Blogs e sites de decoração ajudam a promover a popularização do design

Eles se espalharam como vírus e contaminaram milhões de pessoas mundo afora

No Apartament Therapy, por exemplo, vê-se estilos de casas de diversas cidades americanas
No Apartament Therapy, por exemplo, vê-se estilos de casas de diversas cidades americanas Foto: Reprodução

Em 2007, a web designer norte-americana Ashley White, 26 anos, decidiu que era hora de mudar de ares. Assinou um contrato de aluguel de um loft em Nova York.

? Só que eu não tinha a menor ideia de como transformar um loft em uma casa confortável ? conta.

Contratar um profissional de decoração não era uma opção compatível com o orçamento na época. Gastar os tubos com livros e revistas tampouco. Por outro lado, navegar pela internet era de graça.

? Fui buscar referências online e descobri blogs incríveis de decoração com ideias maravilhosas!

Oito meses depois de devidamente instalada no loft ? que assumia, aos poucos, o papel de lar doce lar ?, Ashley resolveu juntar a nova paixão à antiga profissão e inaugurou seu próprio arquivo de referências na web, o blog Decorology.

? Eu estava me divertindo tanto transformando meu estúdio em um espaço que refletia minha personalidade que comecei a ter vontade de dividir essas descobertas com outras pessoas.

O Decorology é um dos milhares de blogs de decoração, arquitetura e design que se pode encontrar em uma rápida visita à web. Juntos, eles consistem em um poderoso arquivo de referências capaz de brigar de frente com algumas coleções de revistas e livros especializados, mas com a vantagem de se dirigir ao leitor em uma linguagem muito mais simples e direta. Além disso, reúnem ideias muito mais próximas da realidade do que grandes projetos arquitetônicos completamente incompatíveis à maioria das contas bancárias. Isso porque grande parte desses blogs são assinados por gente comum. Médicos, jornalistas, fotógrafos ou donas de casa que encontraram neles uma forma de extravasar a criatividade e compartilhar projetos capazes de transformar um ambiente vazio e sem graça em um lugar bonito e acolhedor.

A maioria desses blogs reúne de fotos de capa de revista especializada a imagens de achados em lojas e decorações simpáticas engenhadas pelos próprios leitores ? esses, aliás, bastante participativos. A lista de categorias de postagens quase sempre compete ? e muitas vezes ganha ? com os assuntos abordados por publicações especializadas. O que você procura? Suítes? Cozinhas grandes? Pequenas? Apartamentos? Varandas? Banheiros? Tudo lá.

Apê cheio de estilo em Nova York de Gene, Heidi e o filho, Wyeth, de 1 ano
No Decorology, por exemplo, o primeiro post fala sobre velas a bateria, que queimam infinitamente. Rolando a tela para baixo, dicas de tendências em decoração ? branco total ou étnico? ? e maneiras divertidas de se pendurar quadros e fotografias pela casa.

? Esse post foi superútil! Às vezes, é preciso boas soluções para pendurar quadros de uma maneira diferente na parede! ? agradeceu, nos comentários, uma leitora empolgada.

Graças a Ashley e aos seus outros companheiros cibernéticos procurar por referências de design e decoração ficou fácil.

? Hoje, existe muito mais informação disponível para os interessados em mudar a casa. De certa forma, os blogs globalizaram a decoração, porque pegamos ideias uns dos outros. Gente do mundo inteiro visita a sua casa pela internet e você visita a deles também ? analisa a blogueira austríaca Jenny McCown, 48, autora do My Pink Door, batizado justamente em homenagem à enorme porta pink que recepciona os visitantes que chegam à sua casa e que já figurou em alguns blogs de decoração mundo afora.

? As regrinhas estão caindo. Tanto os arquitetos quanto as pessoas querem experimentar. Não existe estilo certo ou estilo errado. Existe estilo que combina com você ? admite a arquiteta Paula Calainho.

Aprender com os erros e os acertos alheios é uma das regras que fazem desses blogs um enorme sucesso entre os decoradores anônimos ? gente que se aventura a transformar o lar sem pedir uma opinião sequer a decoradores e arquitetos.

? Isso é a democratização da decoração ? opina a blogueira Jen Ramos, dona do Made By Girl, que já contabiliza 150 mil acessos todos os meses. ? Não importa se mostramos uma casa de um milhão de dólares ou um apartamento de 100 metros quadrados. As pessoas se identificam de alguma forma e se inspiram.

? A internet teve um papel essencial na forma de se fazer decoração. Antes, tudo o que as pessoas tinham eram revistas e mostras de decoração. Elas não viam outras casas, outras experiências ? complementa Vivianne Pontes, uma das raras epresentantes brasileiras na blogosfera decorativa.

A crafter carioca é dona do Decoeuração (uma brincadeira com as palavras “decoração” e “coeur”, coração em francês) e passava horas em frente ao computador sonhando com o dia em que seu apartamento fosse publicado em um dos blogs que lhe serviam de inspiração. Hoje, é ela quem publica as empreitadas das leitoras na sua página virtual.

? Recebo mais de 100 e-mails por dia, a maioria de gente que se virou para decorar a casa e quer que eu publique as fotos no blog.

Como boa editora, nem tudo passa pelo crivo da blogueira.

? Tem que rolar um filtro. Às vezes, gosto da decoração, mas peço para refazer as fotos porque ficaram ruins. E tem coisa que eu não gosto também e não coloco ? conta.

“Simpático” foi a definição que o pessoal do Apartment Therapy deu quando publicou no blog o apartamento do casal brasileiro.

? Acho que era a única palavra em português que eles sabiam ? ri Flávia.

O apartamento de dois quartos nada mais é do que a tradução da vida em família que eles levam no bairro do Leblon. Tanto que a decoração não foi exatamente planejada.

? A gente gosta de construir de acordo com os acontecimentos para que a casa não fique com a cara de uma só época da vida ? explica.

A decoração inclui móveis achados em leilões e grandes lojas. O quadro que enfeita a sala de visitas é, por exemplo, parte de um tapume de obra grafitado.

Quem pensa que apartamento alugado limita a criatividade se engana. Desde que se casaram, Carol e Ivan moram no mesmo apartamento de dois quartos em Florianópolis. Pintar as paredes em cores vivas foi a solução para deixar o lugar com a cara do casal.

? Não tem que ter medo. Tem que encarar o lugar como seu e pronto ? indica a moradora.

Entre os achados queridos, uma cadeira assinada garimpada num antiquário pela bagatela de R$ 12. As paredes abrigam quadros que Carol aprendeu a fazer olhando blogs de decoração. As prateleiras guardam livros, lembranças da infância, souvenirs de viagens e objetos de família. Mais pessoal impossível.

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