Brasileiras estão mal informadas sobre o câncer de mama, indica estudo

Mulheres não sabem qual o exame mais eficaz nem a faixa etária mais atingida

Hormônios que estimulam ovulação não aumentam risco de câncer de mama, diz pesquisa
Hormônios que estimulam ovulação não aumentam risco de câncer de mama, diz pesquisa Foto: Jefferson Botega, BD

A informação pode ser uma poderosa arma na hora de detectar precocemente o câncer de mama, indica o resultado da pesquisa Câncer de Mama – experiências e percepções, divulgada na última terça-feira, dia 28, em São Paulo.

Porém, são poucas as brasileiras que estão informadas sobre a causa da doença e como preveni-la, mostra o levantamento. Elas apontam, erroneamente, o estresse como um dos fatores de risco para esse tipo de tumor e não fazem mamografia de rotina. A pesquisa foi realizada em cinco capitais brasileiras (São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte e Salvador) e teve patrocínio do laboratório farmacêutico Pfizer. No total, foram ouvidas 320 mulheres – 200 portadoras de câncer de mama e 120 sadias.

A maioria das entrevistadas acredita que o estresse é um dos fatores de risco para o câncer de mama, sendo 87% de portadoras e 61% de sadias. Ainda entre as sadias, 43% acreditam que poderiam desenvolver a doença e, nesse grupo, 47% dizem que a causa do tumor seria emocional.

– Elas contrariam estudos científicos, que relacionam a doença a fatores como o histórico de câncer de mama na família, a primeira menstruação antes dos 11 anos, a menopausa tardia (após os 50 anos), a reposição hormonal, o consumo excessivo de álcool, a obesidade, e ser mãe tardiamente ou não ter filhos – explica o oncologista Sérgio Simon, coordenador da pesquisa e médico do Hospital Albert Einstein de São Paulo.

Quando se trata de diagnóstico, a pesquisa revela outro indício de informação equivocada sobre o câncer de mama. Apenas 29% das sadias seguem a orientação do médico realizando a mamografia, principal forma de diagnóstico precoce da doença, e apenas 33% fazem ultrassom do seio quando solicitadas. Já 81% das mulheres sadias fazem o auto-exame sem saber que dificilmente conseguiriam detectar sozinhas um tumor na mama, especialmente em estágio inicial.

– No Brasil, menos de 10% das mulheres são diagnosticadas com carcinoma ductal, um tipo de câncer de mama, em fase inicial. Esse é o estágio com maior probabilidade de cura e o mais facilmente diagnosticado por mamografia – e quase sempre não é palpável – alerta Simon.

A pesquisa confirma também a preocupação das mulheres com a saúde, já que 93% das sadias consultam um ginecologista ou mastologista ao menos uma vez ao ano. Porém, os resultados trazem um alerta ao mostrarem que elas não fazem os exames solicitados pelos médicos.

As mulheres também têm percepção distorcida sobre a faixa etária mais atingida pela doença. Apesar do contato das portadoras com o câncer de mama e de 78% das sadias conhecerem alguém que tem ou teve a doença, as entrevistadas acreditam que a fase mais crítica para se desenvolver esse tipo de tumor está entre 40 e 50 anos, quando na realidade 75% das pacientes têm mais de 50 anos. Segundo Simon, no Brasil, a idade média das portadoras é 59 anos.

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