu, que considera o beijo uma gostosa demonstração de afeto.

>> O beijo pelo mundo

No encontro dos lábios, desencadeia-se um processo elaborado de prazer. Todos os sentidos são envolvidos e a química entre as duas pessoas leva a sensações de felicidade e euforia. O beijo e o toque são essenciais para o bem-estar do ser humano.

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