Botox, a toxina de mil e uma utilidades

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Quando você ouviu falar em botox pela primeira vez? A maioria de nós, provavelmente, conheceu este produto nos últimos anos, quando a toxina botulínica começou a ser utilizada como um coadjuvante no tratamento de beleza. Afinal ela ajuda homens e mulheres a dar um “up” no visual,  já que suaviza linhas de expressão e auxilia na firmeza da pele. O botox, entretanto, é muito mais do que um embelezado e rejuvenescer (mesmo que temporário) da pele. Há exatos 20 anos, o medicamento foi criado para fins médicos, e atualmente é utilizado, entre outros casos, na reabilitação de pessoas vítimas de derrame (Acidente Vascular Cerebral – AVC), incontinência urinária e crianças com paralisia cerebral.

– Muitos pacientes não chegam ao tratamento justamente pela falta de conhecimento –comenta o médico Alexandre Longo, neurologista de Joinville especialista no tratamento.

A aplicação da toxina botulínica tipo A – o conhecido botox – ficou famosa no mundo todo por seu uso cosmético e é, hoje, o procedimento estético não-cirúrgico mais realizado no mundo. O uso do botox na medicina foi aprovado pela primeira vez em 1989 (pelo FDA, nos Estados Unidos), como uma alternativa não-cirúrgica para tratar o estrabismo. Desde então, o medicamento foi aprovado em 80 países para 21 indicações diferentes.

No Brasil, o botox chegou em 1992, quando foi autorizado pela Anvisa para o tratamento de estrabismo e distonia. Hoje já são oito indicações aprovadas no país (veja abaixo).

A toxina botulínica A é aplicada diretamente no músculo, promovendo seu relaxamento temporário, o que minimiza contrações involuntárias e a rigidez excessiva. No caso da hiperidrose (suor excessivo nas mãos, pés e axilas), a substância é aplicada nas glândulas sudoríparas, reduzindo a produção de suor.

– A toxina não trata as causas das doenças, mas atenua os sintomas e sequelas e, especialmente, ajuda os pacientes a recuperar a qualidade de vida – ressalta o neurologista Alexandre Longo, que também é professor de Medicina na Univille.

Em geral, as doenças que podem ser tratadas com botox, explica o médico, comprometem significativamente o bem estar dos pacientes. No caso do blefaroespasmo, as piscadas constantes das pálpebras comprometem muito a visão. A espasticidade (rigidez excessiva da musculatura) restringe atividades simples do dia-a-dia, como vestir-se, comer, andar, e a bexiga hiperativa e a hiperidrose afetam a autoestima das pessoas, causam restrições sociais e podem, inclusive, levar à depressão.

O tratamento terapêutico com a toxina botulínica é disponibilizado pelo SUS em hospitais de todo o país, e o medicamento é reembolsado pelos planos de saúde.

Uso do botox na medicina

Distonia

Provoca contrações involuntárias da musculatura em diversas regiões do corpo – como pescoço, por exemplo – comumente confundida com tique nervoso

Estrabismo

Desalinhamento dos olhos causado por um desequilíbrio dos músculos que agem sobre o globo ocular

Blefaroespasmo

Contrações involuntárias do músculo que controla as pálpebras, fazendo com que o paciente pisque incontrolavelmente

Espasmo hemifacial

Contrações involuntárias dos músculos da face

Espasticidade

Rigidez excessiva da musculatura – de braços e pernas principalmente – que afeta a mobilidade dos pacientes. É uma sequela comum em pessoas vítimas de AVC, paralisia cerebral, lesões medulares, esclerose múltipla e outras patologias ligadas ao sistema nervoso central

Hiperidrose

Suor excessivo nos pés, mãos e axilas

Síndrome da Bexiga Hiperativa

Contrações involuntárias do músculo da bexiga, que causam vontade urgente e excessiva de urinar

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