Beth Goulart traz a SP seu tributo a Clarice Lispector

Atriz conquistou o Prêmio Shell 2009 de melhor atriz por seu solo sobre a escritora

Engenheiro agrônomo de Maringá irá desfilar na passarela do DFI
Engenheiro agrônomo de Maringá irá desfilar na passarela do DFI Foto: Divulgação, Globo

Presa em sua casa, como a maioria dos cariocas na manhã de terça-feira, em meio ao caos provocado pela chuva intensa da véspera, Beth Goulart tinha, ainda assim, motivo para celebrar. Na noite anterior, ela ganhara o Prêmio Shell 2009 de melhor atriz por seu solo Simplesmente Eu, Clarice Lispector, no qual ela é intérprete e ainda assina o texto e a direção.

A peça está em cartaz no Rio, com apresentações às terças e quartas, mas, a partir de amanhã, a atriz vai se desdobrar entre duas cidades. O espetáculo inicia temporada na Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo, às sextas, sábados e domingos.

— Clarice Lispector consegue criar uma relação estreita e silenciosa com seus leitores e, felizmente, acho que o espetáculo conseguiu a mesma correspondência com o espectador —, diz Beth.

A conversa começa pela obra da escritora que ‘capturou’ a atriz muito cedo.

— Eu fui aquele tipo de adolescente que ficava presa no quarto escrevendo e lendo. Tinha uma vida interna mais intensa que a externa. Perto do Coração Selvagem foi o primeiro livro da Clarice a me cair nas mãos e eu me identifiquei plenamente com a Joana adolescente, com aquela ebulição de quem olha o mundo e tenta descobrir sua identidade —, diz ela.

Não por acaso Joana tem lugar de destaque, única personagem da escritora a ganhar ‘vida cênica’ em dois momentos do solo. Beth conta que ao decidir pela criação desse trabalho, releu toda a obra de Clarice Lispector. A partir daí, escreveu o texto por meio do qual traz à cena a escritora, falando sobre si própria e sua obra, e mais quatro personagens, todas saídas das páginas escritas por Clarice. Qual o critério?

— Segui minha intuição, como ela fazia. Ao fim, há quase uma divisão por temas —, explica.

Entre os claramente traçados estão o amor – próprio, por filhos ou marido, pelo ser humano ou pela natureza -, inquietações existenciais, processo criativo e desejo de transcendência. De quebra, Beth ainda ficou muito parecida com Clarice Lispector.

— Valorizei maçãs do rosto saltadas, olhos puxados. Mas não busquei semelhança absoluta, porque dificultaria a passagem para as personagens.

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