Brinque sem sacudir

A brincadeira de jogar a criança para o alto pode provocar lesões graves e até a morte

Foto: Catherine Crow

Todas as vezes que uma criança é jogada para cima por um adulto, como uma forma de diversão, ela parece adorar. Ri, se diverte. Mas o que poucos adultos sabem é que a brincadeira pode provocar danos neurológicos, parada respiratória, traumatismo cervical, cegueira e até a morte dos pequenos. O mesmo pode acontecer quando são chacoalhadas violentamente.

Conhecida como síndrome do bebê sacudido, o problema atinge principalmente as crianças com menos de cinco anos, especialmente os lactentes, nos primeiros 18 meses de vida, quando o organismo do bebê está em pleno desenvolvimento. Os nervos e vasos sanguíneos são mais frágeis, assim como as estruturas do pescoço. De tão recorrente, a síndrome virou alvo de um projeto internacional para preveni-lo. A campanha teve início na Austrália, já está em mais de 150 países e acaba de ser lançada no Brasil.

– A fragilidade muscular do lactente facilita essa ocorrência. Pais que atiram a criança para o alto como uma brincadeira devem saber que isso constitui risco, e que devem procurar utilizar outras formas de manifestar sua satisfação com a criança, e criar novas alternativas para brincar com a criança – diz o pediatra Carlos Eduardo Nery Paes.

Não há risco em embalar a criança com movimentos suaves

Os pais devem saber que o fato de nunca terem presenciado tal situação não reduz a possibilidade de risco para a criança. Entretanto, é importante diferenciar esta síndrome de movimentações menos vigorosas, como embalar uma criança, tranquilamente, nos braços, ou ainda, o sacolejo do carrinho ao andar nas calçadas, ou mesmo a movimentação da cadeira de segurança veicular. Na evidência de queimaduras, hematomas, escoriações, fraturas, alterações clínicas neurológicas primárias (convulsões, coma etc.), ou secundárias (vômitos, choro incoercível, tremores, vômitos), também deve ser lembrada essa situação pelo pediatra.

A síndrome

O que é
– A síndrome do bebê sacudido é constituída por um conjunto de sinais e sintomas decorrentes de movimentos de aceleração e desaceleração cerebrais, causando lesões cranianas, cervicais ou vasculares. Pode ocorrer devido a chacoalhões, brincadeiras em que a criança é jogada para o alto, balanços intensos ou outras situações similares, intencionais ou não.
– Os pais devem saber diferenciar a síndrome de movimentações menos vigorosas, como embalar uma criança tranquilamente nos braços ou sacolejar o carrinho ao andar nas calçadas.

Os danos
– A síndrome pode causar danos de curto prazo, como lesões por contato, que causam hemorragias, fraturas cranianas e lesões no tecido cerebral. Pode também causar lesões decorrentes da desaceleração craniana, após forte movimento.
– Neste caso, o rompimento vascular e a ocorrência de lesão axional difusa podem ser as consequências que trazem encefalopatia aguda (com perda de consciência, aumento de pressão intracraniana, apneia, hipotonia, anemia, hematoma subdural unilateral e hemorragia retiniana), encefalopatia hiperaguda (consequência do movimento de chicote entre a aceleração pelo movimento brusco e a súbita parada, pode causar morte repentina), danos crônicos (envolve retardo mental, distúrbios de comportamento, alterações visuais, epilepsia e alterações motoras).

Recomendação
– Aconselha-se nunca submeter a criança a situações que possam expô-la aos riscos da síndrome. Nem por brincadeira, nem por castigo, nem por outros motivos, devemos sacudir uma criança.
Fonte: Carlos Eduardo Nery Paes, pediatra

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